Ja não falo que não tenha culpa. Talvez tenha, e de tar sozinha isso tenho a certeza que tenho. Mas no fundo sei que se é assim a culpa não é de ninguem. Chamem-lhe destino o que for, eu já não sei se acredito nisso. Se escrevesse tudo aquilo que sinto, não conseguiriam ler.. sao pensamentos demasiado dissimulados, demasiado repartidos, demasiado interligados para sairem da minha cabeca. O vasco tem razao.. eu também já não consigo associar a palavra coração ao amor. Não consigo mesmo. Acho que agora vem do cérebro, e tambem do estomago. Há quem tenha mais olhos que barriga. No entanto escrevo nem sei para que. Para mim não é, tenho pena pois já algum tempo que não escrevo para mim. Há pensamentos que me assolam demasiado a mente, me consomem pontualmente o estômago. Sinto dentro dele uma pressão e depois demasiadas reviravoltadas que se podem chamar ansiedade, ou não. Sinto que ando a perder coisas importantes, talvez devido a não actuar como eu própria há já algum tempo. Sei disso, mas também há pessoas que percebem o quanto me afastar de mim mesma é importante nesta minha fase. Não falo de ninguém em particular, mas há pessoas que não me abandonaram. Também não culpo aquelas que se afastaram, pode parecer que sim, mas é apenas para mostrar o quanto isso me afecta, o quanto gosto delas, o quanto as quero na minha vida. Por isso sou tão agressiva, por isso secalhar dizem que a minha identidade desapareceu. Está aí outra coisa que eu não nego, mas foi pura maneira de escapar deste trilho já tão marcado pelos meus pés, onde até há pouco tempo não sabia que andava as voltas pela mesma selva. Ás vezes temos de mostrar egoismo, egocentrismo talvez. Se não como poderemos escapar de nós próprios quando necessitamos? Talvez nem seja preciso escapar, talvez formar sonhos. Mas tou farta de sonhar. Sonhar que a vida é perfeita e depois quando acordo o mundo cai-me aos pés e é projectado para longe, enquanto que eu sobro como sombra. Estou farta de estar assim, demasiado sensivel, demasiado exposta ao perigo, demasiado apressada para amar aqueles que precisam de mim. Demasiado magoada para mostrar a minha identidade, por isso me atiram que mudei, por isso me atiram que falo mal, por isso se afastam e me abandonam sem dizer palavra. De que raio estou a espera se não dizer que tou farta deste ano de só querer que passe para esperar que o novo ano não haja afastamentos e que eu possa formar dependencias dentro do meu coração, novamente? Tenho uma vida bestial. Uma familia que amo, umas irmas que adoro do fundo do coracao e uns pais que me sacrificava por eles por me darem tudo o que está ao alcance ou mesmo no limite. Mas depois estes sentimentos sobrepoem-se a isso tudo e penso que porra de vida e esta em que se perde amigos quando mais se necessita deles e quando aquele que por mais que amamos passa da ponta do amor, para o centro de tudo e sentimos tudo aquilo que ele sente enquanto que só queriamos acordar e ver daqueles amanhacer que nunca mais acabam. É isto que eu desejo. Uma nova madrugada, secalhar é pedir de mais mas porra estou livre para desejar. Ao menos isso.
Sunday, November 28, 2004
Friday, November 26, 2004
Sinto-a dentro de mim. Desta vez sinto que não fui eu que errei, e no fundo só te quero bem. Nem é no fundo, é no coração. De tanto me quereres esquecer, enfureces-me com essas tuas atitudes e daí só resulta uma coisa atravessada na garganta. Nunca falámos muito, agora já nem dizemos nada. Quando olho para ti só vejo aquilo que queria abraçar, para depois fugir e nunca mais voltar. Tenho o choro entalado na garganta, faço um esforco para não chorar mais. Não me posso conter muito mais tempo, só te quero bem, acho que não há mal nisso. Detesto-te por te querer tanto bem, por te querer feliz. Uma felicidade que não sei se mereces, se alguém merece. Estou farta desta rotina, como um slide a preto e branco: Caio, levanto-me, caio, levanto-me. A tua ausência traz-me felicidade, mas quando te vejo sinto-me triste. Triste é a palavra. Cresce dentro de mim uma raiva, uma fúria. A minha cara carrega-se, fico de trombas o dia todo, muitas vezes por tua causa. Sei que é a pura tristeza que fala de si. Foi um desabafo...
Na aula de História com a stôra Lina
Tou na aula de História. Não sei, perdi a conta do número das aulas que não presto atenção, que tou noutra. Mas de repente ouço qualquer coisa e tenho pena de tar constantemente distraída. Agora penso no que ei de escrever. Tou cansada, de tal maneira que só penso no fim do dia. Mas no fim do dia tenho de estudar, amanhã tenho teste. Lama, tou farta. As férias de Natal nunca mais chegam. Por falar em Natal, este ano já é fim de Novembro e ainda não montámos a árvore de Natal. Olho para a janela e para o António. Tá entretido a abrir e a fechar o dossier, e de vez em quando suspira "ah!" para mostrar que estár a seguir a matéria. Lembro-me da conversa que tive com ele sobre quebrar regras, foi gratificante. Espero que toque. A Carlota faz uma banda desenhada, não me liga. O vasco tá do outro lado da sala, deitado sobre a mão a olhar para a stôra com os olhos embaciados, a Marta tá emersa nos seus desenhos, nos seus textos. Reparo que a minha pastilha já não tem sabor, e se não posso fazer balões mais valia tar no lixo. Agora penso nele, mais uma vez para não variar. Esforco-me para não pensar nele, pois já me está uma coisa atravessada na garganta. Sempre que não quero pensar em coisas que não devo pensar, penso em cavalos, distrai-me. Fico Feliz, adoro cavalos.
Sou trapezista, estou entre o céu e a terra, algures pendurada numa corda bamba. Olho para baixo, chamam por mim, incentivam-me. Sorrio e acordo. Olho para o meu lado, a carlota continua a desenhar e ainda não tocou. Olho para a garrafa d'água à frente da stôra, que sede. Oico um riso no fundo da sala e gritos lá fora. Olho para o lado, alguém tira apontamentos. Há muito que já me esqueci como isso se faz, esboco um esgar e penso na baldas que me tornei. Olho para o relógio e grito: "Falta bué tempo pa tocar!!!!". A stôra olha pra mim. É a esta hora que já imploro para que toque, e é também a esta hora que a stôra conta as suas histórias. Desta vez não é sobre os gatos o egipto, mas sobre o Benfica. A cara da Marta a olhar pa stôra faz-me rir, e o vasco ri-se da história que a stôra conta, sobre a sua própria mãe ser considerada perigosa, por ser patriota e mandar um escocês para o hospital com a cabeca partida. Rio também. O boneco que está na parede da sala 18 desde o 8º ano, está a desaparecer, segundo a carlota é porque o António anda a esfregar lá o rabo. Solto uma gargalhada. A stôra retoma a materia - Afonso IV, o tal rei que mudou a face de Portugal.
