Saturday, April 29, 2006

de ontem; dia vinte e oito, abril águas mil

está calor; hoje ainda está vento neste nascer-do-sol aqui do alto de Lisboa menina e moça. Não é tarde para falar, escrever acerca das coisas que me aparam o pensamento pois lá estão aqueles sinais de que fala o pastor: é necessário aprender os sinais.
Não foi sem mais nem menos que voltei a abrir o livro, pois lembrei-me que é dos teus livros preferidos, e queria voltar a descobrir porquê, porque já o tinha lido. Pareceu-me mais pequeno, não o acabei perdendo-me no sol, mas pareceu-me também estrondosamente mais bonito, pois guardei o coração para ele nesse momento. Porque me dás palavras tão bonitas e me fazes acreditar que apesar de não ver o que tenho cá dentro há alguém que me acha gigante num corpo pequenino como o meu "de madalena".
é triste, o encontrar sabedoria e promessas quando estou para partir, porque tu prometes ser um bom amigo para mim. E lamento mas tenho de ir.
Já pesquisei no google todos os possíveis recantos, onde me é possível desterrarem, onde me vão massacrar com crescimento e facultar o impossivel que é a maneira como me alimento de felicidade.
o tempo passa, eu não o disse? Já as pessoas esqueceram a morte do Adam, já as pessoas se esqueceram de sorrir perante a chegada do verão, já as pessoas esqueceram a beleza de um livro, como eu redescobri agora no teu livro preferido.
A sério que me alimento de todas estas descobertas, porque tudo o resto me cansa a vista, o corpo, o coração, a alma.
E quando a alma dói não há nada como a história de um pastor que não prescinde das suas ovelhas até aprender a linguagem do mundo, sentada no parapeito da varanda do quinto andar, nua de protecção como no deserto, à espera que haja chuva de estrelas para o resto dos meses que faltam, eternidade; e a noite cai sempre sobre Deus ali na basílica e em todos os lugares do mundo.

Friday, April 28, 2006

27.04.2006


não; o sol poisa lá fora, faz derreter lentamente o ar que o alcatrão exala e faz-me explodir no regaço, aqui no refresco de um inverno que foi entalado em quatro paredes nuas, pregadas, vazias.
o sol está lá, eu estou aqui.
o frio parece perdurar ao cheiro do verão que nos exagera os olhares, as mangas e o destilar antes de tempo, pois às 9 horas já perdemos toda a noção que a primavera ainda é jovem. Ainda agora as árvores se vestiram e já querem mergulhos de pranchas a nove metros do chão que escalda!
tempo de quem não espera, não quer saborear o inicio da liberdade, o sumo da inconstância; querem o ar quente e o sol a tornar-nos cor de bronze, a oxidar-nos. Querem os dias cheios sem se importarem com a distância que alcançam, pois é mais bonita a acção constante que o tempo a afogar-se num pôr-do-sol infinito, que não tem pressa de fazer nascer as estrelas. Não, não querem o infinito, querem o caro, tudo de uma vez.
Eu só quero mais tempo, mais luz, calor decerto, mas vida também.

Monday, April 24, 2006

eu nao sei. agora ando com esta impressão, o presentimento que se alcançar o meu próximo objectivo, que agora está assustadoramente perto, virei tudo aquilo em que me vou transformar, as minhas escolhas, opções. e depois chega o medo, que não seja tão fácil assim.
as vezes imagino as coisas que me fariam feliz, coisas que são dificeis de concretizar mas que quando se atingem são boas de manobrar, porque são as coisas que mais desejo. eu tenho uma data de sonhos, quentes por sinal, que me enchem a alma e afogam o coração em felicidade. sei que preciso de um objectivo, de um degrau, de um nivel para conseguir um sinal. preciso de amar as coisas assim para sentir que estou segura na subida? só sei que falta poucachinho, e que com medo ou sem medo, virá. e como sempre "tudo acaba por acabar".

