Thursday, December 29, 2005

Detesto que pintem por cima das minhas telas, que sujem os meus desenhos.
Detesto que risquem o que eu já pintei.
E também detesto acabar uma tela e não gostar do que pintei.
Detesto pensar que conheco o que pintei, e quando acabo perceber que é uma desilusão.
Lembro-me aquando as obras lá na ericeira termos de ir para uma casa pequenina. Eu por acaso gostava dela. Mas uma coisa intrigava-me imenso. Desde que tinhamos ido para lá, uns meros meses, que numa parede só existia um prego. Um prego onde tava pendurado um anel. E dei imensa importância a esse anel. Até que um dia sem ninguém ver eu tirei-o e pus. E começaram a acontecer coisas más. Apanhei bichos na cabeça e cortei-me com um chizato. Mas não o tirei, eu gostava dele. No dia em que fomos embora dali fiquei meia hora a olhar para a parede do prego, e quando era para fechar à chave a porta, arranquei o anel do dedo e voltei a pô-lo lá. E eu nem gostava de bijuteria. E só andava de saias porque a mãe queria.
Hoje passo pela casa e nem olho para ela. Mas consigo vê-la vazia e iluminada, com a cozinha branca resplandecente e a sala amarela dos candeeiros. E a parede do anel, mas já não a imagino com o anel. Só com o prego.
Detesto fazer um quadro e perder-me nele.
E hoje já nem sei quem vocês são, e eu nem sou pintora.

Wednesday, December 28, 2005

á mais ínfima relação com o conforto e com a protecção os meus olhos brilham.
hoje finalmente dormi bem, acordei várias vezes mas dormi pesadamente e quente(mente).
finalmente explodi também, e o meu trabalho com os dvds findou. é bom sentir-mos, no meio do sentimento de férias mal aproveitadas, que o nosso esforço obteve resultados.
Tudo porque tu não suportas que eu aprenda a viver sem te ter em mim, sem ti.
Não me pedes nada bem sei, mas não suportas que eu consiga não olhar para ti uma única vez. Mas depois também queres e exiges que eu adivinhe ou que nem sequer pergunte o que tens em ti desta vez. Depois quando passas por mim todos os dias olhas-me envergonhado, sem uma única palavra no bolso, nem o aperto engasgado da palavra. Já não há que se engasgar.
Mas é que guardo esperanças, e como não sei como não te encaixar nelas já nem acreditei mais.
Mas agora tenho mais força, e acredito melhor, mais também, e tu não suportas que eu consiga respirar sem ser pelos teus pulmões, pelo teu olhar.
Mas eu posso dizer que consigo sorrir sem te ver, sem pensar sequer em ti. Aliás é bem mais fácil assim.
E já não fazes parte das minhas esperanças, é estranho.

Tuesday, December 27, 2005

como é que se consegue respirar outra vez?

Monday, December 26, 2005

Continua a doer.
Continuo a escrever sem cessar em sitios pequenos como esta folha de papel coisas pequenas que doem tão grandemente em mim, assim. E sim, continuo a chorar em mim. Só que já não choro.
O Natal passou.
Também foi como tu.
Depressa, em silêncio.
Primeiramente, claro, grande barulho. Depois calou-se, como tu. Agora não passa de ser ontem. Mas com as suas gritarias, com suas marcas.
E continua a fazer-se em mim.
Secalhar sou eu que dou demasiado valor aos anos que passam.
Agora, ano novo vida nova.

Saturday, December 24, 2005

Passam dias e tantas horas perdidas em medos.
Medos de ir e ficar.
Medos de não poder sequer guardar em mim tudo aquilo que não te prometi que guardava.
Porque olhando bem as coisas, jamais te prometi alguma coisa. E secalhar sabes, relembras desgastantemente esse momento que nunca existiu, amargamente, e detestas-me não apenas por te ter dito não, depois de ter dito que sim, sem pudor sequer piedade, nem é o dizer não, é o ter magoado alguém que amo, porque tu sabes que te amo, e por nunca ter dito, prometido ficar contigo para sempre, o que quer que fosse. E é isso que te faz odiar-me assim, como me cospes todos os dias, quando me vez, agoaniaste e odeias-me.
E isso dói tanto, tanto.
Porque não te quis magoar. Mas isso não conta pa ninguém (em ti), porque tu tens muitos em ti, que falam e retrocessam. Que acenam e dizem adeus, e não sabem dar um sorriso por tanto orgulho concentrado.
Não, e fui tudo ao contrário do que era suposto. E mesmo doendo-te, eu ainda me imagino contigo, todos os dias da minha vida. E sei que continuo a guardar memórias do que não aconteceu nunca. Mas depois sei, sinto que me ias dar tudo e fazer-me sentir a pessoa mais feliz do universo.
E parece que não basta?
Não basta?
Claro que basta.
E por isso te deixo bateres-me todos os dias com esses olhares. E acertas sempre em cheio, e tu sabes onde. Exactamente onde.
E dói tanto, tanto.