A carlota mostra-me a banda desenhada - "Super Nenus - o regresso". Parto-me a rir, tá genial. O que se faz enquanto não toca? Porra tou farta! A carlota pica-me com a garrafa d'água, já leu o que eu escrevi antes. Tou a morrer de sede. A stôra continua, mas a sala comeca a fazer um burburinho. Comecou a altura que todos perdem o fio à meada, aulas de 90 minutos é o que dá. Ofereco-me para ler. A carlota boceja quando eu mostro tudo o que já escrevi até agora, desde há 5 segundos. O vasco pisca-me o olho enquanto fecha a porta. (bate couro bate!) Cuspo a pastilha para a mão da carlota, e depois colo-a num papel onde já estava outra de há 4 dias atrás.
Nunca mais toca! Volto a pensar nele, porra que perseguição, cavalos a correr, riu-me da minha estupidez. A Madalena lê. E ela vai-me bater por eu tar a escrever aqui. chiu. Ela escreveu! A stôra deixa "descansar". Toca e saímos. "OH NÃO! escreveste antes de tocar!" diz a carlota. Diz que agora isto vai mudar o futuro e que vai haver um tremor de terra e não vamos poder sair da sala. Isolo três vezes. Disse que era fixe que nos tivessemos de comer uns aos outros, por não haver alimento, e que se assim fosse que escolhia o Antonio. Parto-me a rir. Agora diz que vai comer a areia da mesa. Desiste e cai na mesa. A stôra bebe a água toda da sua imaculada garrafa, finalmente. O antónio canta as pombinhas da catrina. A stôra diz que o Paulo Coelho é uma bicha ao ver o livro em cima da nossa mesa. A carlota canta em chines quando toca finalmente e saimos para as escadas da entrada do liceu.
Eu estive a pensar seriamente em não postar isto aqui. Mas pronto cedi a alguns pedidos e lá postei. A aula foi do dia 24 de Novembro.
Sou trapezista, estou entre o céu e a terra, algures pendurada numa corda bamba. Olho para baixo, chamam por mim, incentivam-me. Sorrio e acordo. Olho para o meu lado, a carlota continua a desenhar e ainda não tocou. Olho para a garrafa d'água à frente da stôra, que sede. Oico um riso no fundo da sala e gritos lá fora. Olho para o lado, alguém tira apontamentos. Há muito que já me esqueci como isso se faz, esboco um esgar e penso na baldas que me tornei. Olho para o relógio e grito: "Falta bué tempo pa tocar!!!!". A stôra olha pra mim. É a esta hora que já imploro para que toque, e é também a esta hora que a stôra conta as suas histórias. Desta vez não é sobre os gatos o egipto, mas sobre o Benfica. A cara da Marta a olhar pa stôra faz-me rir, e o vasco ri-se da história que a stôra conta, sobre a sua própria mãe ser considerada perigosa, por ser patriota e mandar um escocês para o hospital com a cabeca partida. Rio também. O boneco que está na parede da sala 18 desde o 8º ano, está a desaparecer, segundo a carlota é porque o António anda a esfregar lá o rabo. Solto uma gargalhada. A stôra retoma a materia - Afonso IV, o tal rei que mudou a face de Portugal.
A carlota mostra-me a banda desenhada - "Super Nenus - o regresso". Parto-me a rir, tá genial. O que se faz enquanto não toca? Porra tou farta! A carlota pica-me com a garrafa d'água, já leu o que eu escrevi antes. Tou a morrer de sede. A stôra continua, mas a sala comeca a fazer um burburinho. Comecou a altura que todos perdem o fio à meada, aulas de 90 minutos é o que dá. Ofereco-me para ler. A carlota boceja quando eu mostro tudo o que já escrevi até agora, desde há 5 segundos. O vasco pisca-me o olho enquanto fecha a porta. (bate couro bate!) Cuspo a pastilha para a mão da carlota, e depois colo-a num papel onde já estava outra de há 4 dias atrás.
Nunca mais toca! Volto a pensar nele, porra que perseguição, cavalos a correr, riu-me da minha estupidez. A Madalena lê. E ela vai-me bater por eu tar a escrever aqui. chiu. Ela escreveu! A stôra deixa "descansar". Toca e saímos. "OH NÃO! escreveste antes de tocar!" diz a carlota. Diz que agora isto vai mudar o futuro e que vai haver um tremor de terra e não vamos poder sair da sala. Isolo três vezes. Disse que era fixe que nos tivessemos de comer uns aos outros, por não haver alimento, e que se assim fosse que escolhia o Antonio. Parto-me a rir. Agora diz que vai comer a areia da mesa. Desiste e cai na mesa. A stôra bebe a água toda da sua imaculada garrafa, finalmente. O antónio canta as pombinhas da catrina. A stôra diz que o Paulo Coelho é uma bicha ao ver o livro em cima da nossa mesa. A carlota canta em chines quando toca finalmente e saimos para as escadas da entrada do liceu.
Eu estive a pensar seriamente em não postar isto aqui. Mas pronto cedi a alguns pedidos e lá postei. A aula foi do dia 24 de Novembro.
Tuesday, November 23, 2004
Entro pelo lado esquerdo do portão do liceu, na companhia do António. Ainda nem me apercebi que já é outra nova semana. E terca, e já tou cansada. Parece que me esqueci dos livros para as aulas de hoje em casa, só trouxe os de ingles, mas esses ficam na mochila a semana toda tal é o trauma. Já não estamos na mesma turma, mas sei que hoje também tens aulas de manhã. Os primeiros 90 minutos do dia nem passam assim tão devagar, e quando saio penso "cambada de artistas" esbocando um sorriso. Tás mais gira este ano, as pessoas crescem e mudam não é? Bem penso que sim. Para quem estava sempre tão a leste de tudo este ano estás mais in, entraste no ritmo do liceu. Gosto do teu novo visual. No outro dia tive a ver fotografias de quando andávamos todas sempre tão juntas, e agora já nem combinamos ir mandar ai umas saidas a noite. Mas cresceste realmente, continuas a mais alta, não paras de crescer. Olho para ti e fico orgulhosa, foste de nós todas a que menos mudou, no entanto és a que mais amadureceu. Hoje correste para ao pé de mim, de nós e abracei-te. Ás vezes pensamos que se perde tudo, mas ao menos a capacidade de abracar ficou. És delas todas, á exepcao talvez da carlota, com quem mais estou, com quem mais combino coisas para fazer, idas ao teatro, convido-te para ires para a ericeira, tens uns pais mais liberais também. Mas daquilo que gostamos de fazer somos bastante parecidas. Sempre adorei estar contigo, mas não te deste muito a conhecer ao principio. So passaram dois anos, mas hoje parece que te conheco desde sempre. Apesar de agora estares mais noutra onda nunca deixas de me falar, gosto disso em ti. Outras pessoas não são assim. No entanto os anos passam e sei que quando sairmos deste liceu poderei, eventualmente, contar sempre contigo. Mas as vezes sinto que quando quando olhas pa mim cruzamos o olhar, que quando falas comigo não falas para mim, que quando estas comigo não estas aqui realmente, e que quando me tentas ouvir te estas a cagar. Secalhar são fases, secalhar são dias, secalhar sao maus dias. Não sei, mas há que sentir. Verdade seja dita: gosto de tar contigo. Tens de conhecer a ericeira comigo.