Thursday, April 20, 2006

o amar

Está frio, um frio que não é de mar; o ar não está salgado. lá em baixo reina o romantismo, cá em cima o momento imortaliza-se lentamente. são segredos, sonhos, o olhar, olhares, de quem passa e sorri, são brilhantes as necessidades; os segredos são coisas privadas, que o calor ama e enternece. É bom ver as coisas a amarem-se assim, como se não houvesse amanhã, porque descobri que as coisas são sempre diferentes, dependendo da varanda onde nos estendemos a apanhar sol, ou o parapeito de onde caiem as estrelas.
Secalhar isto são apenas efeitos d'Os Maias, mas o Carlos amava as coisas com a lentidão do andar, do tempo que se esquece com os dias e nomeadamente das noites que se perdem em sorrisos que não são mais que eternos. Eu amo a vida, a pequenina poça da chuva, a enorme basílica caiada de branco com a sua cúpula que toca o Tejo, e os mosquitos que abominavelmente entravam na casa da Ericeira, quando se começava a comer fruta com mais frequência. Eu exclamo a minha vida com a pequenez de uma criança, com as minhas mãos branquinhas de madalena, madalena arrependida.
Depois tenho os meus pequenos agoiros, os sonhos e as felicidades próprias de mim. E nesta vida que me beija e me enlouquece, os suspiros ouvem-se por aí por toda a parte, porque quem me conhece diz: a madalena ama a vida, a vida faz-lhe bem.
Verdadezinha.

Tuesday, April 18, 2006

é parva a maneira como continuo a vir ao msn, ou deslocar-me à escola à espera que corra bem. sinceramente é mesmo parvo porque ninguém me espera, ninguém pergunta por mim e depois dá nisto, neste tremer, nesta cumplicidade dentro de mim. desisti de dar significados às músicas que passam por mim, de as tentar ligar e encaixar em alguém ou numa situação. desisti, oiço como faço às linguagens, aos discursos e diálogos - querem dizer o que querem dizer.
não é bonita mesmo, a maneira como detesto esta dor no pescoço por tentar aguentar a cabeça que desespera por adormecer, ou a comichão que as pessoas estúpidas e invejosas me provocam sem eu poder evitar.

america wait for me..

Monday, April 17, 2006

Sunday, April 16, 2006

about death - 16.04.2006

são momentos destes, pelo menos para mim, que nos fazem parar este correr atrás do tempo, como uma banalidade que vemos adquirida e que só a morte, que nós assinalamos sempre tão longe, poderá cortar o fio do provável.
são dias destes, como domingos de páscoa que estamos aqui, numa casa atarefada com a venda da casa de férias e com o encaixar nos sitios mais apertados dum armário de 9 metros ou um caixote cheio de papelada e coisas para escolher, que nos sentamos a ver o telejornal sem esperar massacres, desastres por ser páscoa e Deus olhar por nós. Mas acontecem na mesma, e acontecem mesmo com pessoas que não conhecemos mas que sentimos estarem tão perto de nós.
Mas depois o tempo passa, e passa e mais coisas chegam, o choque transforma-se na ferida sarada, a pontos crus que o tempo não descose, e já não se fala mais nisso, só se relembra como um desconforto desagradável, algo com que temos e temos vindo a aprender a lidar, a viver com.
A mim custa-me um bocado imaginar que um miudo de 22 anos, que representa uma personagem com 17, que eu estou acustumada a ver durante duas horas todos os dias, desapareça num domingo de páscoa, para sempre. Secalhar sim, é a impressão que faz devido a representar o papel que representa, representava, o nosso Dinomen. O facto de se vir a falar sobre ele durante as próximas duas semanas, e o tempo afogá-lo como uma memória enquanto que pensamos que ainda ontem ele deu uma entrevista para a revista Jovem ou para a Lux, e é isso que fica - registos, voz, representações, e para os mais próximos uma vida inteira. Não é fácil para mim, sendo piegas e nada forte, aceitar que seja a morte a única cena, o único travão aos nossos sonhos, isto amando a vida como amo. Não o conhecia, nunca o tinha visto, e talvez seja só o impacto da carga horária que os Morangos com Açúcar ocupam na emissão diária da tvi que me está a provocar este desconforto, este luto enorme por um miúdo que tinha a vida toda pela frente, como também tinham tantos miúdos que desaparecem todos os dias, e que nós nem nos passa pela cabeça os sorrisos e a felicidade que se perde neste mundo, porque há sempre mais que nascem, e há tanta gente que passa por nós, pela nossa vida que nos parecem sempre suficientes e que nos fazem esquecer, mesmo que só momentaneamente destes destroços.
Eu estou destroçada, admito. São os descuidos, as perdas e a falta de saída deste portugal pequenino e de um mundo tão grande, que não tem fim aos meus olhos. Porque são estas coisas que nós estamos habituados a só ver acontecer aos outros. E quando passa assim mais perto é que nos escancara os olhos e o coração treme ao mesmo tempo que as chamadas se enchem de notícias, e a dor verdadeira só entra no coração dos amigos, conhecidos e familia. Os espectadores só querem ver uma reportagem e imagens acompanhadas com uma música leve sobre o actor Francisco Adam para depois conseguirem esquecer e idolatrar um novo Dino que aparecer, porque aparece sempre um novo Dino.
Mas neste momento, mesmo que sendo uma tipica tuga de primeira, eu não consigo não ficar assim, em estado de choque, onde não consigo caber na minha própria pele, cheia de pena, cheia de medo desta morte próxima - neste conhecimento que às vezes tenho de não saber dar o valor que a minha vida merece, todas as oportunidades que detenho. É estranho, é triste.
Só uma salva de palmas para o pouco da vida dele que entrou nas nossas, por favor.

