Monday, January 31, 2005

Bryan Adams



If you ever feel like you're gonna fall - oh I'll be there
And if you ever feel down or feel small - oh don't despair
And if you ever feel lost or feel alone - babe c'mon home
Let's just make love - all night
Let's just hold on - so tight
Let's make it last - for life
I won't let you go
Ya we're flying - feels just like flying
We're such a long way up - from the ground
Just u and me flying - so high 'n I'm never gonna come down
Every time you turn around and wanna run - oh come to me
When every little dream comes undone - oh don't worry
Let's just make love - all night
Let's just hold on - so tight
Let's make it last - for life
I won't let you go
Ya we're flying so high and...
We're never gonna come down...you and me

Flying, Room Service
No meio de tanta rotina, não há palavras.
No meio de tanta confusão, a palavra espectacular ganha sentido.
No meio de nós, duas pessoas encontraram o tempo, agarraram-no e reviveram-no.
Depois de uma corrida, depois de estarmos perdidas, depois de corrermos outra vez, e outra vez, encontrámos um lugar de nosso agrado. E saltámos, e gritámos, e cantámos de mãos dadas, de guitarras na mão, de lenco na cabeça, de lágrimas nos olhos de olharmos para a nossa esquerda e ouvirmos avidamente. E tudo porque ele estava ali, a cantar para nós, por nós. Veio aqui, ao fim do mundo, eu comprei o bilhete e a ansiedade durante duas semanas tomou conta de mim. E da carlota também. E hoje ainda resta tudo. E tenho saudades de num curto espaço de tempo ter revivido a minha vida toda, tão longe de todos. Hoje não sinto saudades de ninguém. O orgulho fala mais alto. Ontem o orgulho foi abolido, escorregou-me pelas mãos e senti saudades. E comovi-me. Que mais haveria de fazer?


Obrigado Carlota.
Balcão 1, 21:30h 30-01-2005

Posted by Hello

Sunday, January 30, 2005


orgulho com letras grandes. Posted by Hello

Francisco José Viegas

Regresso por outro rio








se regressar, será aos teus olhos que regresso
os acasos ardem nos lábios dos amieiros que na margem do rio
aguardam que regresse. a isso regresso, buscando
coicidências e nomes, razões. afasto-me
provavelmente de ti, embora secretamente.

é por isso estranho a forma como os acasos ardem
para sempre. a outro rio e sob outras sombras
regresso, devagar para não ferir o que antes amei
e por quem morri muitas vezes. agora de novo morro

e por outro rio regresso até ao lugar onde elas, as aves,
nascem para não desaparecerem. e isso é como permanecer.

Vivo para a vida.

Vivo aqui, com vocês mas no fundo sozinha.
Amo estar sozinha, detesto a solidão.
Tenho aquela aptidão de cor, de felicidade, mas sou adepta de infelicidade, do escuro. E no entanto não desisto, e escrevo, e volto a escrever saudades do que tudo foi um dia. Escamas malditas, roupa quente que me aquece, e o inverno não passa.
Mas hoje é Verão, e há jamais preto no branco. E a única certeza é a morte e que o que passou não volta ao litoral do Presente. Não digo que já tive melhores dias, apenas que tudo aquilo foi um momento, não rotina como agora.
Vou partir um copo.

