Corpos, corpos infinitos num areal tão mas tão mais claro e fofo que eu relembrava no ano anterior. Um areal algarvio em plena costa da caparica, ou na comporta. um mar calmo, revolto, um mar frio que aquece.
Um cansaço supremo, uma vaidade em não ficar, um medo enorme em partir. Uma pele que se oxida e cheira tanto a mar como a creme; um sentimento de nostalgia eterna, de despedida e agonia.
É verdade que não me aguento, quase, em tanta agonia. As palavras já não saem bem, não soam bem, não são bonitas já. Não vale a pena assim. mas o sentimento pulsa, o cansaço só me faz querer adormecer nos braços de alguém que proclame a sua vida por mim, mas... não há ninguém assim.
Não sei mais se volto, aviso. Não sei mais o que desesperar, se esta melodia que insiste em prosseguir uma vitória sobre os meus olhos semicerrados, se a dor física e tão cá dentro que me rasga a alma e os sentidos. E a verdade é que nada para, o relógio insiste em me cantar o fim do dia, e o sol aqui, ali em alcácer ou do outro lado do mundo vai sempre sempre acabar por proclamar um naufrágio lá ao fundo, no mar.
Dói, mas o precioso é aguentar. E eu sou preciosa.
Saturday, July 29, 2006
Wednesday, July 19, 2006
eu sou portuguesa
Eu sei bem de quem vou sentir saudade, quem vou recordar; ou dos lugares que agora proclamo, ou as escuridões que me assombram. Não será assim tão difícil, as pessoas pensam que temos de dizer nossas uma série de coisas, mas enganam-se. Há coisas que simplesmente estão por aí, nem sabem pensar ou recorrer a calafrios sempre que o que amam lhes toca, já nós temos esses calafrios sempre que nem sabemos encher o peito de ar, ou quando ele nos toca.
Não são muitas na verdade, as pessoas que ansearei por voltar a ver; os lugares vão ser mais poderosos que a pele ardente, o cheiro a mar mais forte que as almas portuguesas, a rua do patrocínio a casa que substituirá as falsas amizades que prometem assombrar-me enquanto permaneço aqui. Lá em Almada nem pensei muito nisso, o espírito de união só me absorveu quando o tempo da despedida afundou a pousada numa chama de compreensão; o fado, a ponte, o rio, as actividades só agora caiem no meu espírito. Comecei a proclamar conformismo desde que me abandonaste; hoje já não o proclamo. A Mafalda diz que é receio, eu sei que é tudo menos conformismo. Ela diz também que te telefonava e estavas aqui no minuto a seguir, qual fonte num pranto desalmado. Eu não sei, não me sinto tão segura nesses confortos de que já me deixei há muito. Tem-me apetecido mandar mensagem que dite o que sinto, mas já não sei dizer o que sinto, já não consigo libertá-lo. Um cativa-me, um sinto a tua falta não me parecem adequados, e mesmo que o fossem não me sinto confortável em dizer o que acho que não sinto.
Não são muitas na verdade, as pessoas que ansearei por voltar a ver; os lugares vão ser mais poderosos que a pele ardente, o cheiro a mar mais forte que as almas portuguesas, a rua do patrocínio a casa que substituirá as falsas amizades que prometem assombrar-me enquanto permaneço aqui. Lá em Almada nem pensei muito nisso, o espírito de união só me absorveu quando o tempo da despedida afundou a pousada numa chama de compreensão; o fado, a ponte, o rio, as actividades só agora caiem no meu espírito. Comecei a proclamar conformismo desde que me abandonaste; hoje já não o proclamo. A Mafalda diz que é receio, eu sei que é tudo menos conformismo. Ela diz também que te telefonava e estavas aqui no minuto a seguir, qual fonte num pranto desalmado. Eu não sei, não me sinto tão segura nesses confortos de que já me deixei há muito. Tem-me apetecido mandar mensagem que dite o que sinto, mas já não sei dizer o que sinto, já não consigo libertá-lo. Um cativa-me, um sinto a tua falta não me parecem adequados, e mesmo que o fossem não me sinto confortável em dizer o que acho que não sinto.

Melancolia suprema, não sei que mais espelho me falta senão que tantas palavras estão em mim como lágrimas me dançavam nos olhos há dois anos. É pouco mas enche-me a alma; não há senão criatura mais abominável que a necessidade de detestar o amor como maneira de o deixar longe de um coração que só pulsa de dor.
"Tenho amor a isto, talvez porque não tenha mais nada que amar - ou talvez, também, porque nada valha o amor de uma alma, e, se temos por sentimento que o dar, tanto vale dá-lo ao pequeno aspecto do meu tinteiro como à grande indiferença das estrelas."
