Monday, May 30, 2005

Its all about perfection.
Não quero que desistas por mim. Não quero que te faças sentir impotente quando não és, e nunca foste. Não quero simplesmente que penses que as coisas vão mudar, porque não vão. Vao decorrer como há um mês, talvez um pouco mais. Porque nada vai mudar. E o fim está próximo. Não vai haver mais voos rasantes, sentimentos eloquentes. Tão pouco aproximados de nós. E é disso que eu temo. Não o ver mais.
Sway - Bic Runga
Estúpidos anuncios, estúpida sou eu que continuo a arrastar-me na ânsia de te ter para mim, só para mim. A Mafalda disse que se via logo que eras tu, mas ela sabe que eu não me importo que se note. sinceramente ainda nao percebi se já percebeste. Nem eu ainda percebi se é verdade, mas houve qualquer coisa nesse olhar que mudou. Mas continuas a dar os teus beijinhos, aqueles que eu adoro. Continuam a passar anuncios de telemóveis na televisão. Estúpidos apenas porque mostram pessoas juntas. Até aquele da optimus de um gajo ocidental com uma miuda oriental. Até esse. Só eu não estou contigo. Continuo à tua espera, feita parva. Sem acreditar sinceramente que esta história toda tenha um fim como eu gostava de esperar. É que já nem espero, apesar de saber que mesmo que não espere e o diga, por ser tudo o que eu quero, não abalo a ilusão de maneira alguma. Por isso vai tudo dar ao mesmo. Imagino-te agora no teu quarto, sem sequer parares para pensar na tua vida. Eu paro constantemente para pensar na nossa vida, que nem existe. Nunca. E continuam a passar anúncios, muda de ice tea. Agora sou eu que devia mudar de caligrafia. Talvez os textos mudassem tambem. Talvez os meus amigos não tivessem de ler isto. Talvez a minha necessidade fosse outra. Nem que fosse uma necessidade de desistir. Mas não de ti, porque se não o mesmo assunto levava a esta mesma escrita. Porque me agarro a ti e tu nem sentes. Porque acabou de começar um filme de guerra, o qual sinceramente não quero tirar moral, por isso vou desligar a televisão. Vou dormir. E amanhã aulas..amanhã estarás.

Saturday, May 28, 2005

"A noite esvazio o meu coração, mas de manhã ele está cheio outra vez."
"O rei insistiu em que encontraria maneira de provar irrefutavelmente que a sua esposa era a mais linda de todas as mulheres.
- Escondo-te no quarto onde dormimos - disse Candaules.
Candaules diz a Gyges que a rainha faz o mesmo todas as noites. Tira a roupa e põe-na numa cadeira junto à porta do quarto. - E do sítio onde estás poderás olhar para ela à vontade.
E naquela noite foi exactamente como o rei lhe tinha dito. Ela vai até à cadeira e tira a roupa peça a peça, até ficar de pé, nua, Gyges vendo-a toda. E, na verdade, era mais bela do que pudera imaginar.
Nesse momento a rainha olhou e viu Gyges escondido na sombra. E , embora não tenha dito nada, estremeceu. No dia seguinte mandou chamar Gyges e interpelou-o. Ao ouvir a sua história disse isto: - ou te submetes à morte por teres olhado aquilo que não devias, ou matas o meu marido que me humilhou, e te tornas rei no seu lugar. Então Gyges mata o rei, casa com a Rainha e governa Lydia durante 28 anos."

"Na guerra, as traições sao infantis comparadas com as traições em tempo de paz. Os novos amantes sao nervosos e ternos. Mas estilhaçam tudo. Porque o coração é um orgão de fogo."

"Meu amor, estou à tua espera. Quanto dura um dia quando está escuro? E uma semana?
O fogo apagou-se, tenho muito frio. Devia arrastar-me até lá fora. Mas haveria o sol. Receio gastar a luz com as pinturas e para escrever estas palavras.
Morremos. Morremos ricos em amantes e tribos, gostos que experimentámos. Corpos que penetrámos e em que nadámos como rios. Medos em que nos escondemos. Como esta maldita gruta. Quero tudo isto marcado no meu corpo.
Nós somos os verdadeiros países. Não as fronteiras marcadas em mapas com os nomes de poderosos homens. Sei que virás e me levarás para o palácio dos ventos. É tudo o que sempre quis. Passear nesse lugar contigo...com amigos. Uma Terra sem mapas.
A lanterna apagou-se e estou a escrever às escuras."

