Sunday, May 28, 2006

noiva de um espectro

Eu digo-vos o porquê das pessoas escreverem um blog. Não é por mais nada do que a organização que pode ser escolhida, pelo factor da espera de comentários ou de simples desprezos, porque é mais fácil bater nas teclas que arrendondar a caneta.
E depois vêm-me dizer que há simples coisas que eu não devo escrever, porque toda a gente lê, e não só os conhecidos, os desconhecidos, e que é só para as pessoas notarem os meus estados de espírito.
Deixe-me escrever o que quero e bem escolho, e não inventem acerca dos estados de espírito, porque esses já há muito que não se dissolvem nas palavras que dou - não se preocupem, ou finjam sequer.
Já transcreveu o meu amigo Pipo e eu repito - tenho cá um medo de envelhecer.
No entanto faço-o a todo o momento, como vocês, e nada a mim me vai por mais abaixo que eu queira, nada me vai tirar o sono, nada me vai meter medo - porque eu sou tão pequenina que a coragem exarcebada e incosciente emana de mim. E estas coisas são todas assim, mesmo assim - como nós queremos.
Enfim, é em parte a esta minha plenitude de dentro, este querer enorme de amar a vida, esta paixão tão grande, mas tão sufocante de enorme de me querer aqui, de amar esta existência, esta vida lusitana, este sol, esta basílica, esta família e a simplicidade das passagens deste sentimento de estar, de respirar que me faz partir, porque busco eternamente o calor de uns braços, de um ardor de conhecimento, de um fugaz sentido de descoberta.
Eu sou assim tão contraditória? Eu sou é tão irónica que as pessoas confudem a rapariga que mais ama a vida de todo o mundo por uma miúda triste e isolada que não quer mais que se apaixonar; apesar de estranho não é tão mentira assim, mas o que eu sou mesmo é uma apaixonada, e vou amando mais e mais uma existência pequenina de um calor, de uma basílica, de uma flor murcha ou um bouquet de noiva bonita, dores nos pés, e uma partida para longe.

Sunday, May 21, 2006

diz-me coisas bonitas, por favor diz-me coisas bonitas..

Saturday, May 20, 2006

sinto falta daquela boa-educação, das palavras complexas, da prisão do dicionário que só dá mais beleza aos sentimentos mais duradouros. Não é só uma questão de palavras, é uma questão de dialectos, de tentativas bem sucedidas de embelezar os diálogos, as frases que se oferecem.
Às vezes emersa no meu cinema encontro filmes que as trazem à baila, que nos mostram como a amizade ou o amor se enaltecem nestes tons ardentes, depois encontramos gírias que nos afundam em estilos que adoptamos a cada dia que passa, que é sempre diferente de nós.
Faltam também os mergulhos gelados da alma, o choro da pele que é nossa, coisas tradicionais que com o fumo nos esquecemos de estremecer. São assim as pequeninas fúrias que, mesmo não nos fazendo crescer, nos dão centímetros aos ossos, nos enrugam a pele perante gargalhadas e anos de sentimentos, nos enfraquecem o coração, que nos abominam a vontade de viver num desconforto exasperante da entrega à obrigação.
Sinceramente às vezes reduzo-me a isso mesmo, a um complexo mínusculo destas almas pequeninas de uma pátria à beira-mar, mas sempre que posso salto para a tentativa de ir contra tudo o que me obrigue a dobrar joelhos à proibição de vivência desta vida suprema de pores-do-sol, de cidades e carroças, de amigos e pessoas que nos fazem mal, porque lá está se vergam à velhice imunda e carrancuda do ódio a este sentimento de vida.
Mas eu sou como sou, quem me pode julgar num lastimoso estado de dormência também poderá viver na simplicidade que me toca o coração.

and so it is..

Thursday, May 18, 2006

eu quero ser pequenina para sempre..

Wednesday, May 17, 2006


Já são dezasseis anos de tempestades, uns quantos que eu não sentia a beleza de estar, outros em que explodia em mim a amizade completa e a cor crua da verdade, e os dias gelados que se afogaram em paixões supremas de fragilidade.
Não há ja mais nenhum sentimento que eu mais abomine que a injustiça, que gritem aos quatro ventos coisas que eu nunca disse, que me metam na boca atitudes horríveis que sabem perfeitamente ser impossivel de concretizar.
Se eu tenho evitado uma série de coisas, e me refugio mais é por não ser egoísta, eu não tenho de fazer o que todos fazem, eu não tenho de fazer coisas só porque é bonito percebes? Sabes que nunca te deixei que me pintasses dessa forma, apesar de tu tantas vezes o tentares fazer numa tentativa desmensurada de calar a minha verdadeira naturalidade.
Sabes o que eu mais acho ridiculo no meio disto tudo? E continuar a ter tanto cuidado com tudo aquilo que digo, quando vocês nunca desde que vos conheço têm esse cuidado. Em boa verdade, como te disse hoje, não há nada que me prenda à escola; e se tu sabes as razões do porquê ou se não sabes, tens mais é que ficar calada em ves de dizeres umas quantas palavras-e-porque-insistes-em-ter-razão-quando-sabes-que-ao-tentares-fundamentar-uma-mentira-so-magoas-os-outros? É tão triste foda-se.
Já começa a ser frequente a o sentimento de deslocamento..