Friday, April 14, 2006

Não, ainda falta bastante para dizer adeus. Às vezes tenho coisas destas, apetece-me escrever e como já escrevi no blog no dia em que penso nestas coisas, guardo-me aqui no caderno do computador, que de pessoal se torna impessoal. Não é nada justo, eu continuar a ver-te em tudo o que vejo, sem querer ver. Porque olho para a rua e és todas as pessoas, e acabas por me fazer andar mais depressa, passo a ser tímida como sempre fui, a observar a calçada, a ser uma anti-social, como sempre aspirei ser. Eu tenho os meus fantasmas, já nem penso em ti, só penso quando me falam de ti, quando me dizes alguma coisa, ou em dia de aulas quando te vejo todos e os dias, e à tarde a perdição me faz sempre recorrer a ti. Já não lamento, já não sinto nada, de coração quente arrefeci-me, tornei-me seca, sem cor, incolor, sem medos e ultrapassada do meu presente. Se não fosse suficiente o ficar em casa, em dias de verão, os meus preferidos, o ficar aqui a apodrecer, a fazer trabalhos para as aulas que me puxam cada vez menos, a fazer o que me pedem, a gastar o tempo com imundices que detesto, era bem mais fácil associar os sentimentos as sensações, o desgastante ao renovável, o complemento àquilo que respiro todo o santo dia, as asneiras e o erro aquilo que sou e serei. Não é por mais nada; é o dia que passa, as noites que me afogam e o tempo que é sempre tempo, mais e menos que tanto o que sou e que me fiz. Às vezes atiro-me borda fora e volto a construir-me, sempre diferente mas sempre com este coração enorme para uma pessoa tão pequenina como eu. Não quero crescer, e não cresço porque me destruo sempre, não somo nada. Tudo o que sou, não consigo ser mais, e depois dispo-me de pensamentos, digo-me sozinha porque é isso mesmo que sinto. Não falta nada, só um instante.
Mas é mesmo assim, há sempre alguém com a tua cara, com as tuas expressões apaixonantes, sempre há alguém com algo teu, e depois desaparecem de repente como só o tempo te faz desaparecer. E eu viro-me, sem me despedir, porque não quero dizer adeus a tudo o que me ensinaste, a tudo o que me deste sem quereres dar, a ti. Porque não há já nada que eu saiba pedir sem agradecer, não há nada que eu possa dar se não esta mão branca de madalena, e é isso que me dá esta cor triste, esbatida e quase transparente – a volta de um sol meu, a falta de Ericeira, a falta de tudo aquilo que me faz sentir completa. Se calhar até a falta de um pouco de ti, de um meio sorriso, de um olhar gelado e vazio ou cheio de cor, quando vejo que te lembras de mim da melhor das maneiras, como quando me foste acordar num dia de praia lá ao meu quarto, sentaste-te na borda da cama e deste-me a mão, ou aquele abraço tão quente mas gelado, quando a meio da noite saíste da piscina a pingar oceanos.
Há, de vez em quando, sinais que me alertam a ficar longe, a guardar as pesadas perguntas, as ânsias de ti; e eu sou óptima a captar esses sinais, que são olhares também, tão frios como um Novembro ericeirense.

Thursday, April 13, 2006


detesto a distinção da palavra adoro-te da palavra amo-te. Detesto simplesmente, porque não se dizer o que se sente e pronto? eu nunca tive oportunidade de dizer a palavra amo-te, nunca o disse e por acaso penso nisso sempre como o impacto de um filme. o dizer amo-te e receber um beijo a seguir, coisas à madalena, vocês sabem. a palavra adoro-te essa surge rapidamente e desaparece com a mesma rapidez.
nunca tive um namorado, nunca disse a palavra amo-te a ninguém, nunca disse sentir amor a quem realmente senti. e topam-me como uma miuda que é simples, que ama facilmente e tem amigos como quem espreita por uma porta através do mar. nao contam que nunca disse a palavra amo-te a ninguém, pensam que a digo como os americanos se espremem a dizer no dia-a-dia. e feio pensar assim de mim, porque nunca o disse. e mais feio em mim é de facto amar tanto.