Saturday, January 29, 2005

transpiro por não saber o que escrever. a alucinacao da inspiracao acabou. o efeito momentaneo daquela droga esvaneceu-se. E eu continuo na busca de palavras, de sentimentos que nunca passaram. Hoje sinto rancor. Sinto dar concelhos, mas acho que o que fala mais alto é o fulgor da dor de vos ter perdido. E espero sempre um sorriso de vossa parte. Se vos disser que não vos quero perder pareco exagerada. A resposta é sempre a mesma "não exageres, nada mudou." Secalhar sou eu que não entendo o significado da palavra "sempre". Não seria até ao infinito e mais além? Até depois da noite escura, dum pano verde. Verde é a minha cor, há quem já saiba isso. Mas duma certeza eu tenho, eu não me perdi. Perdi-me de mim, de vocês não. E sou uma exagerada é verdade, mas sempre fui assim, muito antes de sentir este fulgor, qualquer coisa que esteja a falhar. Sim, e está mesmo. Entro todos os dias por aquele liceu a ansear que seja tudo diferente. Sim hoje vai ser diferente. O primeiro degrau que subo é diferente, mas os outros são degraus que sempre lá estiveram, desde que o primeiro tijolo foi inaugurado. Aquilo tem muito que se conte. E vocês também. Isto são sentimentos demasiado recapitulados. E são repetições, todos os dias sinto o mesmo. E no entanto não passa. Não passa um único dia que eu me reserve aos meus pensamentos e que segundos depois fique com a cara marcada de tristeza. Como se tivessem passados anos e anos de espiritualidade, um vida inteira de prazer dedicado a nossa pessoa. E não ha dia nenhum que me pergunte que é das pessoas que fazem parte de mim. Num nome, numa ocasião, num acontecimento, numa prece e que eu sinto que tudo foi em vão. Mas essas pessoas existiram, pelo menos sob efeito da droga. E a compaixão por elaa não se desvanece, nem aparece o arrependimento como no alcool. Aqui é diferente. Aqui estou sob a lua e escuto o que me digo a mim mesma. E é melhor olhar para a frente que para trás. É dificil, mas sei que é o correcto. Está na moralidade e na ética aceitar isto como correcto. É um valor de Stuart-Mill e de Kant, e eu não me vou sobrepor. Secalhar a minha filosofia é bem mais preciosa, mas é minha. E tem bases. Serão vocês, acabando por vos perder de vez ou não. Uma certeza fica, sorrisos por vocês ficarão para sempre, erámos tudo juntas. E isso ficará para sempre sobre o efeito de uma droga qualquer. Só vos peço que admitem que nos perdemos, mas que lutem para nos encontrarmos.

Tuesday, January 25, 2005

Passam-se os dias e eu comeco a preocupar-me por me ausentar tanto. Ausência é por mim, porque me preocupo? Não porque acho que escrever aqui seja uma responsabilidade ou um dever, mas porque gosto da vossa presenca. Voces sao os comentadores, e lá por serem sempre os mesmos, estão sempre aqui batidos. Agradeco-vos. Ultimamente tenho o sol na minha vida. Tudo brilha como se fossem presentes acabados de desembrulhar. Ya, tá tudo brilhante. Life's Perfect.

Wednesday, January 19, 2005

Life's Perfect.

Monday, January 17, 2005

Tou cheia de oportunidades. Durante um ano inteiro tive várias mãos para me puxarem, mas eu preferia o fundo da piscina. Chega de falar de baboseiras. Sim baboseiras. Vou tornar este blog mais apelativo. Ninguém o lê. Maldito sejas tu vasco que me atormenta. Ao menos podia ser mesmo ninguém! Just kidding..