Chama. Paira, protegida pelo vento do constante movimento de portas á sua volta. Aquece as almas desta casa, e de outras. Olho para ela.. Limita-se a falhar para num milésimo segundo voltar a reaparecer. E fogo azul, e para ele olho como se fosse uma preciosidade, talvez das poucas que eu tenho a 5 palmos de distância, talvez não. Olho para a chama e sinto-me quente por dentro, aquecida, reavivada mesmo estando no quarto mais frio da casa. Ouco musica e olho para ali. Foleiro, talvez. Sentido, não tenho dúvidas. E no entanto é apenas a chama de um objecto, por onde se propraga calor, por onde sai calor que nos aquece nos dias gelados e que durantes as noites escuras assume a forma de um monstro que teima sempre em aparecer. Não tem qualquer significado. Para mim tem: é uma chama azul. Não é amarela, é azul.
Monday, November 22, 2004

Lembro-me quando em pequenina brincava com as minhas irmãs ao quarto escuro. Era estranho, tinha medo mas adorava a sensação - Conta até vinte! - Escondam-se vou fechar a luz. - clic!
Escuro intenso. Ainda via fios de luz, réstias de luz reflectidas nos olhos. Tropeçava milhares de vezes antes de chegar ao meu habitual refúgio. E quando lá chegava parava para escutar, e normalmente só ouvia pares de respirações pesadas das pessoas que estavam ali comigo nos quartos enormes da Ericeira. E de repente começava a ficar ansiosa, o coração começava desalmadamente a bater e abatia-se em mim uma enorme vontade de ir a casa de banho. O pânico fazia com que os meus ouvidos se apurassem. E quando era descoberta, quando não conseguia chegar a parede para não ser a próxima a contar, acabava por cair no chão e dar enormes gargalhadas de alívio. Por isso é que penso que nem sempre é do desconhecido que temos medo.
Hoje tenho 15 anos e encaro-me com esta brincadeira uma vez mais. Mas desta vez jogo sozinha. Aliás jogo com muita gente, mas a pessoa a contar até vinte é sempre a mesma. E apesar de todo aquele medo, de todo aquele pânico e ansiedade eu insisto em jogar porque sei que se for preciso, quando cair no chão, uma das pessoas que está lá dentro comigo no escuro mais perto do interruptor não hesitará em deixar o seu refúgio pronta a acender a luz com um sorriso espalhado pela cara, para que eu possa soltar uma gargalhada - clic!
Brincadeiras de criança.
Por detrás das janelas fechadas de uma casa ainda por construir continuarei a esperar por aquela que penso ser. Mas quando chegará o tempo em que me libertarei definitivamente do sonhar para me tornar o próprio sonho?
Através dos sonhos pensamos que podemos construir a realidade. Na verdade o melhor que temos a fazer é ganhar juizo e perceber que se não admitimos a realidade, os nossos sonhos não têm fundamento. O mesmo é que talvez, por exemplo, não podemos sonhar em voar sem admitir que caminhamos sobre terra. Se fosse o contrário, tudo, mas mesmo tudo, era inverso. No entanto eu penso que sonhar ás vezes é mais importante que estar na realidade, dependendo da realidade, apesar de saber que na ética isto não existe. Mas isto é para mim. Para sonhar não é preciso estar submerso num sono profundo, quando não existe sequer um fio de realidade a pairar, quando nem sequer sabemos que estamos ali. Mostra-nos outra visão, outra vida, a nossa ou não, mas para mim é importante sonhar quando se tem percepção que há realidade à nossa volta, quando nos limitamos a dar a nós próprios os nossos mais profundos desejos.
E só peço áqueles que perderam a fé, que deixaram de acreditar no mundo dos sonhos, ou que isso lhes foi roubado, que voltem onde os deixaram, onde sonharam pela última vez e o recuperem. De certo modo é uma perca de tempo, mas não o é se garantirmos que existe realidade. Pode dar um sorriso e aquela alegria para sobreviver a um, a dois, a três dias...
Saturday, November 20, 2004
Hoje vimos um filme em filosofia: dead poets society. A maioria das pessoas já deve ter visto. Eu própria já tinha visto, mas desta vez aquilo tocou-me com outra forca, quando deu o toque para a saida ainda faltava metade para ver. Tenho de arranjar o filme para o ver até ao fim. Tocou-me de facto. Também gostava de ter assim alguém que nos empurrasse com um safanão para a frente, nos obrigasse a pensar que se estamos aqui temos de aproveitar. O fechi é uma dessas pessoas. Mais que antigo professor é um grande amigo. A poesia essa também me toca com alguma forca, faz-me sentir e ver as coisas de uma nova perspectiva. Nisso também lá falam. Desta vez o filme marcou-me. Tenho de o ver até ao fim.
"To Be Read At The Opening of D. P. S. Meetings
I went to the woods because I wanted to live deliberately... I wanted to live deep and suck out all the marrow of life! To put to rout all that was not life... And not, when I came to die, discover that I had not lived..."
Carpe Diem - aproveitar bem o dia.
Friday, November 19, 2004

Detesto ser perseguida por alguma coisa. Normalmente sou perseguida por uma música. Acho que acaba por ser um bocado psicológico. Ultimamente é uma música que me persegue. Entendo agora porque sempre que estou com a marta ela grita assim que vê a sua frente aquele número que a persegue. Parece que só nos deparamos com isso em situações normais. Vou estar com mais atencão.
Thursday, November 18, 2004
Carlota e o carnaval
Escolhemos ir para lá naquele ano. Boa escolha ou não tinhamos de esperar para ver. Meu Deus a casa estava cheia! Eu minhas irmas, tu, neto e pureza! So pipis claro está! Chegamos e logo cheirou a lenha usada durante tantos anos... aquele sitio era novo para ti. Os cheiros também, os lugares também. Adoraste como tu própria disseste mais tarde, acabaste por tornar aquele sitio um pouco de ti, um pouco a tua casa. Em breve os cheiros eram mágicos e os lugares perfeitos. Em pouco tempo passaste a pertencer ali. Talvez seja por isso que sempre que vou a este ou aquele lugar me lembro de ti, apesar de só lá ires de vez em quando, desde há um ano e meio. Talvez seja por isso que tantas saudades tenha quando oiço esta ou aquela música quando ela passa na rádio, que me faça lembrar uma das mais perfeitas semanas da minha vida. Foi ali.
Dei-te a conhecer aquela casa que hoje é também a tua casa, e depressa estávamos a jantar com a "Tia Rita", a minha mãe, e a rir dos atrufios da neto e da mary. Uma personagem apareceu lá durante o jantar. Um amigo que nunca esqueci, apesar da distância sempre gradual. Um dos meus amigos que era bem educado, a minha mãe adorava. Amara a minha irmã. Marcara-me a mim. O Aleka. Nunca ei-de esquecer a tua cara quando o viste. Surpresa por algo que não sei o quê. Riste-te do acontecimento debaixo da porta. Desse também eu me ri. A memória falha-me aqui. Só me lembro de falarmos do Bernardo. As luzes estavam apagadas. Falha. Estávamos lá em baixo. Agora lembro-me. Naqueles bares tão alegres e bem na moda, bem decorados com elegância. Lembro-me muito bem. Falha. Estou a dar um beijinho ao Bernardo.. Espera afinal estou a olhar para a minha irmã. Estava com um amigo. Pedro Vasconcelos. Agora sim fui falar ao Bernardo. Não o via há anos! Três ou quatro anos. Que diferença. Estava grande, grande demais talvez devido ao rugby. Falha. Vejo o Bernardo sentado num canteiro. A minha irmã Mafalda fala com ele. O peddy está com ele. Falha. Estamos em casa. A ver televisão. Ouve-se berros vindos da estrada. A minha mãe vai à varanda. Continuam os gritos graves. Rapazes. Saio para a varanda contigo atrás de mim. Está demasiado frio. Antes de conseguir ver lá para baixo, para a estrada, olho para a varanda de casa do Bernardo. Esta acende-se como se estivesse à espera que eu olhasse para lá. Na estrada está um grupo de rapazes. A minha mãe vai para dentro, para o quentinho da lareira. Volto a olhar para a estrada. O grupo parte em disparada pela rua acima, deixam ficar um para trás. Esse olha para nós. O que ele disse mesmo? Gritou. Falha. E corre atrás deles. Tenho nesse momento um pressentimento que sabia para onde iam.
