Saturday, January 28, 2006

porque a memória nada tem a ver com o instinto, é com os dois que me sinto mais completa.

Tuesday, January 24, 2006

the village

Não olhes assim para mim.
Não olhes assim para mim que continuo com os olhos a arder e depois tudo o que tive a construir vai abaixo, qual castelo de areia numa tempestade de ondas.
Não olhes assim para mim, quando sei que também te doi tanto dares isso tudo, porque se é a minha vida a tua também é. Que é mesmo a minha, e eu sabia que tinha de ser. É uma necessidade atroz. Só que pensava que estava mais longe.
Por isso não olhes asim para mim como se lamentasses só por eu estar com os olhos encarnados. Porque eu sei que por dentro tu tens os olhos encarnados também. E se olhas assim para mim fazes-me sentir egoista, porque tu é que tomas a decisão de largares assim a tua vida toda. Só que pensas que tens de ser mais forte que eu pela posição que tens. E não tens, porque és meu pai.

E agora ela dá-me um beijinho, eu por pouco mas por tão pouco aguento-me outra vez.
E por tudo só vos amo.
home is where my heart is.

Monday, January 23, 2006

enorme..

façam as perguntas às respostas de mim, de vocês entaladas nas gargantas pequenas e curtas. Se nenhum de vós tem a garganta tão funda para argumentar a minha ida eu contra-argumento o facto de não querer mais estar aqui.

Que não quero.

Sunday, January 22, 2006

vinte e dois dias passados, já viram esta vida que não tarda em passar, em deixar perder assim confusões e lamechices de nós, que não vemos o tempo passar? porra, vinte e dois dias do ano dois mil e seis, ainda ontem foi ao ano mil novecentos e noventa e dois e fomos para a ericeira, hoje há já quatro anos que estamos em Lisboa, amanhã faltam só seis meses para me mudar mais uma vez. vinte e dois dias de novo ano, e parece que falta menos.

Madalena só sentada junto à banca, [...] um livro aberto no regaço, e as mãos cruzadas sobre ele, como quem descaiu da leitura na meditação.

(repetindo maquinalmente e de vagar o que acaba de ler).

Naquele ingano d'alma ledo e cego,
que a fortuna não deixa durar muito...

Com paz e alegria d'alma...um ingano, um ingano de poucos instantes que seja... deve de ser a felicidade suprema neste mundo. E que importa que o não deixe durar muito a fortuna? Viveu-se, pode-se morrer. Mas eu!... (Pausa) Oh! que o não saiba ele ao menos, que não suspeite o estado em que eu vivo... este medo, estes contínuos terrores, que ainda me não deixaram gozar um só momento de toda a imensa felicidade que me dava o seu amor. Oh! que amor, que felicidade... que desgraça a minha ! (torna a descair em profunda meditação ; silêncio breve).

Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett

Friday, January 20, 2006

hoje é tudo o que temos..

Thursday, January 19, 2006

eu estou a atravessar aquela ponte. entre...

Wednesday, January 18, 2006

Nitin Sawhney - Immigrant

"You burn my flame within your hands
You know when my destiny falls
This time has insecurity
I feel, makes me restless inside
Will you take me there
To a distant place I’ve never been before
I could leave this world
I could follow you like oceans to the shore
You could take me there
Make the rivers of my mind flow to my dreams


You hold your secrets from my eyes
You see where the furthest rain falls
The day breaks over in the streams
You know where my rivers will flow

[...]

And I dream of places far from here
And I call your name to the wind
And I wish the night would take me to another world
Where no one knows a face or has a name."

Tuesday, January 17, 2006

no verão que vem

Já é triste e mau saber que vou ter de aprender a saber viver sem vocês, quanto mais arrepiante é aprendê-lo de facto.
E tenho tentado, mas só consigo manter-me mais perto, mais debaixo de vocês.
Vai ser estranho no entanto aprender a viver sem esta rotina, tão cansativa e lenta. E aprender a só imaginar-me aqui com vocês, entre imagens que coleciono e memórias que nunca perdi. Mas também não é tão lenta assim.
E é já amanhã.
No entanto há coisas de que ainda não me acustumei. Não tomei ganho e sinceramente não quero tomar. Não há um só dia em que não pense que há ainda tanto a preparar e nem sei como vai ser fazer a mala e ir uma última vez à ericeira antes de me despedir.
Mas depois também não é tanto tempo assim, mas é tempo.
E tempo que é tempo, ou se merece ganhá-lo ou não serve de nada. Porque o que me interessa é perder este aperto que tenho, tantos medos que só confio a Ele e que Ele guarda sem cessar. Se um ano me desapertar a gravata que não cresce comigo, e que me degola e me faz tremer, então tenho de ir. Se eu pensar que se assim continuar talvez depois não consigo mais respirar.
Não quero pensar no futuro porém, e é também o que mais preciso.
Já não estou a fugir faz tempo. Só não sei como o vou conseguir sabem, e nunca tive tanto medo em toda a minha vida, assim. A casa é pequena não vai ficar tão mais vazia assim Mary.

