Monday, October 24, 2005
Saturday, October 22, 2005
finalmente vejo o céu, o fundo pintado, em cima chove, e eu que não consigo gritar.
this years love - david grey
as nuvens lá fora desenham-se enquanto falo contigo, nessa nossa alma gémea, neste súbtil toque de dor e ambiguidade. é tão mais simples que isso, és meu amigo é isso, mas também não é tão simples assim. Não é o "ir ali ao café", expressão que detesto, até porque nem estás cá para o podermos fazer. É o toque supremo a maneira como entras em mim com toda essa facilidade, até dá comichão no dedo mindinho do pé esquerdo, obrigada pela expressão de borla mafalda. é irritantemente doloroso, daquelas dor que chegam à entranhas, tens tudo o que eu não tenho, mas é tanto do que eu sou. Tens tudo o que eu queria, e demais de mim não te posso dar, por te confrontares com tantos fantasmas. Fantasmas de necessidades, do crescimento e dos medos absurdos e grandes demais para escuridões e nuvens que se deformam e formam memórias. De tanto que temos aqui e aí, e que nunca tivemos cá, irrita-me tudo o que eu escreva ser o que me vai na alma e eu não ter qualquer problema na tentativa de o descrever. provavelmente se às vezes tivesse travões, nao me magoaria tanto, mas ter a permissão equivale a tentativas e inevitavelmente, bem como infelizmente fui eu que as fiz. muralhas erguidas.
bem sei que tá confuso, mas eu sou assim não é verdade?
Friday, October 21, 2005
mansuetude

my chemical romance - helena
Ainda não parou de chover. 'Tá um dia daqueles feios. que só nos apetece vestir o pijama e levar uma manta para a sala, e ver os filmes todos da lusomundo (ou como queiras marta). Está um dia feio, não um dia cheio de letras e cheio de estudo. Mas o tempo da história está a escassear, o tempo de memorizar datas para os testes, o tempo de saber fugir à chuva. E depois lá vou eu, simplesmente a andar. Passadas horas sem reaçao continua a chover, continua aquela irritação de uma secretária atulhada, aquela irritação de desarrumação, e eu sem apostar. e este meu tão melodramático blog fez anos antes de ontem, um ano completo de desgraça, salvem. dias de chuva, afinal.
é escusado dizer que no único dia ao fim de uns quantos pares de outros dias que venho à net, sou confrontada com problemas de títulos pequenos demais
detesto letras atiradas ao calhas e desarrumação informática, até podia dizer mais mas não me apetece. como um áparte, também detesto blogs com letras pequenas demais.
Thursday, October 20, 2005
Sunday, October 16, 2005
meia noite, 2 dias
Quero lá saber a quantidade de pessoas que detestam o que eu escrevo ou até mesmo aquelas que esperam por mais uma palavra (maldita) que se imponha neste meu blog. Afinal se as coisas acabam o sonho recomecará na mesma? Foda-se, só queria sair daqui.
Friday, October 14, 2005
Ventoinha
Não quero que todos os que caminhos vão dar a Roma, não quero que todos os caminhos vão dar a ti. Estava frio hoje e pensava que nem estavas lá, e tive medo por ti. Estou cheia de medo por ti. Tal como tenho muitos medos, o teu é muito grande. Grande demais para manhãs frios e frias como as de hoje, cheia de horas vagas e horror por ti. Não é de ti é por ti. Será preciso dizer que me magoas com a tua estúpida razão? Tu tens todos os motivos e a razão pertence-te a ti. Será que posso dizer que estou farta de me ajoelhar e me conformar, será? Não será.
Eu não queria olhar para trás. Não preciso, tu sabes o quanto para dentro de mim olho.
Eu não queria olhar para trás. Não preciso, tu sabes o quanto para dentro de mim olho.
Sunday, October 09, 2005
chuva
as cores dos corpos vão caindo, as nuvens vao tapando a esperança de tanta gente. daquelas pessoas que só vivemos em mares e calor, essas calam-se, ouvimos silêncio ou não ouvimos palavras, como quiserem entender. porque elas nao gostam de frio, nem de chuva, nem de bafos em nuvens de reacção. eu não sei, eu gosto de usar luvas e de ter o nariz vermelho. mas vermelho mesmo. porque não me faz confusão usar camisolas de gola alta, nem mesmo aquelas que picam. do verao eu só não me queria despedir daqueles entardeceres cheios de tons mortos, mas vivos depois do Tejo. mas gosto de lareira, e gosto do primeiro som dos narizes tapados. também gosto do chá, amo chá. ouve quem já soubesse isso em tempos. é altura de tremores e temores também. mas é altura de ser quente, altura de refúgios, altura de me sentir protegida por um tecto, altura de gaivotas em terra tempestade no mar, passo a citar.
Friday, October 07, 2005
free pass
crescer vai dar tempo pra aprender.