Tava aqui a pensar que ando eufórica.
"-Foste sair este fim de semana?
-Eu? Não!
-Ve-se!"
Talvez eufórica de mais. Se tiver a abusar por favor avisem. Quero faltar ao compromisso. Um blog não é timido, eu e que sou. Um blog não é triste, só porque tenho estado. Um blog é um blog. Claro que tenho de escrever o que penso, o que acho e tal e coisa. Mas hoje vai haver excepçao à regra. Hoje sim vasco, nao e sempre. Eu penso e repenso. Ai que penso muito, e faz-me mal e depois chego ao fim do dia ou mesmo antes e nao paro de olhar para a lua, ou para o stor de filosofia (ou nao), ou para o antonio, essa bicha maluca. Tou farta de tar triste. Tou farta de ter crises de adolescente. Tou farta de escrever com as letras todas e de fazer revisoes para um maldito blog. Tou farta de olhar para o espelho e ver olheiras até ao chão. Farta de perder a parte de tras dos brincos à cristiano ronaldo. E pareco uma adolescente inconsciente. Mas eu sou uma adolescente inconsciente. Tou a fazer divergencias a mais.
Hoje não me preocupo em escrever coisas a mais. So quero ser mais atinada. Amanhã vou ao ginásio e pumba Ingles em cima. Aquela stora da cabo de mim. Não sei porque mas e a unica stora que eu sinto algum temor. Falando de coisas sérias, já é tarde. Quero lá saber. Amanhã vai-me custar acordar na mesma, está sempre tanto frio...
Vou ser castigada. Eu acho que me castiguei a mim propria o ano passado. Mas acho que ainda não tive virada para o canto tempo suficiente. Tive demasiado submersa no fundo da piscina para pensar claramente. E sabem a falta de oxigenio tolda-nos o pensamento. Ta demasiado silencio em casa. Em frielas houve tentativa de esfaqueamento. Acho que era suposto ficar no arquivo de "secret". Caguei po arquivo da mona. E o meu blog... nao tou no tribunal. Furaram os pneus do yellow da minha irma. Entraram em campo com facas na mao e pedido de estrangulamento. Valha-me Deus. Que filme. Mary mary, onde te meteste. Vou parar por aqui. Isto não é a minha pagina do diário. O meu diário é o blog. Ou custumava ser. Tou demasiado preguicosa para me levantar e ir buscar as coisas. Tenho trabalhos de matematica. Tudo para a ultima da hora, quem é que nao conhece a madalena? Normalmente nem faço, mas pronto quero atinar. nao foi o que eu disse? Querer é poder.


"Never, never, never open the door in the floor."

Saturday, January 15, 2005

Escolher aptidões, escolher cor, escolher felicidade.
"A luz apagou-se e comecei ali, no escuro a pensar em coisas tristes. E disse: NÃO! Acendi a luz, desci para a cabine telefónica, e o meu pai estava lá em baixo." disse-me ela com um sorriso amarelo espalhado pela cara, o seu sorriso.

Baixo astral. Motivos de simulação de humores. Simulação de palavras, rumores de sentimentos estranhamente simulados. Réplicas de tremores, de terramotos de pensamento. Assimilam-se culturas, assimilam-se histórias, apuram-se os poros, perseguem-se tesouros. E depois farta-se. Depois desiste-se. Depois penetramos em nós e esquecemos como a vida é bela, e tudo porque a desilusão nos fez esquecer a arte de viver. Esquece-se que é bom viver, esquece-se o poder da felicidade, damos permissão à dor, permissão que ela entre no nosso coração. E chamamos corajosos àqueles que deixam as fadas entrar para a tirarem do coração. Há quem viva com ela para sempre. Esses têm mais temor a se conseguirem perdoar, a se libertarem do que viver com a dor para sempre, com ela presente como uma sombra nos dias felizes e sempre, sempre presente no olhar naqueles dias de preto no branco, naqueles dias frios de tristeza. Eu não esqueci. Eu não dei permissão. Mas a fada entrou na mesma. Eu não sou corajosa, mas ela obrigou-me a ser. Hoje o sol é quente e o arco-íris tem 7 cores outra vez.
Estou com saudades desse sítio, sim. Estou com saudades do barulho constante do mar. Com saudades de acordar e o céu estar sem nuvens, o ar salgado e húmido, a espuma na paisagem nunca desaparecida. Saudades dos barcos ao fundo, saudades dos carneirinhos fustigados pelo vento. Saudades de comer gelados da UCAL. Saudades também de não ter pressa. De chegar a casa e poder lanchar antes de descer para ir ter com a Isabelinha. Saudades de vir da escola naquele passo lento pelo carreiro da estrada principal. Saudades de pensar que tudo era um começo, que tudo iria mudar. Saudades de ter a pele queimada por aquele sol anual. Saudades de ser uma das "três émes". Saudades de vir de um passeio na areia. Saudades de me sentar no salvador em pleno Maio. Saudades das aulas na escola e daquele stôr espetacular. Saudades de uma ânsia enorme por tudo poder mudar um dia. E mudou. E agora vêm as saudades. E as saudades que faço com elas? Afogo-as? Isso não é às mágoas? Só sei que as coisas por que passei passam pela minha cabeça aos milhares num turbilhao de cores intensas.