Acordamos. Tá um dia optimo. Falha. Tiramos fotografias. Estamos de túnicas. Vejo alguém na varanda do Bernardo. Vou buscar os binoculos. Está lá o que parece ser uma pequena multidão. Era ele. Atrufiamos nós as duas com a hipotese de conhecer os "miúdos da varanda". Pensamentos de miúdas. Falha. Cantamos o Mean Sleep. Falha. É de noite. Estamos lá em baixo. Falha. Chamam a minha irmã Mafalda. Lembro-me de ser o Pedro Vasconcelos e os amigos. Não presto atenção. Vamos comprar gomas de seguida acho eu, pelo menos saimos daquele sitio. Vamos para outro. Quando voltamos estão uma série de rapazes naquelas escadas enormes. Parecia que iam tirar uma fotografia para uma universidade qualquer. Era uma visão estranhissima. Achei divertido eu. A pureza a vera, a mary e a mafalda estavam com eles. Estava tanto frio! Falha. Chamam-te. Vais. Deixas-me sozinha. Vou ter com o pyny. Estou lá com ele. Era a noite dos giros. "Báza dar um giro?". Foste dar um com um deles. Afonso Vaz. Viemos a saber que era o que tinha parado na estrada ontem. Ficado para trás. Deixaste-me ali... sozinha. O que me transtornou foi que, lembro-me agora de uma das minhas falhas, foi que ele tinha mexido comigo. Mas tu nem hesitaste quando eles puxaram por ti. Nem um bocadinho. Isso marcou-me. O aleka pede para ir dar uma volta com ele. Estranho. Lembrei-me agora de outra falha. Já tinha chorado, gritado com a minha irmã. Dito-lhe que ainda a amava. Foi nessa noite que ele desistiu dela. Ainda te perguntei como é que é possivel uma pessoa ainda amar outra passado tanto tempo. Pensei que quando me tinha pedido para ir dar uma volta com ele fosse para falar sobre a minha irma. Mas ele comecou com uma estranha conversa. As tantas comecei a ficar preocupada. Admito que com medo. Disse que queria ir ver onde estavas. Ainda tava a pensar em ti e no afonso. Mas comecei a preocupar-me com o aleka. Aquilo que ouvi quando voltei para ao pé das enormes escadas foi : "AH AH AH! uma tampa!!!". Ainda me lembro do meu olhar decepcionado a olhar para a pessoa que me marcava durante tantos anos. Aquele amigo. Onde estava ele?
Quando me sentei ao lado da minha irma. Ela disse que já tinha acontecido o mesmo com ela e com a vera. Foi ali talvez o fim do que ele tinha sido para mim. Falha. Estou confusa não sei se já tinhamos conhecido o David. Acho que já. No dia anterior, quando tinhamos conhecido o Bernardo. Tavas a demorar. Isolei-me. Chorei. O david foi ter comigo. Estava bêbado. Abracou-me "Ó amiga na fiques assim! Porquéq tás assim? A tua amiga?" Ri-me. Ele fazia-me rir. Quando voltaste so te queria dar um estalo. Mas não disse nada. Viste-me a chorar e percebeste, contaste-me que nao tinha acontecido nada. Mas não esperavas que acreditasse que tinhas desaparecido por uma hora e nao tinha acontecido nada. Tinhas-me deixado sozinha na minha propria terra. No meu lugar. Na tua ausencia fui chorar para a praia. Foi ai que o david me encontrou. Mas nunca duvidei de ti, o que me fazia chorar era por ele te ter achado piada a ti e não a mim. Foi pura inveja. Mas acreditei assim que me disseste que não tinha acontecido nada. Isso nao me reconfortou, porque ele tentara. Mas no fim de tudo percebi que ele não era importante, nunca tinha sido. Falha. Avancamos várias noites acho eu. Ou foi a mesma? Essas noites foram enormes..já nem sei. Aí o tempo corria normalmente. Agora passa a correr. Pão d'alho. Minha irma mafalda andava com o Bernardo. Iamos para casa do aleka. Estavamos sozinhas um bocado mais a frente vejo um rapaz. Diz ola. "És a unica pessoa decente aqui!". atiro-lhe "Pois és!" concordas. Ele ri-se. Era amigo do Bernardo. Fomos a casa dele avisar a minha irma que iamos para casa do aleka. Ela não quer ir. Tao a ouvir musica aos altos berros. Danco. Lembro-me da casa de banho. Falha. Tamos a ir pa casa do aleka. Lembro-me de ver o PCA deitado no chao a olhar po ceu a falar com a minha irma. Falha. Vimos de casa do aleka. "PUNTS PUNTS GET AN ANGEL PARARA" um rap meu teu e do miguel. Muitas Falhas. Lembro-me de tar deitada em casa do Bernardo no sofa no colo do Miguel. O michael night. Falhas. Muitas falhas. Lembro-me de enchermos balões para uma luta com o miguel. Falhas. "Ciganaaaaa". Mais falhas. Tu a fugires do david em casa do bernardo. Eu com o miguel. Casa de banho. Falhas. A grande conversa que tive contigo. Falha. "Gosto de apanhar coisas do chão..upss". Falha. "Triiiii...tou..M? sim..vou passar a madalena!". Falhas. A imagem do pyny mascarado de princesa. Disso tenho fotografias. Falhas. Vice City. Falhas. Endless Love. Falha. Operacao triunfo. Falha. Frango as 5 da manha. Falha. Perfume. Falha. O maior Nhecs. Falha. Subir as escadas do bernardo. Falha. "tou mãe? ja entrou na ericeira?". Desces. Dizes-me adeus. Fim
O resto dos dias lembro-me que foram passados com o miguel. Passei a adorá-lo. Tambem milhares de sitios por onde passo me lembro dele. E tu..foi ai que te conheci realmente. Ai que me tornei tua amiga. Ai que prometi ficar contigo para sempre. No garage vio-o. Lembro-me do beijinho dele. Agora espero que case com a namorada. E tu que encontres o homem da tua vida. mas a ti não te perdi. A todos os que referi ali perdi. A ti não, nem as minhas irmas. Nem a neto e a pureza. O resto parece que nem exisitiu durante uma semana. Mas existiu e eu nao esqueco. Não não esqueco mesmo. Foi o Carnaval da Ericeira de 2003.
