Acabei de emergir de uma Espanha em forma de cubo de gelo, ainda ontem, cheia de geada nas pestanas pequeninas e os dedos congelados, e as unhas brancas sem sangue. Foi uma viagem divertida, cheia de música e carro sujo. Salamanca pós-Cáceres abriu-se aos meus olhos como uma cidade inexplorável, uma selva latina cheira de cheiros a eternidade; Madrid essa apareceu como uma cidade mais cansativa, uma metrópole menos arruaceira mais característica de uma "times square" latina.
Descobri a aversão que tenho ao tempo feio e frio, á neve que por mais fofa que seja deixa-me desconfortável, e o sentimento de abrigo grita mais alto que o sentimento de descobrimento, que é das coisas mais vivas em mim.
Descobri que as vezes me apercebo do nada o quando a vida é bonita, e o coração aperta e mal consigo respirar.
Tuesday, February 28, 2006
Wednesday, February 22, 2006
porque nunca pensei ser eu a partir
quando estou mais assim como estou agora tenho uma necessidade enorme de me decalcar em memórias que me arregalam e arrepiam. não sou propriemente dada a futuros, talvez por isso acabe tão assim como estou agora, tão mais decepada e cruelmente em baixo. e as memórias não curam, palavra de honra.
estou também doente, o ar custa a passar, e o chá sabe sempre a limão. se não é limão é assim qualquer coisa de sempre igual. no outro dia estava a pensar que não tenho escrito porque tou contente, feliz. quem me tem visto atinge o que eu atingi ainda hoje, à bocado ali na sala de espera do centro de saúde. que não é verdade, de todo.
eu não consigo perceber porque não paro de pensar "isto vai-me fazer falta."
passei ali pelo chiado e pensei, paro no tempo no meu quarto e penso, vou ali a escola e nao consigo deixar de pensar. vai-me tudo fazer tanta falta. vou também sentir falta desta rotina que detesto, porque exactamente mais detesto. as viagens de carro cheias de música com as manas, as chegadas do pai e os recados da mãe.
fora o capitalismo, de certeza, eu vou-me sentir tão mas tão deslocada. e se há coisas que agora já me fazem falta.. o que será de mim?
porque nunca pensei ser eu a partir, juro.
estou também doente, o ar custa a passar, e o chá sabe sempre a limão. se não é limão é assim qualquer coisa de sempre igual. no outro dia estava a pensar que não tenho escrito porque tou contente, feliz. quem me tem visto atinge o que eu atingi ainda hoje, à bocado ali na sala de espera do centro de saúde. que não é verdade, de todo.
eu não consigo perceber porque não paro de pensar "isto vai-me fazer falta."
passei ali pelo chiado e pensei, paro no tempo no meu quarto e penso, vou ali a escola e nao consigo deixar de pensar. vai-me tudo fazer tanta falta. vou também sentir falta desta rotina que detesto, porque exactamente mais detesto. as viagens de carro cheias de música com as manas, as chegadas do pai e os recados da mãe.
fora o capitalismo, de certeza, eu vou-me sentir tão mas tão deslocada. e se há coisas que agora já me fazem falta.. o que será de mim?
porque nunca pensei ser eu a partir, juro.
Sunday, February 19, 2006
ilusões de uma imagem ali de S. Tomé e Príncipe
o que pensei foi: "não basta querer ser uma princesa, e consequentemente não o conseguir ser."
li ontem, no livro que hoje acabei e que iniciei deliciosa leitura do primeiro do esquadrão de romances de Miguel Sousa Tavares, Equador, ainda ontem, que enquanto temos ao pé direito, lado da abundância e do a-favor uma rotina apesar de familiar, desconhecida e desconcertante, temos do outro lado, do lado esquerdo, o segundo lado, lado desvastador mas mais terno, menos burocrático e necessário, tudo aquilo que ao longo dos anos construímos com convicção de quem não sabe que de criança se empilha tudo o que nos pode construir, mas preferencialmente destruir. Não é só uma fé enorme em Deus, é um gosto enorme pelas coisas quentes da vida, pelas praias e corpos nus, pelos matos e selvas que vão da Brasília a Trancoso - um gosto enorme por uma vida terrena que se nos pertence por livre iniciativa, pertence, mesmo para aqueles que se afogam em deísmos superiores a sim mesmos, a algo muito maior de que nós, ao que eu mais vulgarmente reconheco como a minha Verdade.