A minha cabeça está num remoinho.

Wednesday, January 12, 2005

a minha cara já está roxa e as minhas mãos brancas de fazer tanta força para não gritar.
Hoje o dia nasceu diferente. Deitei-me cedo ontem, secalhar foi por isso. Saí da cama e não tive frio. Levantei-me e carreguei no botão para ligar o computador. Não sei onde apanhei esta mania, nunca a tive. Levei a roupa para a casa de banho. Sabia que quando saisse do banho ia morrer de frio. Ignorei o detestar vestir-me na casa-de-banho quando saio do banho. Vesti-me lá, nem e mau de todo. Ao menos não tive frio. Tive com a minha mãe hoje, tem estado doente. A sala estava quentinha, quinto andar, levamos em cheio com o sol das dez da manhã. Hoje esteve quente. Sabia que me podia demorar mais um bocadinho, a minha mãe levava-me.
Houve pensamentos que não me assolaram durante a manhã, mas há coisas que não posso evitar, ou talvez possa. Mas hoje é um dia diferente, igual a tantos outros. É um dia igual, mas diferente a tantos outros. É um dia frio, com sol, com as mesmas pessoas, a mesma arte de viver, o mesmo temor do dia correr mal, mas é um novo dia e ainda não acabou.

Tuesday, January 11, 2005

As promessas são para cumprir.

Ele

Ele despe-a. Ele expõe-se e sorri. Ele treme e segue-o com o tacto. Ele sente-me. Ele sente aquilo que quer fazer. Ele já se despiu há muito. Ele entregou-se e deixou que o prazer o percorresse. Foi por pouco tempo, mas foi feliz. Ele já é crescido para saber o que quer, talvez crescido de mais. Ele agora veste a capa escura. Veste uma sombra constante. Veste desconfiança e veste esperança. Ele não desiste. Pensa que não está vulnerável. Esboça sorrisos constantes, parece que a dor não lhe bate mais à porta, partiu para sempre. Ele hoje está feliz. Ele hoje quer-me longe, talvez para sempre.
A alma foi despida.
Mas está hoje fechada a sete chaves. Sete ou setenta. Setenta ou setecentos, está fechada, cruelmente fechada. Ele sobe as escadas, já não olha para mim. Algo mexe comigo, dentro de mim. Esboço um sorriso, e que sorriso. Entro e abraço alguém. Há várias maneiras de amar.

Friday, January 07, 2005

"Pára de sofrer por favor", peço-lhe. "Por favor, pára de sofrer.". Ela não responde, nem me ouve. Eu falei para dentro de mim. É, ela estar assim toca-me profundamente. Eu estou ligada a ela por um pacto no coração.
"Pára de sofrer, mesmo que isso signifique perder o amor.". Pára. Não posso dizer isto. Que egoísta Madalena, ela precisa saber amar, ela sabe amar verdadeiramente. Não lhe tires a coisa mais importante para ela, essa habilidade, essa capacidade. Mas ela também sofre. Pois sofre, mas quem sofre por amor sabe encontrar-se, nem que isso signifique perder a esperança, aparece sempre alguma coisa. Não, ela pensa que não. Oh Madalena, estás parva? Ela sabe amar, não lhe tires isso. Mas chora por dentro, chora sangue nos pulmões e não tem ar no coração, ele está partido. Sim mas alguém vai colar. Sai de mim já. Não te quero aqui. Ela é forte, sei que é. E sabe amar, a capacidade que nunca se perde quando se ganha. Ela continua a escrever linhas de vida. "É para mim?" sorri. É sim, é sim.