Monday, April 10, 2006

eu sei papá, eu sei..

Father
It’s not time to make a change,
Just relax, take it easy.
You’re still young, that’s your fault,
There’s so much you have to know.
Find a girl, settle down,
If you want you can marry.
Look at me, I am old, but I’m happy.
I was once like you are now, and I know that it’s not easy,
To be calm when you’ve found something going on.
But take your time, think a lot,
Why, think of everything you’ve got.
For you will still be here tomorrow, but your dreams may not.

Son
How can I try to explain, when I do he turns away again.
It’s always been the same, same old story.
From the moment I could talk I was ordered to listen.
Now there’s a way and I know that I have to go away.
I know I have to go.

Father
It’s not time to make a change,
Just sit down, take it slowly.
You’re still young, that’s your fault,
There’s so much you have to go through.
Find a girl, settle down,
If you want you can marry.
Look at me, I am old, but I’m happy.

(son-- away away away, I know I have to
Make this decision alone - no)

Son
All the times that I cried, keeping all the things I knew inside,
It’s hard, but it’s harder to ignore it.
If they were right, I’d agree, but it’s them you know not me.
Now there’s a way and I know that I have to go away.
I know I have to go.

(father-- stay stay stay, why must you go and
Make this decision alone? )


parabéns papi

Friday, April 07, 2006

e porque crescemos..

Wednesday, April 05, 2006

o amor não se leva no bolso; só se tranca o mundo lá fora.
não podes levar o amor no bolso, só trancar o mundo la fora. é.
eu lembro-me que me disseste as palavras de título deste blog naquela semana infernal, em que sai da minha pele e morri de certa forma. não foi propriamente suficiente, mas equilibrou-me, fez-me ver. fez-me crer que sim, que ia voltar a conseguir adormecer, que ninguém havia morrido, e que o tempo ia passar - mais cedo ou mais tarde.
por acaso nunca te agradeci por isso, o estado de choque não passou, e por estar a escrever sobre isso ao fim de ja passado um ano que me tento.

é estupido, inútil. nem sei se ei-de largar tudo, deixar esta net-ó-imbecil e passar a escrever sem travões, sem mãos a medir.
bolas que estou mesmo cansada.

Sunday, April 02, 2006

só mais este, pelo menos por hoje

eu descobri uma coisa; a razão pela qual eu já não me ver a teu lado, a razão de eu já não ser como tu. Não é por teres namorado e seres assim como és por ele, com ele, sempre assim ele em ti. isso depois de obcessivo vai-se tornando saudável com o tempo. Mas tudo porque simplesmente eu não quero mais, nunca mais ser como tu. Embalas a tristeza, careces de amizade e não sabes, nem tentas, pedir abraços. É triste, carente e mal-educado isso que fazes. Porque acabas por tocar mas não consegues magoar, e ou vais ao fundo da questão com objectivos e dizes porque és assim ao fim de tantos anos de inocência infantil (que eu não me limitava nunca mais que a amar) acabando por seres precocemente convencida ao autocaracterizares-te mais crescida que todas nós, que te amamos cada uma à nossa maneira, ou nao vale a pena sequer.
Já nem é triste, deixou de o ser. Mas é, acontece e não tapo os olhos, nem deixo sequer que tu penses em fazer-mo; porque eu sou pequenina e não tenho vergonha nenhuma de o ser; até empino o nariz ao pensar nisso.
É simplesmente desconfortável, só isso. Faz comichão no dedo mindinho.

do que escrever, senão da paixão que não tenho, ou que tenho - mas da vida

sim, nao só lê, sente. porque e ele que amas. eu concordo, le os meus escritos, a dor passou nao sei mais o que escrever, escrevo de paixões, de sonhos, objectividade e confusão, não escrevo escuro ou temor. nao escrevo vida, mesmo que vida não seja dor. vida é cor, mas o preto também o é.

kiss the girl

é o que dá ouvir o cd da disney compradissimo em new york. ja nao aguento mais desarrumação, como já não aguentaria mais o pensamento parar na quinta-feira. nem parou muito, só um pouco. o tempo suficiente para me fazer rir às gargalhadas. ando de uma ironia imensa, sarcasmo-leão.

e estou de férias, provavelmente as últimas verdadeiras antes de me ir embora. depois só mais um julho pequenino. tsc tsc que maneira de ver as idas, são sempre coisas óptimas!