No entanto falo do amor ainda assim. Não em função Dele mas aqui, aqui onde estou. Eu tenho um amor desgastante em mim da descoberta, no entanto é a única coisa que me faz assustar, gelar e transpirar. Eu não sou perfeitamente ambiciosa, mas sonho e procuro maneira de resuscitar o que nunca morre em mim. Porque se me guiasse perante a futilidade que é a previsão, que existe sem dúvida, e o apreço de uma casa, de uma cama quente, o apreço de ter a sorte (eis outra das realidades mais pesadas) de ter uma vida assim, viciante, demasiado boa e que eu não me canso de desfrutar, de que varia sequer sonhar?
Eu sou tudo menos práctica, também. No entanto consigo encontrar soluções directas e encerradas, impossiveis a vista de quem me ama para me curar de mim, dos outros, aos outros, sempre. Sou uma pessoa que pára para pensar sim, e prefiro as palavras e o pensamento, o sentimento à podre acção que as vezes nos faz alucinar. Existem pensamentos, palavras também erradas, mas normalmente há mais pensamentos e palavras que afogam a indiscrição anteriormente atingida, não é como a práctica que se magoa mais do que beneficia quando mal feito, quando não se pensa e dispara infundamentalismos neutros de qualquer compaixão. Ainda assim, às vezes há palavras que magoam mesmo, palavra de honra.
Já tinha antes dito que amo as coisas bonitas. Isso não é ventura de pessoa exigente, coisa nenhuma. Não que não detenha em mim coisas menos bonitas, mas quando falo de coisas bonitas não falo só de bonitas na pela, na cor e no cheiro, no olhar assim mais claro. Tanto mais que encontro nas coisas mais escuras aquilo que para mim é mais bonito, o mais bonito do mundo. Onde quero chegar é: eu acho a vida uma coisa espantosamente bonita. E se Deus quer que eu viva eu vivo, decerto que eu O amo, decerto que sim, mas será que dar valor à vida terrena é sinónimo de contrário? Para mim Deus é hiperónimo de tudo, tudo.
li ontem, no livro que hoje acabei e que iniciei deliciosa leitura do primeiro do esquadrão de romances de Miguel Sousa Tavares, Equador, ainda ontem, que enquanto temos ao pé direito, lado da abundância e do a-favor uma rotina apesar de familiar, desconhecida e desconcertante, temos do outro lado, do lado esquerdo, o segundo lado, lado desvastador mas mais terno, menos burocrático e necessário, tudo aquilo que ao longo dos anos construímos com convicção de quem não sabe que de criança se empilha tudo o que nos pode construir, mas preferencialmente destruir. Não é só uma fé enorme em Deus, é um gosto enorme pelas coisas quentes da vida, pelas praias e corpos nus, pelos matos e selvas que vão da Brasília a Trancoso - um gosto enorme por uma vida terrena que se nos pertence por livre iniciativa, pertence, mesmo para aqueles que se afogam em deísmos superiores a sim mesmos, a algo muito maior de que nós, ao que eu mais vulgarmente reconheco como a minha Verdade.
No entanto falo do amor ainda assim. Não em função Dele mas aqui, aqui onde estou. Eu tenho um amor desgastante em mim da descoberta, no entanto é a única coisa que me faz assustar, gelar e transpirar. Eu não sou perfeitamente ambiciosa, mas sonho e procuro maneira de resuscitar o que nunca morre em mim. Porque se me guiasse perante a futilidade que é a previsão, que existe sem dúvida, e o apreço de uma casa, de uma cama quente, o apreço de ter a sorte (eis outra das realidades mais pesadas) de ter uma vida assim, viciante, demasiado boa e que eu não me canso de desfrutar, de que varia sequer sonhar?