Nunca te ganhei muito. Nunca te pedi nada. Nunca significaste muito para mim.
Mas não é isso que sinto quando estamos os dois mais para lá do que para cá. Aí falamos de tudo. De ti, de mim. Não importa, confio em ti e nunca partilhei muito. Gosto de ti à minha maneira.
Magoaste alguém, mas aqui sinto que a mim não me podes magoar.
Perseguiste alguém e esse alguém fartou-te, a arrogância ultrapassou-te, a falta de confiança moveu-te para longe daquilo por que passaram. Estudaste meios para sobreviveres, mas não ligas àquilo que é importante para os outros. Para ti é importante o que queres, o que gostas, o que queres gostar, o que procuras e queres encontrar. Só é de facto teu amigo aquele que se preocupa com as tuas preocupações.
Tens uma fé enorme, um coração do tamanho do mundo, mas parece que de vez em quando ele te cai aos pés e navegas num mar de arrogância, de coisas supérfolas e fúteis e esqueces a fé, preocupando-te com o que os outros pensam ou tu pensas que pensam. Provavelmente pensam mesmo, mas és maior que isso, sei que és. Não passamos muito tempo juntos. Não somos muito amigos. À muita coisa no meio de nós, prioridades para ti e para mim. Mas o meu respeito não finda, o gostar imenso de ti não muda e adorar falar contigo mais para lá do que para cá ser gratificante, aí não há prioridades. Sei que no fundo te preocupas comigo, e adorei ouvir-te, ler-te, sentir o teu coração naquela conversa. Gostei mesmo.
És humano Miguel, um humano espectacular.

Espanco a dor e obrigo-a a recuar. Estou em paz com os meus sentimentos, finalmente. Mas alguma coisa anseia sair como água que se infiltra num buraco na parede, podendo a qualquer altura rachar a pedra e partir tudo em estilhaços sem fim. Ou então é outra coisa.
Um ardor, só sei isso. Vomito dor, vomito saudade, e tudo tem um sabor amargo. Tinha de sair algum dia. Da boca saem suspiros e o coração aperta. A dor não rasga mais, a saudade não humedece mais os olhos. Exclamo em mim felicidade. Daquelas exclamações cavernosas, geladas mas que confortam por me fazerem sentir. Como o único toque que sou capaz de sentir, e que me angústia. Grito, sinto ainda aquilo que me rasga a pele, me suga o sangue. A luz, o escuro. O frio, o quente. Sinto areia quente nos pés. Para dizer a verdade está a escaldar. Onde estou? O relógio parou, isso já não tem importância. É meia noite mas o sol continua a brilhar. O amanhã chegou hoje, finalmente.

Não digo coisa com coisa.

Não me culpem a mim. Culpem a minha falta de inspiração. Está limitada. O meu sistema nervoso está-se a debater com o respiratório. Luta incessante, por isso é que estou tão tonta. Falta de oxigénio e falta de imaginação, assunto para falar. Vou partir um copo.
Há alguma probabilidade de desaparecer? Acho que é maior a possibilidade de desaparecer nos confins dos meus sentimentos, esse universo estranhamente expansionista, que uma catástrofe natural abalar meia dúzia de países matando 130 mil pessoas. São coisas que não me cabem na cabeça... nem quero falar disso. 3 minutos de silêncio.