Dei-te a conhecer aquela casa que hoje é também a tua casa, e depressa estávamos a jantar com a "Tia Rita", a minha mãe, e a rir dos atrufios da neto e da mary. Uma personagem apareceu lá durante o jantar. Um amigo que nunca esqueci, apesar da distância sempre gradual. Um dos meus amigos que era bem educado, a minha mãe adorava. Amara a minha irmã. Marcara-me a mim. O Aleka. Nunca ei-de esquecer a tua cara quando o viste. Surpresa por algo que não sei o quê. Riste-te do acontecimento debaixo da porta. Desse também eu me ri. A memória falha-me aqui. Só me lembro de falarmos do Bernardo. As luzes estavam apagadas. Falha. Estávamos lá em baixo. Agora lembro-me. Naqueles bares tão alegres e bem na moda, bem decorados com elegância. Lembro-me muito bem. Falha. Estou a dar um beijinho ao Bernardo.. Espera afinal estou a olhar para a minha irmã. Estava com um amigo. Pedro Vasconcelos. Agora sim fui falar ao Bernardo. Não o via há anos! Três ou quatro anos. Que diferença. Estava grande, grande demais talvez devido ao rugby. Falha. Vejo o Bernardo sentado num canteiro. A minha irmã Mafalda fala com ele. O peddy está com ele. Falha. Estamos em casa. A ver televisão. Ouve-se berros vindos da estrada. A minha mãe vai à varanda. Continuam os gritos graves. Rapazes. Saio para a varanda contigo atrás de mim. Está demasiado frio. Antes de conseguir ver lá para baixo, para a estrada, olho para a varanda de casa do Bernardo. Esta acende-se como se estivesse à espera que eu olhasse para lá. Na estrada está um grupo de rapazes. A minha mãe vai para dentro, para o quentinho da lareira. Volto a olhar para a estrada. O grupo parte em disparada pela rua acima, deixam ficar um para trás. Esse olha para nós. O que ele disse mesmo? Gritou. Falha. E corre atrás deles. Tenho nesse momento um pressentimento que sabia para onde iam.
Acordamos. Tá um dia optimo. Falha. Tiramos fotografias. Estamos de túnicas. Vejo alguém na varanda do Bernardo. Vou buscar os binoculos. Está lá o que parece ser uma pequena multidão. Era ele. Atrufiamos nós as duas com a hipotese de conhecer os "miúdos da varanda". Pensamentos de miúdas. Falha. Cantamos o Mean Sleep. Falha. É de noite. Estamos lá em baixo. Falha. Chamam a minha irmã Mafalda. Lembro-me de ser o Pedro Vasconcelos e os amigos. Não presto atenção. Vamos comprar gomas de seguida acho eu, pelo menos saimos daquele sitio. Vamos para outro. Quando voltamos estão uma série de rapazes naquelas escadas enormes. Parecia que iam tirar uma fotografia para uma universidade qualquer. Era uma visão estranhissima. Achei divertido eu. A pureza a vera, a mary e a mafalda estavam com eles. Estava tanto frio! Falha. Chamam-te. Vais. Deixas-me sozinha. Vou ter com o pyny. Estou lá com ele. Era a noite dos giros. "Báza dar um giro?". Foste dar um com um deles. Afonso Vaz. Viemos a saber que era o que tinha parado na estrada ontem. Ficado para trás. Deixaste-me ali... sozinha. O que me transtornou foi que, lembro-me agora de uma das minhas falhas, foi que ele tinha mexido comigo. Mas tu nem hesitaste quando eles puxaram por ti. Nem um bocadinho. Isso marcou-me. O aleka pede para ir dar uma volta com ele. Estranho. Lembrei-me agora de outra falha. Já tinha chorado, gritado com a minha irmã. Dito-lhe que ainda a amava. Foi nessa noite que ele desistiu dela. Ainda te perguntei como é que é possivel uma pessoa ainda amar outra passado tanto tempo. Pensei que quando me tinha pedido para ir dar uma volta com ele fosse para falar sobre a minha irma. Mas ele comecou com uma estranha conversa. As tantas comecei a ficar preocupada. Admito que com medo. Disse que queria ir ver onde estavas. Ainda tava a pensar em ti e no afonso. Mas comecei a preocupar-me com o aleka. Aquilo que ouvi quando voltei para ao pé das enormes escadas foi : "AH AH AH! uma tampa!!!". Ainda me lembro do meu olhar decepcionado a olhar para a pessoa que me marcava durante tantos anos. Aquele amigo. Onde estava ele?
Quando me sentei ao lado da minha irma. Ela disse que já tinha acontecido o mesmo com ela e com a vera. Foi ali talvez o fim do que ele tinha sido para mim. Falha. Estou confusa não sei se já tinhamos conhecido o David. Acho que já. No dia anterior, quando tinhamos conhecido o Bernardo. Tavas a demorar. Isolei-me. Chorei. O david foi ter comigo. Estava bêbado. Abracou-me "Ó amiga na fiques assim! Porquéq tás assim? A tua amiga?" Ri-me. Ele fazia-me rir. Quando voltaste so te queria dar um estalo. Mas não disse nada. Viste-me a chorar e percebeste, contaste-me que nao tinha acontecido nada. Mas não esperavas que acreditasse que tinhas desaparecido por uma hora e nao tinha acontecido nada. Tinhas-me deixado sozinha na minha propria terra. No meu lugar. Na tua ausencia fui chorar para a praia. Foi ai que o david me encontrou. Mas nunca duvidei de ti, o que me fazia chorar era por ele te ter achado piada a ti e não a mim. Foi pura inveja. Mas acreditei assim que me disseste que não tinha acontecido nada. Isso nao me reconfortou, porque ele tentara. Mas no fim de tudo percebi que ele não era importante, nunca tinha sido. Falha. Avancamos várias noites acho eu. Ou foi a mesma? Essas noites foram enormes..já nem sei. Aí o tempo corria normalmente. Agora passa a correr. Pão d'alho. Minha irma mafalda andava com o Bernardo. Iamos para casa do aleka. Estavamos sozinhas um bocado mais a frente vejo um rapaz. Diz ola. "És a unica pessoa decente aqui!". atiro-lhe "Pois és!" concordas. Ele ri-se. Era amigo do Bernardo. Fomos a casa dele avisar a minha irma que iamos para casa do aleka. Ela não quer ir. Tao a ouvir musica aos altos berros. Danco. Lembro-me da casa de banho. Falha. Tamos a ir pa casa do aleka. Lembro-me de ver o PCA deitado no chao a olhar po ceu a falar com a minha irma. Falha. Vimos de casa do aleka. "PUNTS PUNTS GET AN ANGEL PARARA" um rap meu teu e do miguel. Muitas Falhas. Lembro-me de tar deitada em casa do Bernardo no sofa no colo do Miguel. O michael night. Falhas. Muitas falhas. Lembro-me de enchermos balões para uma luta com o miguel. Falhas. "Ciganaaaaa". Mais falhas. Tu a fugires do david em casa do bernardo. Eu com o miguel. Casa de banho. Falhas. A grande conversa que tive contigo. Falha. "Gosto de apanhar coisas do chão..upss". Falha. "Triiiii...tou..M? sim..vou passar a madalena!". Falhas. A imagem do pyny mascarado de princesa. Disso tenho fotografias. Falhas. Vice City. Falhas. Endless Love. Falha. Operacao triunfo. Falha. Frango as 5 da manha. Falha. Perfume. Falha. O maior Nhecs. Falha. Subir as escadas do bernardo. Falha. "tou mãe? ja entrou na ericeira?". Desces. Dizes-me adeus. Fim
O resto dos dias lembro-me que foram passados com o miguel. Passei a adorá-lo. Tambem milhares de sitios por onde passo me lembro dele. E tu..foi ai que te conheci realmente. Ai que me tornei tua amiga. Ai que prometi ficar contigo para sempre. No garage vio-o. Lembro-me do beijinho dele. Agora espero que case com a namorada. E tu que encontres o homem da tua vida. mas a ti não te perdi. A todos os que referi ali perdi. A ti não, nem as minhas irmas. Nem a neto e a pureza. O resto parece que nem exisitiu durante uma semana. Mas existiu e eu nao esqueco. Não não esqueco mesmo. Foi o Carnaval da Ericeira de 2003.