Eu sou tudo menos práctica, também. No entanto consigo encontrar soluções directas e encerradas, impossiveis a vista de quem me ama para me curar de mim, dos outros, aos outros, sempre. Sou uma pessoa que pára para pensar sim, e prefiro as palavras e o pensamento, o sentimento à podre acção que as vezes nos faz alucinar. Existem pensamentos, palavras também erradas, mas normalmente há mais pensamentos e palavras que afogam a indiscrição anteriormente atingida, não é como a práctica que se magoa mais do que beneficia quando mal feito, quando não se pensa e dispara infundamentalismos neutros de qualquer compaixão. Ainda assim, às vezes há palavras que magoam mesmo, palavra de honra.
Já tinha antes dito que amo as coisas bonitas. Isso não é ventura de pessoa exigente, coisa nenhuma. Não que não detenha em mim coisas menos bonitas, mas quando falo de coisas bonitas não falo só de bonitas na pela, na cor e no cheiro, no olhar assim mais claro. Tanto mais que encontro nas coisas mais escuras aquilo que para mim é mais bonito, o mais bonito do mundo. Onde quero chegar é: eu acho a vida uma coisa espantosamente bonita. E se Deus quer que eu viva eu vivo, decerto que eu O amo, decerto que sim, mas será que dar valor à vida terrena é sinónimo de contrário? Para mim Deus é hiperónimo de tudo, tudo.
Wednesday, February 15, 2006
ninas: "quantas são?" seeeeeeis..
á medida que vamos crescendo, e que o tempo incontornavelmente vai passando vamos ganhando namorados, arranjamos uma pessoa que agarre no nosso coração e cuide dele melhor do que alguma vez cuidará da sua própria vida. Encontramos, com o tempo a passar aquele rapaz que diz "é ela", que nos diz dele e nos protege.
Com o passar do tempo encontramos essa pessoa e substituimos a rotina por uma série de novos passos. Só queremos fazer um mês, dois meses, três e quatro, um ano, altura em que já não interessa se não fazer uma vida inteira com ele. Já estamos quase todas com esse coração, essa medida que de espontânea passa a indispensável. Lembro-me de quando em mais pequeninas sonhavamos em encontrar assim alguém mesmo á nossa medida, que encaixasse mesmo em nós, lembram-se?
Algumas de nós já o encontrou, na sua medida inatingivel não há ninguém que possa limitar esse sentimento de perfeição perante a pessoa que nos ama e que nós amamos. Se conseguir é porque não há amor.
Mas não se lembram, como também prometemos nunca renunciar os programas sozinhas, as borgas e as noites de pão com chouriço.Secalhar já há um pouco que nos andamos a esquecer de como haveremos de nos agarrar com mais ou menos força. Sabemos as coisas mais importantes de cada uma de nós depois de já toda a gente saber. Mas na verdade a maneira como nos agarramos, como nos agarramos seja esporádicamente ou constantemente é menos futil que a de todas as restantes pessoas. Cada uma de vocês que tem namorado se encontram em fases diferentes desse crescimento que eu tanto quero para mim. Mas isso eu vou deixar esperar, quando voltar. E inês, quando voltar quero-te ver com o homem da tua vida, se não trago-te o Bloom para te aquecer esse coração enorme.
Na verdade parece ainda ontem que estive com vocês pela primeira vez. E vai ser já amanhã que me vou despedir por um ano. Atenção: gosto bué de vocês, gurdurosas.
Com o passar do tempo encontramos essa pessoa e substituimos a rotina por uma série de novos passos. Só queremos fazer um mês, dois meses, três e quatro, um ano, altura em que já não interessa se não fazer uma vida inteira com ele. Já estamos quase todas com esse coração, essa medida que de espontânea passa a indispensável. Lembro-me de quando em mais pequeninas sonhavamos em encontrar assim alguém mesmo á nossa medida, que encaixasse mesmo em nós, lembram-se?
Algumas de nós já o encontrou, na sua medida inatingivel não há ninguém que possa limitar esse sentimento de perfeição perante a pessoa que nos ama e que nós amamos. Se conseguir é porque não há amor.
Mas não se lembram, como também prometemos nunca renunciar os programas sozinhas, as borgas e as noites de pão com chouriço.Secalhar já há um pouco que nos andamos a esquecer de como haveremos de nos agarrar com mais ou menos força. Sabemos as coisas mais importantes de cada uma de nós depois de já toda a gente saber. Mas na verdade a maneira como nos agarramos, como nos agarramos seja esporádicamente ou constantemente é menos futil que a de todas as restantes pessoas. Cada uma de vocês que tem namorado se encontram em fases diferentes desse crescimento que eu tanto quero para mim. Mas isso eu vou deixar esperar, quando voltar. E inês, quando voltar quero-te ver com o homem da tua vida, se não trago-te o Bloom para te aquecer esse coração enorme.