Monday, May 23, 2005

Quão mais irónico pode ser?
Debaixo do toldo do Pó di Terra nós estávamos. A chuva limpava os vestígios de outono que ficaram para trás mesmo depois da fresca Primavera. Chuva de Verão. Eu, encharcada dos pés à cabeça tremia e pedia o teu abraço e tu sem precisares de ceder mantiveste-te altivo, sem pareceres precisar sequer do abraço da minha mão.
- O que é que ainda estás aqui a fazer?
- Encontramo-nos sempre a esta hora.
- Pois, pois é. Mas hoje tenho de estudar.
- Não inventes, nunca estudas. E porque não olhas para mim?
- Está a chover.
- E então? Eu estou a olhar para ti.
- Tenho medo que sintas o que eu sinto. Medo que percebas que preciso de ti. Das tuas mãos perfeitas e do teu sorriso todos os dias. Mas agora só nos vemos ao fim do dia, e já não me dás a mão nem sorris.
- Agora já sei. Podes olhar para mim.
- Não, tenho de ir estudar. Não posso ter vertigens de um abismo que pré-visualizei, fui estúpida ao ponto de acreditar que havia uma ponte.
- O que queres dizer com isso?
- Que está a chover no Verão.

Olho para o opel que o autocarro ultrapassou, e os raios do sol fazem-me ver a mim mesma reflectida no vidro "partir em caso de emergência". A ditar um pensamento dos milhares que tenho tido, pestanejo. Os meus olhos transpareciam humidade. Estavam líquidos mesmo que soubesse que ia sair 4 paragens a seguir. Fixava a minha mente nos dvds, de que vale pensar em ti? Incapaz de perceber que não me vais responder, vou parar de escrever.

Thursday, May 19, 2005

Será que posso pegar no telefone e dizer qualquer coisa? Será que posso entrar por aí, por esse mundo de sorrisos, será? Sorris para mim e não sei bem o que sinto. Só sei que olho para baixo e imagino tanto mas tanto, que temo, quando neste mundo sólido em que caio quando te vejo partir todos os dias e dobrar a esquina, finalmente perceber que tu não me pertences. É como cair na realidade, mas não tanto porque mesmo quando imagino sei que não passa disso mesmo. Fico pregada ao computador à espera de te ver chegar. De ver que finalmente entraste. E mesmo assim esperar que vás falar comigo. Muitas vezes não vais, e eu espero eternamente. Mas a maioria das vezes não sais sem deixar um beijinho. Na verdade farto-me de perguntar se alguma coisa significa algo mais. Mas depois vejo-te com as pessoas e sinto que não passa disso mesmo, duas pessoas que nao saiem sem dizer um adeus que seja, nada mais. Não passa disso. Já te disse que gostava de me sentar num sítio qualquer escuro e frio contigo durante uma noite inteira para ter a felicidade de me sentir quente mesmo não fisicamente, porque tu mantens-me quente. Mais não seja de te tocar nas mãos. Não digo que não sonhe, mas finalmente sei que algo de anormal se está a passar.

Num filme qualquer ouvi dizer que era inteligente ter-se medo do próprio medo. Eu cá não sei. Mas tenho medo de ti.

Saturday, May 14, 2005

Bem, secalhar tou mais obcecada do que pensava.



Obrigada Francisco.

Thursday, May 12, 2005

Quem foi que pintou o céu? Nunca me interessou muito o facto da observação. Pouco me importa agora. Mas às vezes dou por mim á procura, incessante. Por tão pouco que temos em comum, por tão pouco que falamos, mexes comigo. Nas horas vagas não procuro por ti. Não quero saber sempre onde estás, com quem estás. Devia ser importante. Não te procuro com o olhar. Mas quando subitamente apareces perto de mim, ou relativamente perto perco-me em ti. Não em ti, não na tua presença física. Em ti, no teu estar, no teu agir, na tua beleza informal de ouvir, esperar a vida. Pouco falamos, ou nada. Estás farto de me dizer que nem sempre é preciso falar. Mas estou-me a fartar dos silencios. Eu não queria estar calada. Gostava de te contar que amo a vida, aquilo que amo ou que já não amo. Aquilo que faz parte de mim, dos meus dias. Pode haver tanto para falar, mas as coisas simplesmente não saem. Ficam entaladas, engasgadas na garganta. E ardem, fazem-me ficar agoniada, e desesperada. Fazem com que a minha cara fique roxa.
Antes sentavas-te a minha frente e davas-me a mão. Ficavas ali a observar-me e eu simplesmente não aguentava o teu súbtil olhar, mas irreverentemente carregado, e descia o olhar para as nossas mão entrelacadas. As tuas mão queimadas pelo sol abraçavam as minhas brancas de madalena. A perfeição das tuas seguravam a timidez das minhas. Tal como o teu olhar segura o que me vai na alma muitas vezes. Sei também que os sentimentos vêm e vão, e sei que através da nossa amizade só existe um silêncio superficial, talvez carinhoso mas altamente permanente. Nada mais.