Sunday, December 18, 2005

Estou agora a observar-vos no sofa a ver futebol. Pelo que sei adoram os dois. Gritam as mesmas coisas, concordam em quase tudo. Mas o que sentem mais é o silêncio com que se amam. O vosso amor não é barulhento. Não há bulhas, secalhar há, não há desassossego, mas principalmente há tudo.
Ela tem a cabeça em cima do peito dele, e fazem isso como se fosse a coisa banal mais bonita que podem fazer. Ele faz-lhe festinhas na cabeça, só de vez em quando. E tremem os dois com a perspectiva de um golo, só depois voltam a falar tão baixinho como esta voz dentro de mim. Acima de tudo estão à vontade com a minha presença, que me dói e me é a mim própria constrangedora. Mas sabem como me toca querer tudo assim para mim? Eu só queria um bocadinho disso, secalhar curava este sarcasmo que me é doloroso, esta agonia de solidão. Secalhar curava-me os males e os demónios. Queria ver um jogo com uma pessoa bonita, mas não é só isso. E tanto mais que me perco, é a falta de tacto.
"I watched you die
I heard you cry every night in your sleep
I was so young
You should have known better than to lean on me
You never thought of anyone else
You just saw your pain
And now I cry in the middle of the night
For the same damn thing
Because of you
I am afraid"

Wednesday, December 14, 2005

chega o fim das aulas, chega o pânico das notas e cresce o medo que tenho, e que desgastantemente sempre tive de perder tanto de vocês, como já perdi. Ainda falta um bocadinho assim. Mas tão pouco que já se sente. Vou-me daqui a 7 meses, 8 meses, e não há nada que me faça ficar. Já viram o horrível que é dizer isto, poder dizer? O mais horrivel é ser verdade e aí vocês não chegam, não percebem. Talvez percebem pequeninamente por vocês, mas eu sei que como fui eu que me emancipei sem vocês, sou eu que tenho mais medo do que está para vir. Bem sei que em cartas de desculpa, em bilhetes que guardei as coisas podes ser eternas. Mas então os risos dos serões, o perdão momentaneo, que no entanto é para sempre, havia sido? Neste serão o ar estava mais pesado, a vela ja tremia tanto como a minha perspectiva de conseguir ver onde iamos nós parar. Já não existe aquela vivacidade de contarmos umas com as outras como sempre o fizemos. E talvez é tão horrível para mim, que sou eu que me vou embora durante tanto tempo, que me vou sem vocês e que vou acabar por ir só por mim. O que me irrita é que vá numa fugida constante e que vocês digam que falta muito tempo, e que eu só vou porque quero. Enganam-se redondamente, para não variar no que me consideram, porque eu vou porque preciso desesperadamente de ir. Se não continuo a morrer como ando, continuo a tremer como tremo e a esperar mais de vocês do que vocês conseguem alguma vez dar. Porque acho que secalhar exijo de mais do que vocês têm, e que tanto têm perdido, e eu também que perdi tanto de mim. Nem é o esperar alguma coisa de vocês, é esperar estupidamente por vocês, quando vocês não fazem qualquer tentativa de dar as mãos umas às outras, nem a mim e nem à Marta. Porque eu sei que somos as mais pequeninas, as que precisamos assim de mãos quentes e que nos ajudem a passar a passadeira. E vocês nem esperam por nós tantas vezes. Eu sei que vocês ainda fazem tanto por nós todas, mas não fazem nada para cada uma. Não é uma crítica, é só uma maneira de mostrar como preciso de vocês, como vos amo e como vou morrer sem vocês.

[medo, desgraça e crescimento]

Sunday, December 11, 2005

somos todos profundos, e se fomos?
Talvez devesses denominar algo mais forte que o sem fim infinito que julgas haver em todos. Há pessoas que o fim está à vista, não fim de acabar, apenas fim do que tem por dentro. Não deixas de ser creativo por quereres não ser o único a ser assim, porém se és não tentes abalar-te. Não é tão difícil como apanhar Deus, ou uma molha daquelas chuvas à portuguesa. Não é também aquela necessidade atroz de apanhar chuvas de verão, eu essas amo.
Porque se fosses então ainda és, e foste e és. Não tentes amar-te menos assim, porque se tentares correr para trás o tempo volta só para frente. Volta e não regressa.
Porque escuridão não e o mesmo que profundidade. E porém és-o os dois. E não é na simplicidade que te recais, porém na tua armagura apenas deténs a paixão de um dia seres menos fraco assim, como os pintas a eles.
Se tremeres ai de ti, porque temo por ti. E no entanto continuo a olhar para o espelho de mim, para ti. Porra que existes, e porra que existo também. E se for crença de fugir, fugirei contigo, poderei?

Wednesday, December 07, 2005

stickwitu - pussycat dolls

colar. colar-me. ouvi em algum lado sabe Deus onde que tava tudo a acabar mal. Eu não acho, juro. estranho não é? estranho de mim. eu acho que assim é que as coisas tão bem. mais nervosa mas mais melhor. (boa expressão nao é?).

boa pascoa. e bem vindas chalaças.
quero apaixonar-me.