Bernardo Soares, em o Livro do Desassossego
Tuesday, July 18, 2006
Saturday, July 15, 2006
alcacerina; sempre

a vida tem destas coisas, as memórias que aquecem; é bom recordar dias de verão assim. um desembarque numa casa caiada de branco, na nuvens de pó alentejanas, num outro verão com uma amizade mais que perpéctua, mas que depois se tornou cadente e não-constructiva. um naufrágio num espírito tão pouco de férias grandes, um medo enorme de companhia masculina, um abrigo longe da civilização, junto ao degradante delírio de um espaço ténue e quente.
desembarque, como eu dizia, entrada e exploração de um terreno que pudesse passar a pertencer ao território conhecido, mas a companhia que não o era de todo; não o permitia. A chegada de um outro ser estranho, a que ele agora declara uma aversão perfeita, foi recebida com um ar de amabilidade e de ingenuidade supremas.
Não sei já o que pensei quando o vi pela primeira vez; as noites, os dias, a piscina, as flores, os olhares, os toques, as ausências e a presença que é sempre constante. A amizade que tu proclamas eternamente por mim quando falamos, a ternura como o dizes, o sofrimento com que abominas os silêncios, tudo em ti me fascina. O seres crescido e saberes mais que eu, o ensinares-me e gostares de aprender tanto comigo. Alcácer, é o que te leva a mim, e julgo que me leva a ti também.
Thursday, July 13, 2006
os homens da minha vida; inspirado nas escrituras de um amigo
O desporto, é o que nos une com toda a complexidade que engrossa em distância e ausências; já antes não o fazia, e cessámo-nos com o desporto também. Transpira um estilo pessoal, mas tão adoptado, é rebelde, selvagem e espontâneo, cresce em mim como quem não quer a coisa. Os sorrisos não são banais, escondem significados que me divirto a desimbolizar, e que ele nem se esforça por os manter quase raros. Um dos homens mais crescidos em mim; e o bom é sabe-lo.
Adoro a maneira como esconde o amor longe dele para não se apoderar do seu corpo; não consigo perceber se já caiu por alguém, mas se tentasse acertar acho que diria que um coração perfeito nunca seria tão céptico sem cair por alguém. O processo histórico, injustiças, confronto indirecto com a futilidade na sua maneira mais agressiva é o que ele ama. As leituras complicadas, de autores de que as pessoas se fazem por esquecer, a travessia diária de um caminho duro de mais para ser feito em estado sóbrio enlouquecem as suas manhãs, é como um ditador sem querer proclamar submissão. Consegue meter medo, ser divertido, complicado, cansativo, não-emotivo, inteligente, agradar, desagradar mas principalmente consegue na maioria das vezes ser atractivo e inesperado, eis que coisa agradável.
É mais como um caminhante. Nunca o consigo ver focado demais para ter uma imagem de como olha para mim, mas é o suficiente para me aperceber que ostenta uma aura espectacularmente desenvolvida para o à-vontade envergonhado.
Borrões em braços de pessoas, traços em folhas de papel de rascunho do teste da terça-feira anterior, um ar de intelectual e promessas para uma amizade furiosa de cumplicidade e honestidade.
Um príncipe que me diz princesa; um ladrão de bons momentos e humilde velho dador de outros tão mais valiosos. A forma mais verdadeira de uma amizade que não é de todo presente, mas que não deixa de o ser. Olhos azuis magníficos, um bebé grande demais para a sabedoria que porta. Um ser inteligente que não o mostra ser, mas que não deixa de mostrar em tudo o que é. Está sempre a chamar o bom do Deus, um apaixonado pela minha mesma paixão, com calos nos dedos adora o sentimento distinto da liberdade-responsabilidade. É tão bom este conhecimento.
Ri-se na roda, é pequenino, mas grande demais. Culto e inteligente em demasia, envergonha-nos por não sabermos a constituição da enzima C2. É pequeno sim, mas persegue objectivos como se fosse do tamanho do mundo. É o homem que mais me faz rir, sorrir. Está comigo há tempo demais, numa das memórias da confraternização com os de idade avançada. Não basta ser um quase irmão, é uma aprendizagem constante, um professor, uma alma gémea, uma companhia. É aluno e esforça-se pelas boas notas, geralmente consegue-as, mesmo quando me esforço por me fazer de amuada e retroceder no seu pedido de desculpas. O seu riso mata-me. É um sapo, um monstro, um anjo e um elfo tudo ao mesmo tempo. A sua fé em Deus, magoa-nos de tão forte, mas na verdade ele não minimiza a amizade, ele não apaga a fé na humanidade, nem em mim creio. Sou completamente apaixonada pela sua responsabilidade, pelas camisas, calças vincadas e ténis, pelo cabelo alinhado. Sou completamente apaixonada pela sua forma de viver, e de me vivê-lo.