Só isso.

Wednesday, May 11, 2005

Acordo cansada, e estremulhada. Oiço voos sistemáticos de mosquitos a sobrevoar a minha cabeça como quem sobrevoa a última refeição. Pelo menos de um já foi, que marca agora, 1 centimetro acima da minha almofada, o lugar da sua morte. A delfina já vai ter de limpar. Agarro a almofada preta que atirei ontem para o chão e sento-me alerta. Já vi pelo menos mais dois que me tentam comer à grande. Que inútil. Está um filho da mão no tecto, à espera que eu relaxe outra vez, de luzes apagadas , para tirar tudo aquilo que quiser de mim. São 6 da manha, não sei se ridiculo se não, mas vou manter-me acordada até ir para as aulas. Não posso deixar que eles se aproveitem. Acabei de olhar para o tecto e o mosquito desapareceu. Passei-me e atirei com a almofada ao calhas, gritando, esquecendo que é uma casa adormecida. Ela parece murmurar. Sabem quando acham que é proibido ligar-se o computador, por estar tudo a dormir? Só quero relatar que hoje tinha de dormir. Acho que há alguma coisa que não bate bem, porque ou acordo milhentas vezes durante a noite para não conseguir mais adormecer, ou adormeco na vida e acordo em cima da aula de inglês. Ando cansada de mais. Um mosquito acabou de fazer um voo rasado sobre as minhas pernas vestidas com calções. Aposto que o meu quarto, só pode, é o único quarto que tem tufos de mosquitos à espera para comer, tirar sentimentos e sangue. Sentimentos? Desculpem, enganei-me. Estou cheia de morticidade, elasticidade, mas estou morta de sono. Verdadeiramente cansada. Acho que vou para sala, ver lizzie mcguire, pode ser que me faça esquecer como é possivel numa casa tão grande só existir mosquitos no sítio mais pequeno. O meu quarto.

Verdadeiramente chocada por acordar com o barulho dos mosquitos tipo moscas do fundão. Moscardos. Não fazia a mínima que eles faziam barulho, pensava que eram mais do tipo, crimonosos tipo psico, lâmina na mão atacando apenas num estado totalmente relaxado. Amanha vou passar por uma miuda drogada a arroxar no colo da Lina da Paz. Tratem do meu coração, por favor.

Tuesday, May 10, 2005

Disseste-me que estava obcecada por deixar de estar sozinha, por arranjar namorado. Para não me atirar de cabeça, para fazer as coisas calma e bem feitas. Para não me precipitar. Não sei se estás certo, se não estás. Provavelmente estás, conheces-me bem demais. Sou óptima nos mergulhos de cabeça, nas ilusões cruas de queimar a rotina. De me sentir abraçada. De me sentir Agua sobre Fogo. Mas não digo que não gostava de ter alguém a meu lado, para me levar à praia, para me dar a mão. Para me agarrar e dizer que sou bonita, mesmo que ninguém ache. Para me proteger por ser só sua. Por amar a minha vida. Mas não digo que estou obcecada por arranjar namorado. Estou obcecada por ser feliz, te garanto. Mas sei que muitas vezes por ter namorado não significa felicidade, extrema pelo menos. Mas tem de se amar. Não sei onde te fundamentas nessas saídas, ásperas e duras depois da nossa história. Quando me disseste isso senti-me uma tartaruga exposta às aves marinhas, quando queria apenas alcançar a espuma das ondas para me camuflar. Porra, não digo que esteja bem sozinha. Mas não estou obcecada. Foda-se, não estou não.