Monday, January 16, 2006

Robbie Williams - Misunderstood

Trying to be misunderstood
Just a product of my childhood
And still I find myself outside
You can't say I haven't tried
Perhaps I tried too hard

None of this was planned
Take me by the hand
Just don't try and understand.

Sunday, January 15, 2006

more than words - Frankie J. version

Constantei ontem que por mais que acabemos por crescer, que nos percamos de sonhos nossos de percurso, há rastos que se notam e perseguem para sempre.
Hoje no entanto constato o quanto difícil vai ser sair daqui, perder esta vida e ganhar outra. Porque este é, por mais medos que detenha em mim o meu sonho.
Bem esse e ser amada, que me dêem a mão. Eu sou uma apaixonada por coisas bonitas, afinal.

Saturday, January 14, 2006

é que eu penso com o coração. Sou apaixonada por coisas bonitas, as coisas feias desiludem-me, mesmo que não seja justo.

Thursday, January 12, 2006

"Senhor a Ti me entrego
Com todo o coração,
Eu nunca fui tão sincero
Não sei mais o que fazer
Eu sem Ti não sei viver
Ouve a minha oração
Senhor dai-me a Tua mão."

Monday, January 09, 2006

Sinto-me em graça de poder ter amigos assim no meio de mim.
Amigos que me sabem dar uma mãozinha que nunca é demais, que não torna dependência.
Porque descobri à custa do meu passeio até quase, quase à Vela Latina que já não dependo de ninguém. Antes dependia de inúmeras almas que não me diziam suas mas limitavam-se a dar-me a mão e a puxar-me para seus caminhos sem poder de adição de uma controversa argumentação. Eu que tanto argumentava não me conseguia fazer ouvir, houvera quem conseguisse gritar acima do meu tom de voz. E eu encolhia as orelhas.
"Quando um burro fala os outros baixam as orelhas."
E agora é bom ver que já não dependo assim do bem estar, da alegria ou da fúria acerca de mim de pessoas que se se mantiveram a meu lado acabaram por me deixar. Hoje não acredito em dependências saudáveis, antes sim acreditava, antes assim não acreditando.
Não é que não seja bom darmo-nos um bocadinho mais que seja, sem termos o medo, o temor de sermos despojados. Nunca temos de ser posse de ninguém, nunca ninguém tem de nos dizer seu, só se quisermos, se acharmos piada, se permitirmos. Porque eu só pertenco aos meus pais e às minhas irmãs, e são eles quem me dão todo o poder de escolha, não é hilariante?
Ainda assim consigo ver para trás desse conjunto de grades, de redes, de caixas onde nos custumávamos guardar. Nunca mais as abri, também é estranho. E deixei-me rapidamente de guardar papelinhos de tudo, mania tua. Às vezes ainda o faço inconscientemente.
Hoje parei para pensei o quão triste é esta situação. De largarmos tudo a perder.
Mas quando nos lembramos que nem sorrisos jamais se ofereceram outra vez, são cobrados, conseguimos perceber que sim desta vez é uma questão de conformismo, e é isso, o sentir-me assim tão erguida e forte que me faz seguir a minha vida. Tu podes escolher o que queres, e eu hilariante à tua semelhança também posso. E era isso que eu não estava a perceber.
E depois tenho aquelas mãos que não me largam nunca, mas que não tornam dependência. Porque me aceitam como sou, com a minha fé, com a minha vida, com os meus sorrisos e caras feias. E também com a minha enorme necessidade de esta presa a coisas pequeninas e escuras, e de escrever coisas assim mais tristes, mas que não é por isso que sejam menos felizes também.

Padrão dos Descobrimentos

hoje fomos a andar pelas docas num fim de dia gelado, mas cheio de calor por termos descido a infante santo toda e caminhado até à Vela Latina sem grandes coisas para dizer.
Mas dissemos, verdade seja disseste tu mais que disse eu. Mas gostei de te ouvir, porque de ti sai sempre tudo verdadeiro e na medida certa, sempre a calhar. Quer dizer, às vezes não. Mas nessas vezes mandas-me um berro só para me acordar.
Não é uma caminhada que tenhamos feito muitas vezes, fizemos alguns pares de dias bastante mais quentes que hoje. Fizemos e queixámo-nos sempre de alguma coisa que nos apertava enquanto respirávamos tão melhor lá em baixo ao pé dos pescadores e daquelas milhares de crianças com patins do tamanho de um dedo meu. Não é estranho contudo dizer que é apaziguante esta nossa inestimável maneira de queimarmos a rotina, e calorias também, pois em tudo nós temos a verdade, menos, talvez, quando mentimos a nós maneiras de dizermos o quanto gostamos destes momentos, aqui em Lisboa. E não ligues, não há pessoa na minha vida que eu sinta que tem mais Deus dentro de si que tu. Talvez só a minha avó.
Falámos da única coisa que me aperta realmente o coração hoje e que vai acontecer, querendo mesmo que só pegar nesse assunto daqui a alguns meses ou mesmo neste segundo. Porque nem ele, nem os problemas de amigos, porque hoje já sei quem é mesmo verdadeiro em mim, tenho em mim de maneira que me magoe. Só o ir. E vou porque eu assim escolhi. Foste tu quem teve a reacção mais assustadora, mais temível. Mas também a mais esperada. Tu dizes que mais ninguém reagiu assim porque ainda falta muito tempo. Eu como em muitas coisas, não concordo contigo. Secalhar tenho de dar o beneficio da duvida, como tu dizes. Secalhar tenho.
Mas mantive-me calada sobre este assunto até certa altura, quando me disseste que hoje estava muito calada. Bem sei que estava. Estava a gozar o momento também. O voltar ali contigo, e quebrar isto tudo que é gelado.
Depois tu também me pareceste estar com frio. E estavas, que eu depois senti-te enquanto falavas. E vai correr bem desta vez.
Gosto tanto de ti.
não me apetece muito ser contestada.