Monday, May 15, 2006

rancor? c'est la vie.

Sunday, May 14, 2006

longas asas em mente assim-assim



Agora as pessoas deram para isto; olhar para mim como se me procurassem perpetuar no tempo, ou tornar-me imortal pelo menos para si, eterna. Batem no medo do esquecimento, não porque o temem mas porque são iguaizinhas a mim, temem a mudança mais que tudo, e não se submetem a ela como eu me submeto à sensação de descobrir algo, mesmo que isso provenha da mudança. Olham para mim, e eu tento descobrir porquê. “Porque olhas assim para mim?” passando por vezes pela criança que me faço pintar, as pessoas pensam que o eu ir é um martírio, que me estou a meter onde não devo porque me vai custar sobrevoar todas essas “tentativas de suicídio” - "Por nada", e sorriem como se eu não percebesse.
Não meus senhores, aquando me libertar, talvez se eu não partir agora, não saberei sair da minha gaiola; prefiro assim.
não há ninguém que salve a minha vida..

Thursday, May 11, 2006

legends do antigamente

realmente é verdade, estas minhas lendas que toda a gente adapta para hoje.
"Tu não falas com ninguém, só falas com o teu blogue, e ai que tormentas!"
não é mentira de facto, ainda hoje falo com o meu blog, falo-lhe ainda que muito mais subtilmente, fora de medos ou fulgores ardentes; foi por isso que não desmenti.
Não é fácil submeter-me assim as estas ironias, mas submeto-me porque, lá está vasco, derreto-me toda com o sarcasmo e com o ser irónico, e para mim assenta que nem uma luva nestas reviravoltas, onde me perco sem pudor.
A madalena bate na mesma tecla e de lá não sai sem respostas, e depois claro que se ouve uma melodia exagerada e nada harmoniosa, as palpitações do meu pensamento romântico - lá acabo por estas eu com a minha falta de método, eu não sou nada práctica.
Normalmente exageraria, hoje se me perco é derivado de minha preferência, prescindir do mapa de outros indíviduos, guio-me com a palma da mão e com o coração; não é só escrever por escrever, porque se assim fosse eu teria bastante mais que escrever que aquilo que o meu pensamento normalmente fornece, mas é porque simplesmente, e afirmo isto descontraidamente, há coisas que eu não consigo perceber, há tanta coisa que eu não atinjo.
Há outras também que eu prefiro não saber, e elas que perpectuem no esquecimento das coisas perdidas que para mim é igual ao afogar de mágoas; mas essas não me trascendem, essas ficam por aí em mão-morta-vai-bater-àquela-porta para quem as queira colher (ou semear) ou envocar como pleno sentido técnico da minha existência. Mas essas coisas que eu não consigo mesmo entender e que moem, como moia o moinho lá na ericeira em tempo do conde da ericeira, é que são as incógnitas que tanto procuro.
e busco qual carapuço, se não obtenho respostas não é por isso que o latejar se torna em água-de-rosas, como se de cura para o incêndio se tratasse.
(e não só do hoje)

Friday, May 05, 2006

George Michael - Star People

enfim, mais um dia que se afoga sobre um outro, que se apaga num céu aqui e ali salpicado de fumo-das-lágrimas. as luzes que começam a acender-se do longe para bem perto, as saudades que vão apertando mais e mais, cada vez mais numa promessa de futuro.

é mesmo tão incerta a forma como vivo, errante na corrente, porque não mudo cursos, não mudo rotinas. de vez em quando lá dou um salto ao invés dos passinhos de miúda; não faço caso no entanto das viagens que faço, do olhar reavivado ou do calor que cresce e diminui como Deus quer.

é tão bonito, mesmo; realmente esta explosão de vida enlouquece-me.

Tuesday, May 02, 2006

não sei mais sequer o que dizer depois de todos estes anos; eu não tenho amor para dar nas palavras como toda a gente.