estou presa entre dois caminhos. o mais curto é o do esquecimento. o mais longo, deveras mais comprido, é do lembrar, sentir a dor e ser feliz. É fácil. Escolho o segundo. O mais curto tem aquilo que eu nao desejo nunca. O segundo tem a felicidade. De entre dor e felicidade, escolho felicidade. Não sou masuquista.
Wednesday, November 17, 2004
Um homem marcado
Apanhei um táxi quando saí de casa, ditando o meu destino. Para cá tornei a chamar outro. Tive azar, apanhei um decadentemente velho, e de tão absorta que estava só notei quando ele me chamou à realidade, perguntando "para onde é?", por duas vezes. Lamentei estar tão distraída, sempre tão distraída, pois ele "pisava ovos" e eu tinha posse de pouco dinheiro. Reparei em algo quando tomei em atencão o acontecimento de observação quando se apanha um táxi: o senhor mal falava, aliás não falava mesmo, a única coisa que se ouvia era as inúmeras comunicações cruzadas no altifalante, e a sua respiração pesada. Olhei para o táxi em si. Em cima do tablier estavam várias figurinhas religiosas entre elas o santinho, St. António. À frente de si estava um anjinho e uma fotografia de uma criança feliz. Sorria para nós. Desde logo me perguntei se todo aquele ambiente ruidoso fosse pela perda dessa pessoa. Olhei para o espelho retrovisor, para a cara do senhor. Era um homem velho, ostentava inúmeras madeixas de cabelo branco na totalidade do seu cabelo preto, assim como as sobrancelhas e barba também branca e já tanta por fazer. Senti-me triste, e senti em mim um sentimento íntimo em toda a preocupação constante do preço a pagar pelo contador que marcava já 3,70 euros: um sentimento de pena. Há muito que não sentia assim pena de alguém. Os seus olhos frios e vazios observavam com atenção o trânsito que já se fazia sentir nas avenidas de Lisboa a essa hora. A cara marcada pela dor e pelo tempo mostravam que já passara por momentos demasiado difíceis para uma pessoa só aguentar. Desviei o olhar e parei mesmo no cartão de serviço da Rádio Táxis, mas em vão. Pelo estado do cartão de identificação, o mesmo tinha sido usado milhares de vezes durante muitos, muitos anos. Isso de certa forma deixou-me em baixo porque simplesmente nao acredito que esse homem de tão marcado que parecia estar, gostasse de se meter num táxi ainda de madrugada e lá ficar durante todo o dia, todos os dias da semana, vendo e observando milhares de pessoas diferentes durante anos a fio, sem poder criar amizade, laços. Observando não, porque ele nem observava essas pessoas. Limitava-se a receber o pedido, como se fosse uma ordem, para dela pagar o pão nosso de cada dia. Absorta nos meus pensamentos, reparei num desastre mesmo antes do Marquês de Pombal. Umas 5 ambulancias encontravam-se já lá. Olhei para o homem esperando a sua reacção, que sendo observador do trânsito poderia ter reparado e desviado o olhar para lá com interesse, mas não. Tanto quanto me dera a perceber, o homem nem desviara o olhar para a cena, parecendo nem reparar. Normalmente a curiosidade é muita, a população adora observar acidentes, mas aquele senhor não. Estava demasiado concentrado (ou assim parecia) no seu trabalho. Quando reparei onde estava o homem fala. Ouvi com atenção. Perguntou-me se no principio da Rua do Patrocínio não houve em tempos um posto dos correios.
- Não sei, mudei-me há pouco tempo, mas acho que houve sim. - respondi supreendida pela voz grave do senhor.
- Agora é um restaurante à esquerda não é? - perguntou com uma nota de curiosidade na voz.
- É! "O Correio". - e acabo por perceber o sentido de se chamar assim. Estamos sempre a aprender.
- Também havia aqui uma praça de táxis. Havia aqui muito movimento, entravam constantemente pessoas a pedir para ir para o Chiado.
Calou-se. Reparei que deveria trabalhar como táxista desde há muito tepo, pois mostrou saudades por estar ali, talvez não fosse ali há muito tempo. O táxi parou quando disse "é aqui.". Ele parou o contador e disse "5,05 euros". Tirei uma nota de 10 euros (tinha mais dinheiro do que pensava) e dei-lhe. Recebi o troco e abri a porta. O homem olhava para a estrada. Disse-lhe "obrigada" e de seguida "um muito bom dia para si!". Nesse momento o senhor olhou para mim e vi que os seus olhos frios e vazios estavam a sorrir directamente para os meus. Fiquei feliz e antes de me deitar rezei para que a dor fosse retirada de todos os corações do mundo.
- Não sei, mudei-me há pouco tempo, mas acho que houve sim. - respondi supreendida pela voz grave do senhor.
- Agora é um restaurante à esquerda não é? - perguntou com uma nota de curiosidade na voz.
- É! "O Correio". - e acabo por perceber o sentido de se chamar assim. Estamos sempre a aprender.
- Também havia aqui uma praça de táxis. Havia aqui muito movimento, entravam constantemente pessoas a pedir para ir para o Chiado.
Calou-se. Reparei que deveria trabalhar como táxista desde há muito tepo, pois mostrou saudades por estar ali, talvez não fosse ali há muito tempo. O táxi parou quando disse "é aqui.". Ele parou o contador e disse "5,05 euros". Tirei uma nota de 10 euros (tinha mais dinheiro do que pensava) e dei-lhe. Recebi o troco e abri a porta. O homem olhava para a estrada. Disse-lhe "obrigada" e de seguida "um muito bom dia para si!". Nesse momento o senhor olhou para mim e vi que os seus olhos frios e vazios estavam a sorrir directamente para os meus. Fiquei feliz e antes de me deitar rezei para que a dor fosse retirada de todos os corações do mundo.