Thursday, January 06, 2005

Abre a pestana

"O João Pestana vem aí.". Lembro-me do Filipe da Nô nos dizer isto, lá naquela casa deles que parecia uma selva. A casa na árvore. Ou seria a árvore dentro da casa? Nunca me preocupei, e a Nô também não. Nessa altura andavamos todos os dias de bicicleta, ali para os lados do senhor Henrique. Eram os nossos amigos, eu era pequenina. Aquela casa assustava-me. Ca em baixo era escura e cheirava a pó. Normalmente o pó não tem cheiro, faz-nos deixar de cheirar que é diferente. Mas ali o pó tinha cheiro, tinha sim eu lembro-me. Era tão abafado. Fazia-me lembrar um ambiente de selva mas ao mesmo tempo os X-Files, que eu adorava ver com o meu pai. Lá em cima era um reino dos brinquedos. E que reino. Acho que foi ali que apanhei asma. Só me lembro também da felizmina (ou essa era das vacinas?). Não sei. Só sei que não se conseguia sentar, e eu quando chegava a casa perguntava à mãe como é que ela podia jantar. Em pé? Hoje percebo que a obesidade é um problema sério. Mas eu adorava-a. Era preta, e guardava para mim as melhores batatas fritas e os melhores brinquedos. Era "a pequenina". Para ser sincera a única coisa que me chamava a atenção naquele pedaco de selva (nem eu aguentava viver ali mesmo com o meu espirito de aventura animal) eram as montanhas de livrinhos da monica. Esses é que eram mesmo poeirentos. Detestava banda desenhada, nessa altura estava a ler os maias provavelmente, mas acho que tinha uma queda para o pó, e agora sou alérgica. O que mais me afastava dali era o pastor alemão que eu achava que era um monstro, pura e simplesmente de tao sujo que estava já não se ver os olhinhos assassinos. E não tem piada nenhuma porque parecia o monstro das bolachas, mas como nao havia bolachas ali não percebi lá muito bem o que era aquele ser. So sei que tinha medo dele, isso tinha. "Vem aí o João Pestana" Foi ali que eu criei o medo pelo João Pestana. Imaginava-o com umas pestanas até ao chão para o impedir de fechar os olhos e perder uma criança que não conseguia dormir. Mas afinal o que e que fazia o João Pestana? Contava-nos historias? Nunca percebi. Mas ali naquela casa João Pestana assustava-me. Era uma casa que na altura era isoladissima e que por ser uma miniselva tinha os habitantes normais de uma selva em amostras. Ou seja era quase uma selva portatil que a Nô levava para todo o lado. So faltava ser insuflavel. Não nao tem piada. Porque ela chegava la supostamente para nos aconchegar e metia-me imenso medo com essa historia de Joao Pestana. E ficava acordada a noite toda com a lua projectada na janela nos livrinhos da monica, no cubiculo que era aquele quarto, mas onde cabiamos todos: 4 raparigas e 1 rapaz, não sei como. Aposto que agora nem lá cabia. Imagino a pretinha das batatas-fritas. A ouvir grilos e mochos durante a noite, e a baba do "mostro" a cair nas folhas caidas. E o portao ferrugento a cair constantemente. Passaram os anos, eles mudaram-se para o brasil. Vinham de vez em quando, contar as suas aventuras no parque da monica na brasilia. Inveja aos magotes vos digo! Mas crescemos e nunca mais me aproximei da arvore na casa. Tenho de la ir um dia destes, e tudo porque durante anos o mito do Joao Pestana me perseguiu. Ai ai Joao Pestana..

Arrepio

E demorou só um segundo. Aquele segundo que eu esperava há meses. Aquela contagem. Foi num milésimo de segundo que o chitamento percorreu o meu corpo, a minha barriga, as minhas entranhas. E foi suficiente para espalhar em mim uma alegria juvenil. Primeiramente distribui beijinhos. Abracei a familia, a Carlota e a Mary. Os meus pais durante muito tempo também. Tive uma eternidade a comer as 12 passas. Minutos em silêncio. Não foi em vão de certeza. E este ano nem ouvi a rolha saltar. Quando voltei para dentro já todos tinham brindado. Não faz mal, fiz um brinde a todos com o coração naquele arrepio. Naquele segundo. Promessas que sei que vão ser cumpridas. Vou fazer por isso. Batemos os tachos, lembro-me quando em pequenina cheia de caracois perfeitinhos, loirinhos eu subia para o frio banco de pedra e batia como aqueles macacos americanos da orquestra. Há sempre recordações no meu lugar. E a seguir abalou em mim, pela primeira vez, um sentimento que tinha todo o tempo do mundo. Alguma coisa neste novo momento renovou a minha esperança. A seguir a noite era uma criança. E lá em baixo, em torno da festarola dei os primeiros sinais de felicidade. 12 passas.


Bom ano.