Sunday, May 08, 2005

Sobre um pano azul.
- Pai, conte-me a história das baleias.
- Era tudo inventado.
- Era?

Friday, May 06, 2005

percebi que posso parar o tempo com um olhar. Com uma observação. Observava pela janela do meu quarto e nada se mexia. As luzes do fim do dia nas varandas mantiveram-se ligadas, as chaminés nem vacilaram. So via a parede de estrelas a ruir sobre o azul degradé cada vez mais baço. Posso não ter evitado a vinda da noite, mas o relógio, estidalhaçado lá em baixo parou.

Enquanto não chegares, sei que não o vou buscar. Sei que a marca dele no meu pulso evitado de ser queimado pelo sol vai comecar a escurecer. Só quando olhares para mim e disseres que amas a minha vida, aí ficarei com a marca brancq no pulso esquerdo para sempre, se quiseres.
Para alguém que não sei quem é.
Penso, ainda a tremer, de como as paredes outrora nuas do meu quarto hoje vao-se vestindo aos poucos de quadros, e cartolinas que só a Carlota tem em poder de fazer. As coisas não são acasos, não acontecem do nada. Também, se eu não tivesse saído da Ericeira, ainda lá estivesse a apodrecer, a troçer em mim um pouco da perspectiva filosofica de ser diferente. Porque é disto mesmo que se trata, o meu ser após a saida daquela casa fria, mas tão quente de memórias. Tornei-me numa pessoa má. Não má, no sentido de pecadora, não má no sentido egocentrico-egoista. Má no sentido que fui esquecendo tudo aquilo que fazia parte de mim, ali. É verdade, pronto, mudam-se os tempos mudam-se as vontades. Mudam-se as esperanças mudam-se as crenças. Talvez por isso, e não consigo explicar se se deu devido à minha mudança de vila-cidade, se se deu devido a factores históricos que não quero referir, cada dia que passa a definição de amor tem cada vez menos nexo para mim com o facto de me ter perdido em vissitudes da vida. Na sua cova. Imaginem assim de repente um peixe de agua doce a emergir de um rio de água salgada. Como era o seu estado? A abertura das suas guerlas?
Bem eu não me estou a comparar a um peixe de água doce, apenas comparo o meu coração. Não diga que tenha morrido, porque eu não penso com a mente, com o sentido das coisas, e se aqui escrevo palavras planas ou rectas tenho de ser, estar. Eu penso com o coração. Ora aí está um problema de compreensão. Não sei que pessoa seria se tivesse crescido aqui, nesta casa ou noutra. Como seria a planta dos meus pés, sem terem andados descalços pela pedra fria ou gasta pela areia. Como seria a planta da minha mão, sem ter tocado na cara do meu pai, sem ter tocado no mar por tantos anos. Como seria a planta do meu coração por não ter amado como amei, me dado como dei. Como seria o meu ser. Como seria a minha presença, aparição. Como me conhecia. Melhor, pior? Como era capaz de amar.

Marta, quando me lembro de Verão lembro-me instantaneamente das cerejas com gotas de água numa taça no banco da minha varanda, na Ericeira. Quando penso em Inverno, penso no aquecedor ainda antes de termos a lareira com a sua chama azul a ser projectada no nosso olhar, na Ericeira. Quando me lembro de Outono, lembro-me do perigoso inicio de aulas, da minha luta contra o assédio aos novos alunos da escola e das idas vertiginosas e sempre compassadas à loja do Senhor João, na Ericeira. Quando me lembro de Primavera lembro-me da plenitude da consciencia, dos olhares silenciados, das falas irónicas; das idas mais frequentes a Lisboa e dos passeios à beira mar, na Ericeira.

Ericeira a mais, mas nunca o suficiente, como sempre fora.

Tuesday, May 03, 2005

Já sei. Já sei quando escrevo. Já sei tudo.

Acontece quando sinto coisas diferentes, quando sinto alguma coisa a disparar para o coração. Mas penso que é só sair do quarto, levantar-me e ir para a sala ou assim. Eu sei. Mas não consigo não saber. Tou-me a cagar se volta. Tenho de viver mais um dia. Tenho de aguentar. Isso é que são certezas, querer viver.

Monday, May 02, 2005

Farta de utopias. Farta de memórias e de sonhos. Farta de percorrer o mundo ao respirar, e ficar sempre aqui. Palavras para quê? Só vivendo me posso sentir viva. Só assim.