Monday, November 15, 2004
O meu lugar
Caminho nas ruas vazias, escuras e molhadas pela humidade que arrepia num passeio. Olho para o céu, não está estrelado. Mas mesmo assim não deixa de ser belo, pois abre um buraco para a enorme lua, que nunca a tinha visto tão grande e amarela, espreitar e me ver por ali sozinha. É, na rua não há vivalma, e no entanto não me sinto só. Passo numa ponte, desco umas escadas e olho para a minha esquerda. O café está aberto e pelo que vejo atulhado de pessoas que bebem e se divertem até serem 5, para aí se dirigem à alma da noite: a discoteca mais próxima e a única. Aproximo-me entro e abro o casaco. Está calor lá dentro. Procuro uma cara amiga, mas em vão. É Inverno, a maioria dos meus amigos não vem para aqui nesta época, e se vêm não saiem de casa. Fecho o casaco e volto a sair. Está tanto frio que me arrepio e deito uma nuvem de fumo pela boca, ao respirar. Gosto destas noites geladas aqui, bastante mais que as noites de calor intenso. Subo uma rampa e olho à minha volta. A maioria das pessoas encolhem-se no bar existente ao fundo do pavimento, porém a esplanada está vazia, talvez por as cadeiras do sumol estarem molhadas. Entro no café mais célebre dali e peço umas batatas fritas, pode ser que me aqueçam. Agradeco à mulher preta do café de que tanto gosto por custumar atender-nos a mim e aos meus amigos sempre primeiro por sermos como ela nos chama "clientes habituais e bem dispostos". Torno a sair para o ar enregelado da rua e atravesso o pátio. Estou a comecar a sentir ansiedade, onde é que estão os poucos amigos que sei que vêm para aqui mesmo nestes dias frios? Olho para a gelataria agora fechada e penso nos bons gelados que se servem ali, no self-service, e de novo uma nova onda de arrepio passa pela medula por pensar em gelados naquela noite de humidade. Deixo umas escadas e passo por um átrio com contentores lembrando-me que em pequenina aquilo ainda nao existia e pensando para que é que servem se não para cheirar tão mal.. Subo uma rua olhando para a janela do ultimo andar de um prédio. Aquele prédio faz-me lembrar a minha Tia Lena, a minha avó Teresa e a Tia Tói e também a Mimi. Continuo. Em breve passo por um dos cafés mais antigos deste lugar. Antes de se tornar metade loja metade café, o café xico era uma casa de chá. Ainda me lembro das horriveis alcatifas cor de vinho, que sempre que se deixava cair um pacote de açúcar, tinha-se de ir buscar o aspirador para ficar impecável, e deixar fora de si uma séria de pessoas que tinham de aturar com o barulho. Lembro-me ainda das cadeiras que era lindissimas, brancas e antigas. Passo por ele lembrando uma série de acontecimentos ali, e em breve estou ao lado de uma das árvores da praca mais importante e suja deste lugar. Desisto. Está horrivelmente e degradavelmente vazia. Volto para casa e deito-me.
Agora é Verão e saio de casa, desta vez de top e calções e corro para ver se consigo arranjar uma aragem de qualquer maneira. No caminho para a praia encontro uma série de pessoas amigas e conhecidas que me fazem sorrir. Na praia então encontro milhares de amigos, tios e tudo o que possa ser uma cara amiga, entre eles o banheiro Sr. António, que já foi meu mister no futebol feminino quando estava neste lugar. Foi também ele que ensinou o meu pai a andar de bicicleta quando este era ainda um miúdo, e dou-lhe um aperto de mão e um abraço. Quem não vejo há muito tempo é a Bernardina, a moça dos bolos que conhecia bem o meu pai e nos dava bolos de graça. O meu pai disse-me ainda outro dia que ela partira, para sempre. Não deixei de ficar triste, e agora sinto a falta dela nesta praia já muito pequenina mas que em tempos foi enorme e ela era imponente ali com carradas de miúdos atrás dela a pedir bolos quentinhos pelo sol. Anoitece, e parto em busca de amigos. Em breve estou com eles, divirto-me e encarrego-me de me marcar para nas noites de inverno geladas me poder lembrar, passar por um sítio e poder sorrir com saudades de tudo e de todos enquanto o sol nunca tapado por nuvens iluminou.
É... sem dúvida alguma eu pertenco ali.
Ericeira...
Agora é Verão e saio de casa, desta vez de top e calções e corro para ver se consigo arranjar uma aragem de qualquer maneira. No caminho para a praia encontro uma série de pessoas amigas e conhecidas que me fazem sorrir. Na praia então encontro milhares de amigos, tios e tudo o que possa ser uma cara amiga, entre eles o banheiro Sr. António, que já foi meu mister no futebol feminino quando estava neste lugar. Foi também ele que ensinou o meu pai a andar de bicicleta quando este era ainda um miúdo, e dou-lhe um aperto de mão e um abraço. Quem não vejo há muito tempo é a Bernardina, a moça dos bolos que conhecia bem o meu pai e nos dava bolos de graça. O meu pai disse-me ainda outro dia que ela partira, para sempre. Não deixei de ficar triste, e agora sinto a falta dela nesta praia já muito pequenina mas que em tempos foi enorme e ela era imponente ali com carradas de miúdos atrás dela a pedir bolos quentinhos pelo sol. Anoitece, e parto em busca de amigos. Em breve estou com eles, divirto-me e encarrego-me de me marcar para nas noites de inverno geladas me poder lembrar, passar por um sítio e poder sorrir com saudades de tudo e de todos enquanto o sol nunca tapado por nuvens iluminou.
É... sem dúvida alguma eu pertenco ali.
Ericeira...
Thursday, November 11, 2004
Hoje
Dou uma gargalhada, sorrio. Olho-me ao espelho, ignoro. Sorrio para mim própria. Hoje estou feliz, estou ansiosa, hoje dou aos outros um pouco de mim. Fartei-me daquele estado de espírito de que todos tinham pena, mas nada faziam, não o moviam. Eu fiz. Tomei uma atitude e consegui voltar a ser quem era. Perdi-me mas voltei-me a encontrar. Estão felizes? Eu estou, ultrapassei. Nasci? Não...permaneci.
A história de uma fada
Nasceu e ao contrário de todos, o seu primeiro som foi uma límpida gargalhada, da mais pura felicidade. Cresceu e mais gargalhadas deu. Encontrou um príncipe e tornou-se ela própria na gargalhada. Imortal, mortalizou-se, pois deu o seu coração. Venceu medos, ganhou vida, perdeu emsombros, criou magia. Viveu num sonho, morreu no real. Chorou um salvador. Morreu com uma lágrima que logo gelou e se tornou numa outra fada. Deu vida.
Vestígios de ti
Tenho uma marca na pele.
Algures perto do ombro
Do coração será
e caio com um tombo.
Sorrio perante a ferida
Desejo a felicidade
Num sitio escondida
Tocada sem liberdade.
Percorro sozinha
Abrigos incertos
Mares gelados
Pretos num vazio.
Encontro-te finalmente
Estás algures na minha cabeça.
Encontrei-te,
Recordo e trago-te de volta ao coração.
Transbordo e dou-te a mão,
Prometendo nunca mais te largar num senão.
Algures perto do ombro
Do coração será
e caio com um tombo.
Sorrio perante a ferida
Desejo a felicidade
Num sitio escondida
Tocada sem liberdade.
Percorro sozinha
Abrigos incertos
Mares gelados
Pretos num vazio.
Encontro-te finalmente
Estás algures na minha cabeça.
Encontrei-te,
Recordo e trago-te de volta ao coração.
Transbordo e dou-te a mão,
Prometendo nunca mais te largar num senão.
Reflito
Hoje penso em tudo é verdade. Talvez perca tempo de mais a pensar, mas acho que mais que um acontecimento, mais que uma acção, o pensamento é uma fase da nossa vida.
Mas pensei em tudo de facto, mais uma vez. Fico tranquila. A tranquilidade é quase tudo para mim. Sim, é um facto. é a minha arte, assim como a felicidade, aquilo que eu desejo como modelo, a minha diva. Hoje pensei...e muito.