Wednesday, January 05, 2005

Não nego. Eu realmente, para além de escrever o que sinto de onde vêm aquelas palavras? Aquela inspiração? Dos sentimentos de outras pessoas claro. Ah! E da sua capacidade, que todos temos, de mostrá-los pela módica quantia de 15,50 euros. Mas pormenores à parte. Li num livro de Paulo Coelho sobre a capacidade de encontrarmos dentro de nós o eu triste, procurando a partir daí encontrarmo-nos com toda a nossa força e acharmos o Outro. Expulsar a pessoa triste, aquele meu eu, para um canto agreste e escuro. Encontrar o Outro dentro de nós é a maior descoberta que existe.
"Um sujeito encontra um velho amigo seu, o qual vive constantemente a tentar acertar a vida - sem resultado. "Vou ter que lhe dar algum dinheiro.", pensa. Acontece que, naquela noite, descobre que o seu amigo está rico e veio para pagar todas as dívidas que tinha contraído no decorrer dos anos.
Vão até um bar que custumavam frequentar juntos, e ele paga a bebida a todos. Quando lhe indagam a razão de tanto êxito, responde que até há dias atrás, estava a viver o Outro.
- O que é o Outro? - perguntaram todos.
- O Outro é aquele que me ensinaram a ser, mas que não sou eu. O Outro acredita que a obrigação do homem é passar a vida inteira a pensar como juntar dinheiro para não morrer de fome quando ficar velho. Tanto pensa, e tanto faz planos que só descobre que está vivo quando os seus dias na terra estão quase a acabar. Mas já é tarde de mais.
- E você quem é?
- Eu sou aquele que qualquer um de nós é, se ouvir o seu coração. Uma pessoa que se deslumbra diante do mistério da vida, que está aberta para os milagres, que sente com alegria e entusiasmo aquilo que faz. Só que o Outro, com medo de se decepcionar não me deixava agir.
- Mas existe sofrimento. - dizem as pessoas no bar.
- Existem derrotas. Mas ninguém escapa delas. Por isso é melhor perder alguns combates na luta pelos seus sonhos, que ser derrotado sem sequer saber porque está lutando.
- Só isso? - perguntam as pessoas no bar.
- Sim. Quando descobri isto, acordei decidido a ser o que realmente sempre desejei. O Outro ficou ali, no meu quarto, a olhar para mim, mas não o deixei mais entrar. Embora tenha procurado assustar-me algumas vezes, alertando-me para os riscos de não pensar no futuro.
A partir do momento em que expulsei o Outro da minha vida, a energia Divina operou os milagres."
Trata-se de segundas opurtunidades? Depende do ponto de vista. Isto porque se sempre, desde o início, tivemos presente o Outro então desde sempre conhecemos a vida assim, havendo assim mudança e não revolta por isso nos ser tirado - trata-se de uma decisão.
Por outro lado Deus dá-nos a oportunidade de vivermos a vida com mais beleza aos nossos olhos, de uma maneira que valha a pena - uma segunda vez na mesma vida.
Sim, de facto identifico-me enormemente com esta obra. Retiro o que tinha dito da mesma, desta vez li-o com sentimento autónomo, com o amor a leitura e os meus sentimentos à flor da pele. Aprendi que talvez tenha de te perder, para sentir que te tenho parte de mim, da minha vida. E aí chorarei lamentos por te querer de volta, mas o sentimento será outro, e não este que tanto detesto: a ingratidão da dúvida, a dor de não saber ao que pertenco, e aí talvez me encha de revolta pelo que sentirei, mas isso é só amanhã, não quero a Outra dentro de mim outra vez, nunca, nem mesmo nessa altura. Traz-me de volta o amor pela vida e juro que jamais te pedirei perdão outra vez.
Daqui parte a imaginação, e parte também o sentimento frio de como gostaria de me sentir agora, à semelhança de Pilar. Alegre, curiosa, feliz. Capaz de lutar pelo que queria. Amar um homem que me amava, sim amar da mesma forma que me amaria a mim. Era esta a mulher que eu gostaria de ser.
Senti uma dor forte e uma luz que me cegava e senti que, naquele momento a Outra deixava o meu corpo e o meu sangue e se refugiava num canto agreste e escuro. Imundo. E eu observo a mulher que até então fui. Desnorteada e perdida, fraca e de rosto absorvente de uma força que nunca possuí. Com medo de tudo, mas dizendo a si própria que não era medo - era sabedoria de quem conhece a realidade. Construindo muros nas janelas, para que a alegria da luz do sol não desbotasse os móveis.