Saturday, January 07, 2006

no escuro escrevo.
não é fácil.
porque se tenho em mim toda a destreza do mundo em não te reconhecer, então que poderei precipitar em ti senão o olhar de uma desconhecida? Um olhar desconcertante e vazio de que se invade às vezes a voz do teu sorriso estremecedor e sufocante, sem palavras em temor de te dares demasiado. Antes não tinhas medo de te dar demasiado.
E dás, para depois tirares, ou davas.
Antes dizia-te a minha criança, a minha fé e virtude. Nem sei se ainda te lembras desses episódios, de te guardares em mim. Hoje vejo-te desconhecida, querendo estar emancipada na vida mas que só te torna mais pequena em mim. Não que seja mau, até é mais saudável, mas menos verdadeiro, mais inexistente talvez.
Não há hoje sorriso que me dês, tal como eu não esqueço nenhum que antes me davas todo o santo dia, com toda a tua infantilidade de menina precoce, quando não te importavas de dar toda a tua alegria por ser disso mesmo que te alimentavas.
Eras mais bonita dessa forma, mais tudo.

Friday, January 06, 2006

"Amizade não depende da coerência."

Tuesday, January 03, 2006

obrigada..

“(...)
Se em certa altura/
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;/
Se em certo momento tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;/
Se em certa conversa/
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro—/
Se tudo isso tivesse sido assim,/
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro/
Seria insensivelmente levado a ser outro também.Mas não virei para o lado irremediavelmente perdido,/
Não virei nem pensei virar, e só agora o percebo;/
Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;/
Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,”


Fernando Pessoa

Monday, January 02, 2006

"O homem é a medida de todas as coisas"

Hoje enquanto falávamos de Deus, olhaste para nós com ar de descrença na cara.
Como se desacreditasses a nossa fé, como se achasses que não éramos tão merecedoras da Sua companhia como tu, que te entregas como entregas. Sabes, o que mais me dói quando olho para ti não é o abcesso da obsessão que trazes sempre contigo, é a maneira mais típica que encontraste para me desiludires.
Não que eu já não goste de ti. Eu gosto de ti, tiveste mais em mim durante três anos que ninguém a vida toda, da maneira como tiveste é claro. Mas como viras a cara ao facto de eu amar Deus da maneira como amo, nem sendo quase admiradora do afecto da Igreja. Sinceramente não percebo isso de uma pessoa que não concorde com as pragmáticas e os dogmas da Igreja tenha menos Deus dentro de si.
Eu sinceramente sei que tenho tanto Deus em mim como tu. Tenho a certeza. Mas o que faz doer não é isso, é o simples facto de dares na tua voz a descrença necessária para perceber que achas que eu não sou merecedora o suficiente do Seu amor, da Sua companhia.
Não sabes mais do que eu a felicidade que é trazer Deus connosco. Eu sei porque sinto, e tu não é por dares o teu corpo e couro à ordem religiosa que Deus te ama mais. Porque sabes, Deus ama-nos pelo que nós somos, não pelo que fazemos para O agradar. Ele sabe que mesmo que eu não vá na conversa do casamento e das relações sexuais e de tantas, tantas outras coisas eu O amo infinitamente, mais até que aqueles que dão a vida a dizer-se parte de Deus e portadores de uma fé enorme quando, no fim tudo o que conseguem fazer é virar a cara às pessoas que por eles fizeram tudo, magoando-os.

Sunday, January 01, 2006

a frozen image of ourselves

"What else, what else can I do?
I said I'm sorry, yeah, I'm sorry (oh no)
I said I'm sorry, but what for?
If I hurt you then I hate myself
I don't want to hate myself, don't want to hurt you
Why do you choose your pain if you only knew
How much I love you love you
Well I won't be your winter
And i won't be anyone's excuse to cry
And we can be forgiven
And I will be here"

é mais ou menos como um ponto final.
"Bom ano...sinceramente."
Para ti, verdadeiramente.

"I believe in you
Even if no one understands
I believe in you, and I don't really give a damn
If we're stigmatized
We live our lives on different sides
But we keep together you and I

We live our lives on different sides"