Mas pensei em tudo de facto, mais uma vez. Fico tranquila. A tranquilidade é quase tudo para mim. Sim, é um facto. é a minha arte, assim como a felicidade, aquilo que eu desejo como modelo, a minha diva. Hoje pensei...e muito.
Um filme
Olho para o céu e dou um grito. Está-se a apagar, escurece! A lua também está destruída... O mundo forma uma sombra tão rapidamente que tenho pouco tempo para pensar o que será de nós sem luz, sem calor, sem felicidade.
Nesta altura penso em mim. Só em mim. Também eu me sinto infeliz por aquilo que vejo. Vejo o fim de uma era. Vejo o fim de um amor. Vejo o fim daqueles que eu amo. Passa algum tempo e quando dou por mim e abro os olhos a luz volta e pergunto-me por quanto tempo permaneci cega e insensível. Por quanto tempo estive perdida num mundo escuro e destruído. A solidão é um lugar horrível.
Nesta altura penso em mim. Só em mim. Também eu me sinto infeliz por aquilo que vejo. Vejo o fim de uma era. Vejo o fim de um amor. Vejo o fim daqueles que eu amo. Passa algum tempo e quando dou por mim e abro os olhos a luz volta e pergunto-me por quanto tempo permaneci cega e insensível. Por quanto tempo estive perdida num mundo escuro e destruído. A solidão é um lugar horrível.
Desabafo
Arrogância. Detesto-a. Repugno-a. E consome tanta gente! Sim corroi por dentro, destroi. Certas vezes temos de o ser ou pensamos que sim. Sentimos essa necessidade, mas de alguma forma ela é incorrecta. Sentimo-nos bem quando, por vezes, desabafamos essa mágoa imaculada, que por consequente não se pode conter. "Salta-nos a tampa", passamo-nos, elouquecemos. E depois esquecemo-nos, podendo em apenas um minuto voltar à doçura do nosso estado de espírito, à nossa normalidade. E isso de alguma forma toca-nos quando vem de outro. Se não for significante é insignificante, mas nunca deixa de nos tocar com uma certa fúria.
E se for vindo de alguém com um certo sentido inscrito em nós, é uma fúria redobrada. O ser Humano é impecável, cumpre este mal tão aperfeiçoadamente que chega a meter dó a quem vê de fora.
É de certa forma um desabafo, mas o ouvinte é alguém que não merece ouvi-lo. Assim detesto quando aqueles de quem gosto me falam com essa ironia, essa maldade num grito, a arrogância. Sim, toca-me e já tive em dias melhores para aturar com ela...
E se for vindo de alguém com um certo sentido inscrito em nós, é uma fúria redobrada. O ser Humano é impecável, cumpre este mal tão aperfeiçoadamente que chega a meter dó a quem vê de fora.
É de certa forma um desabafo, mas o ouvinte é alguém que não merece ouvi-lo. Assim detesto quando aqueles de quem gosto me falam com essa ironia, essa maldade num grito, a arrogância. Sim, toca-me e já tive em dias melhores para aturar com ela...
Thursday, November 04, 2004
Que dia.
Como uma fotografia.
E enquanto ria,
Passava-se um e mais dias.
Neles penetrei.
E deixei-me absorver.
Neles me perdoei
Não me pude conter.
Versos de criança feliz estes,
Talvez por conhecer a felicidade do sol
Nele mergulhei num horror.
Agradeco por dias como estes
Em que a minha dor se desvaneceu
Como um véu
E onde me encontrei para por agora não me perder.
Posso respirar outra vez.
Posso ver novamente.
E como outrora sentir-me
Para sorrir livremente.
Só agradeco áqueles que fazem deste mundo um mundo melhor
Que apaziguam a dor e a castigam
E fazem sentir que há dias em que pertencemos aqui.
Dias que nos dizem que vale a pena respirar, sorrir, sonhar enfim amar.
Sim, obrigado.
Como uma fotografia.
E enquanto ria,
Passava-se um e mais dias.
Neles penetrei.
E deixei-me absorver.
Neles me perdoei
Não me pude conter.
Versos de criança feliz estes,
Talvez por conhecer a felicidade do sol
Nele mergulhei num horror.
Agradeco por dias como estes
Em que a minha dor se desvaneceu
Como um véu
E onde me encontrei para por agora não me perder.
Posso respirar outra vez.
Posso ver novamente.
E como outrora sentir-me
Para sorrir livremente.
Só agradeco áqueles que fazem deste mundo um mundo melhor
Que apaziguam a dor e a castigam
E fazem sentir que há dias em que pertencemos aqui.
Dias que nos dizem que vale a pena respirar, sorrir, sonhar enfim amar.
Sim, obrigado.
Caminhei, por ti solucei.
Reencontrei caminho pelas heras da minha vida. Falhei.
Penetrei em ti sem piedade
E acabei em saudade.
Quando vi que ao sofreres eu também sofria por ti,
Percebi que no fundo eu estive sempre para ti e tu para mim.
Mas não bastou, pois quem falhou fui de facto eu ao negar esse amor.
Mas não te amava para contigo estar,
Ou será que amava?
Não queria me perder para que um dia, talvez, me ter de encontrar.
Ou será que poderia perder e nunca te ter de deixar?
A dúvida é constante.
Por isso faço figas para que da próxima sejas feliz,
Pois também te peço que me libertes desta prisão em que as grades sou eu própria.
És talvez o crime, mas fui eu quem o cometeu.
Não te peço que me salves,
Apenas que quando agires penses: "Eu amei
Uma pessoa e no fim de tudo, por amar, a deixei livre.".
É... Talvez seja isto que eu deseje.
Hás de encontrar aquela que te fará feliz,
Talvez como eu nunca fiz.
Vais encontrar, eu tenho fé,
Só tens de esperar até.
E eu talvez morra sozinha,
Talvez com alguém que ame tanto como tu amaste,
Mas ao menos deixai-me ultrapassar a dor.
Deixai-me viver livre.
É...por ti tenho fé.
Reencontrei caminho pelas heras da minha vida. Falhei.
Penetrei em ti sem piedade
E acabei em saudade.
Quando vi que ao sofreres eu também sofria por ti,
Percebi que no fundo eu estive sempre para ti e tu para mim.
Mas não bastou, pois quem falhou fui de facto eu ao negar esse amor.
Mas não te amava para contigo estar,
Ou será que amava?
Não queria me perder para que um dia, talvez, me ter de encontrar.
Ou será que poderia perder e nunca te ter de deixar?
A dúvida é constante.
Por isso faço figas para que da próxima sejas feliz,
Pois também te peço que me libertes desta prisão em que as grades sou eu própria.
És talvez o crime, mas fui eu quem o cometeu.
Não te peço que me salves,
Apenas que quando agires penses: "Eu amei
Uma pessoa e no fim de tudo, por amar, a deixei livre.".
É... Talvez seja isto que eu deseje.
Hás de encontrar aquela que te fará feliz,
Talvez como eu nunca fiz.
Vais encontrar, eu tenho fé,
Só tens de esperar até.
E eu talvez morra sozinha,
Talvez com alguém que ame tanto como tu amaste,
Mas ao menos deixai-me ultrapassar a dor.
Deixai-me viver livre.
É...por ti tenho fé.
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