Vi a Outra no canto. Desiludida, cansada e demasiado exposta ao perigo - vulnerável e frágil. Desafiando a rotina, escravizando um merecedor de liberdade: os sentimentos. Tentando julgar o amor futuro pelo sofrimento do passado, penosa por pecar e errar o mesmo amor incerto.
O amor pode tanto levar-no ao Inferno como ao Paraíso, mas leva-nos sempre a algum lugar. E aí é preciso aceitá-lo quando for, como for pois ele é o fruto da nossa existência, um rumo tomado sem amor não tem decerto um destino saudável e cheio de surpresas incalculáveis, não. Se nos recusamos morreremos de fome, enquanto vemos os ramos carregados de vida, sem coragem para estender a mão e colher os frutos sumarentos, amados por quem é guloso.
Ei de experimentar o que Pilar lhe disse para fazer, um milagre à sua maneira. Pediu-lhe que partisse um copo. Entendo porque não o fez logo. É o proibido, copos não se partem de propósito. Já lá vai muito tempo em que em pequenina, por querer mostrar que já sabia jantar sozinha, punha o copo na borda da mesa para ele me ser acessível, mas os nossos pais ensinaram-nos a ter cuidado com os copos. Mas também eles nos ensinam que paixões de infância são impossíveis, que as pessoas não fazem milagres e que ninguém parte em viagem sem saber para onde vai. Mas quando os partimos sem querer, vemos que não foi tão grave assim, num restaurante o empregado diz que "não tem importância", e tal como Pilar nunca na minha vida vi os copos partidos serem incluidos na conta. Se eu te pedisse para partires um copo não quereria que hesitasses. Para mim seria também um gesto simbólico. Parti coisas no meu coração mais importantes que um copo e estou feliz por isso. Parte um copo, e liberta-te desses complexos e conceitos, a mania que se tem de explicar tudo e só fazer aquilo que os outros acham correcto, apesar de saber que isso nem é importante para ti.
E tudo o que sobra no fim é o sofrimento por ti. Não digo que seja por tua culpa, mas ele chegou até mim. E como explicar um sofrimento por um homem? Acho que é impossível, Pilar também e Paulo Coelho também. Sentimo-nos no Inferno porque tudo é abolido, a nobreza e a grandeza não existem, apenas sobrevive a miséria. E então no cais da memória, no caos das saudades nasce um ditado que já há muito é conhecido por ser verdade - não existe amor sem dor - será mesmo verdade? Mesmo?
Tenho de me perder, pois quem ama tem de saber perder-se, precisa de saber encontrar-se. Pode ser que tu me ames realmente, não duvido, nunca duvidei, mas conseguiremos transformar este amor em algo diferente, mais profundo. Que estupidez, não existe nada mais profundo que o amor.
Nos contos as princesas beijam os sapos e eles transformam-se em príncipes, na vida real as princesas beijam os princípes e eles transformam-se em sapos.
Sim os sonhos dão trabalho.

Ampliar sentimentos à lupa.
Senti-los à flor da pele como se fosse frio que arrepiasse. Ou suor de um calor intenso. Àgua que humedece, fogo que adormece. Chorar uma gargalhada e dormir acordada. Gritar sem nenhum fôlego, abandonar e permanecer. E como que acabados de chegar eles permanecem numa eternidade, como se a partir deste dia glorioso, a minha vida comecasse do zero e a partir daqui tivesse a opurtunidade de desgastá-lo a meu bel prazer. Como se o amor, um novo amor se abatesse sobre mim, apesar do outro nunca se desvanecer. E este amor, mais que amor à vida, amor à minha vida, àquilo que tenho, que cativei e que nunca perdi. Sinto uma nova vida, mas que a velha me persegue, e tudo porque tomei uma atitude que nem sei qual foi, quando tomei ou se foi a correcta.

E o balão vai acabar por rebentar e eu não posso fazer nada se não mantê-lo debaixo de olho e afastá-lo dos picos aguçados. E até lá aproveitar como uma criança, e quando rebentar foi porque tudo acabou, e eu tal como toda a gente cresci e morrerei um dia. E tudo porque o balão rebentou.