Na verdade parece ainda ontem que estive com vocês pela primeira vez. E vai ser já amanhã que me vou despedir por um ano. Atenção: gosto bué de vocês, gurdurosas.
Sunday, February 12, 2006
sabem o que descobri? quando tou assim mais dispersa o que consigo fazer é não fazer nada. fico-me em casa a apodrecer. porque não me mexo mais, fico-me imóvel e fixo um ponto no espaço. não consigo focar mais nada. e depois passa o tempo, porque e impressionante que acaba sempre por vir o futuro, e eu só me sinto mais dispersa ainda. porque detesto crescer, um detestar que não resolve palavras.
Sunday, February 05, 2006
Saturday, February 04, 2006
Thursday, February 02, 2006
que delicioso..
"World No 1 Roger Federer (foreground) and tennis great Andre Agassi could not resist the temptation of hitting some balls on the world’s highest tennis court, the helipad of the Burj Al Arab. Swiss star Federer and Agassi, an American with Iranian roots, are in Dubai to compete in the $1 million Dubai Duty Free Men’s Open, which is the first round of the two-week Dubai Tennis Championships. Federer is the reigning champion while Agassi is making his debut in the ATP Tour event."
Gulfnews.com, 23.02.2005
Gulfnews.com, 23.02.2005
Wednesday, February 01, 2006
tava também aqui no quarto que ainda há dez minutos estava iluminado pelo fim de tarde e que agora está num mau agouro escuro a dar goles pequeninos na minha caneca com chá a ferver, mas que também já mais fumegou.
comecei por me lembrar o quao viciada sou, e ha quanto tempo já não me viciava assim tanto. já não bebia chá há dois meses pai, mas é que hoje calhou mesmo bem.
depois lembrei-me que o ano passado, por estas épocas te dei a ti uma bolsinha de chá como presente de anos. Com um excerto de que já nem me lembro, e nas mensagens que trocávamos tu perguntavas sempre, ou quase sempre: "então quando é que vens cá beber o chá comigo?". Eras também tu viciado em chá. Agora que o chá já quase arrefeceu todo, sorrio a pensar "as coisas que me lembro..".
e é verdade, a parva que não fui ao classificar-te importante para mim quando nunca o foste.
comecei por me lembrar o quao viciada sou, e ha quanto tempo já não me viciava assim tanto. já não bebia chá há dois meses pai, mas é que hoje calhou mesmo bem.
depois lembrei-me que o ano passado, por estas épocas te dei a ti uma bolsinha de chá como presente de anos. Com um excerto de que já nem me lembro, e nas mensagens que trocávamos tu perguntavas sempre, ou quase sempre: "então quando é que vens cá beber o chá comigo?". Eras também tu viciado em chá. Agora que o chá já quase arrefeceu todo, sorrio a pensar "as coisas que me lembro..".
e é verdade, a parva que não fui ao classificar-te importante para mim quando nunca o foste.
sem esta treta das abreviaturas, são medos de parecer completa e persistente.
Sabes o que me irrita mesmo é ter de dizer que não quando me apetece dizer que sim só por causa da boa educação. Ou de ter de ficar com a culpa quando detenho assunto suficiente para te culpar a ti. Não é que eu queira isso, mas se há coisa de que estou mesmo farta é de me sentir horrível, de ser a besta de todas as conversas.
Se há dias que me apetece estar contigo há outros que só me apetecia já ser agosto.
Sabes o que me irrita mesmo é ter de dizer que não quando me apetece dizer que sim só por causa da boa educação. Ou de ter de ficar com a culpa quando detenho assunto suficiente para te culpar a ti. Não é que eu queira isso, mas se há coisa de que estou mesmo farta é de me sentir horrível, de ser a besta de todas as conversas.
Se há dias que me apetece estar contigo há outros que só me apetecia já ser agosto.
Subscribe to:
Posts (Atom)