Era bom que fosse inesgotável, como o era antes. Depois de ti, não me consegui guardar em memórias. Quero ter as minhas memórias quando for grande demais para um só sítio. Quando tiver pena por ter respirado fracamente durante quinhentos e quarente e sete dias e ainda hoje não ter conseguido recuperar(-me).
Ouve, não te culpo, agradeço-te. Porque me ensinaste que na vida as coisas podem doer, mas que mesmo assim ainda há sorrisos que nos podem arrepiar.
A água ainda não acabou na garrafa, mas de qualquer maneira não a posso beber. No fundo substituí a bomba de confiança e de à-vontade que estava e havia em mim, como os 50% de água que é desperdicada no nosso país, há diferença que em mim o desperdício é total, 100%. E esse nem é o fundamental da questão. Afinal Portugal é um país cada vez mais combustível, e eu encontro em mim cada vez mais escuridão, e uma porta ao fundo esconde o desejo de ser feliz. Essa mesmo fechada é visível aos olhos que maldade contêm, que a tentam abrir e arrombar e queimar tudo o que nela existe. Porque o horror vos diverte e de tantas portas fechadas não tive de abrir nenhuma para perceber que vão morrer sozinhos.
Porque esta vai ser mais uma daquelas coisas que vou ter de aguentar, peter.
Era bom que fosse inesgotável, como o era antes. Depois de ti, não me consegui guardar em memórias. Quero ter as minhas memórias quando for grande demais para um só sítio. Quando tiver pena por ter respirado fracamente durante quinhentos e quarente e sete dias e ainda hoje não ter conseguido recuperar(-me).
Ouve, não te culpo, agradeço-te. Porque me ensinaste que na vida as coisas podem doer, mas que mesmo assim ainda há sorrisos que nos podem arrepiar.
A água ainda não acabou na garrafa, mas de qualquer maneira não a posso beber. No fundo substituí a bomba de confiança e de à-vontade que estava e havia em mim, como os 50% de água que é desperdicada no nosso país, há diferença que em mim o desperdício é total, 100%. E esse nem é o fundamental da questão. Afinal Portugal é um país cada vez mais combustível, e eu encontro em mim cada vez mais escuridão, e uma porta ao fundo esconde o desejo de ser feliz. Essa mesmo fechada é visível aos olhos que maldade contêm, que a tentam abrir e arrombar e queimar tudo o que nela existe. Porque o horror vos diverte e de tantas portas fechadas não tive de abrir nenhuma para perceber que vão morrer sozinhos.
Porque esta vai ser mais uma daquelas coisas que vou ter de aguentar, peter.
Tuesday, October 04, 2005
caos
tenho medo que as coisas se deixem em pousio assim, que me perca entre mim e a vida que se já me perdeu. Porque entre livros abertos e cansaços que se notam com os suspiros e soluços, eu já não tou aqui, aliás não há em mim nada que me faça ficar. Sou escura, mas também o é o mar à noite, e também o é uma data de coisas, e delas não tenho medo. Não encontro ninguém pleno, ninguém sem maldade, não conheci ninguém assim. Ninguém, só talvez tu pipo, que és também assim escuro como eu- Assim descalço, assim quento e frio nas horas vagas.
Preciso de fugir, sair deste alto das coisas, deste choro entalado. Desta presença contínua de mortalidade, de copos partidos e barulhos da madeira às 4 da manhã. Quero só uma praia, e uma onda, um novo rosto, uma nova chávena de chá, desta vez sem arrefecimento, sem gritos, sem estilhaços.
Preciso de fugir, sair deste alto das coisas, deste choro entalado. Desta presença contínua de mortalidade, de copos partidos e barulhos da madeira às 4 da manhã. Quero só uma praia, e uma onda, um novo rosto, uma nova chávena de chá, desta vez sem arrefecimento, sem gritos, sem estilhaços.
Monday, October 03, 2005
porque tenho frio
Porque eu nao preciso de beijar na boca para me sentir completa. Só preciso de sentir, e por isso é que passo tanto tempo a dizer que tudo é uma questão de sentimento. Porque sinto o frio a entrar dentro do quarto que agora tem memórias e mais memórias tiradas das paredes e enfiadas em caixas, várias, e as forro com futuro. Tenho quase a certeza que vou passar uma vida neste processo, quase como premonição. Sinto o frio, mas no entanto não sinto necessidade de ir buscar uma camisola, prefiro fechá-la. Porque bebo água mesmo quando está este frio assim, porque me quero apaixonar, e quero que desta corra bem. Porque não daqui, mas da sala vejo um tejo as portas de uma basílica, e é comico como não te vejo a dobrar as esquina, até porque nem a vejo daqui, nem quero ver. Toco com a minha mão na janela fria, fecho os olhos e penso no quanto estou cansada, que estou e no contraste do meu reflexo com as janelas com luzes ligadas das 8 e meia da noite reviro os olhos nas palpebras fechadas e me mentalizo que em mim vou ser criança para sempre, com estes temores escuros, mas com a enorme presença duma imortalidade, da terra do nunca talvez.
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