Ele pisca os olhos, tropeça as palavras e é bastante discreto; o mesmo não se passa ao olhar. É bonito, por fora e por dentro, e sabe-o o que o torna ainda mais bom de ter em nós. Está constantemente a dizer-se e a tomar-se como diferente de mim, não só no sexo, etnia, tudo. E é demasiado agradável a maneira como o faz para me deixar imune. Ás vezes, mas só as vezes, era frio. Outras vezes escaldava, era quente. Arriscava constantemente o à-vontade de detestar o ensino, os educadores, dizia que isso não era para ele simplesmente porque ele não o queria. Mas ele gosta de aparecer por lá, porque ele gosta daquilo. Foi demasiado agradável a maneira como se apercebeu que errava, que magoava ou simplesmente era escandalosa a maneira como tomava certas coisas. Ele é demasiado delicioso.
Ele protege-me, persegue-me, leva-me a casa e tira-me de lá. Ele é mais ambicioso do que aparenta, ele é estudioso sem o ser, ele é bem apresentável, ele tem o coração mais grande do mundo. Ele é agudo, grave, ele é sincero, ele ama os amigos como ninguém. Ele é português, e defende tudo o que é. Ele defende o bem, protege o mal porque acha que todos merecemos perdão, todos merecemos segundas oportunidades. Ele é a segunda oportunidade, a terceira, a milésima. Ele é esperança, ele é verão, inverno, outono, primavera, ele é sempre, porque está lá sempre. Ele é escola, ele é Lisboa e Nazaré, ele é Deus, e fé. Ele cativa e espera ser cativado. Ele é o principezinho e a rosa, e a ovelha, e a cobra e o elefante. E todos os planetas; ele é amor pela vida, de todas as maneiras.
É sexy ele, selvagem. Ele é todas as noites quentes, e todas as frias. É arrogante, baldas, escuro, confiante. É protector, cavalheiro, bom amante, bom amigo, é pequenino e tão grande, é céu, é terra, é fogo e água; não me deixa esquecê-lo.
Se há coisas que crescem comigo, cá dentro, ele é uma delas. É obscuro quando me trata por amiga, irresistível quando me trata por pequenina, perfeito quando acaba sempre por ter razão, imperfeito quase nunca. Ele é encantador, apaixonante, bonito com as suas costas tortas, o sorriso matreiro, o seu gosto em tomar-me como indecifrável quando já me conhece tão bem, o seu perdão perante as minhas asneiras, o seu toque que me arrepia, ele é desejo, um amigo oculto mas tão potente, a maneira como me irrita com o seu benfica, o seu perfeito tema de a vida ser injusta ou perfeitamente justa, porque é assim mesmo. Tudo nele é mistério; tudo nele é promessa de felicidade. Seria pouco afirmar que é o príncipe do meu reino; apaixona-me completamente.
Eu às tantas já não esperava nada dele, quando ele me veio com uma promessa para toda a vida: de continuar a mudá-la para sempre. É o meu confidente, mesmo que não me confesse, é a minha verdade mesmo que a esconda, é um bebé que cresce tão depressa como a morte se nos aparece. Ele adora-se e detesta-se, esconde segredos tanto como os porta em travessura. É radical e perfeitamente soturno, é arrepiante e completamente diabólico, é envergonhado, tímido, inseguro – mas já o foi mais. Ele tem um cheiro, não o sei definir. Cheira a segurança, cheira a Portugal, cheira a casa, cheira a amizade, cheira a perfeição e a imperfeição também, cheira a falhas, cheira a presença. Ele quer desesperadamente viver, melhor do que já vive. É ambicioso, sonha, tem desejos, é a loucura em pessoa, é a aspiração do conforto e acaba por o querer mais que tudo. É prematuro, sobredotado, respira em estado de adormecimento e deseja-me. Não me deseja só, quer-me, quer todos e tudo, quer a vida. É fotografia, é retrato, é sabedoria. E sabe-o, porque o ostenta ao pescoço, em todo o lado. É o que eu sou; sobrevivente.
Ele era fácil acima de tudo; só era difícil quando me fazia por esquecer, quando abafava as conversas em piadas rápidas e inoportunas. Mas era fácil. Em boa verdade não sei se o continua a ser mas como já o disse a maior verdade em mim, não o deixo de afirmar. Ele continua em mim, tínhamos paixões semelhantes, era desesperadamente inteligente e ensinava-me constantemente como fazer as coisas bem. Não era professor, mas era em pessoa aquela aprendizagem que só a vida toma e nos dá. Era a vivência, o crescimento, era vida por assim se dizer. E era também por ser tão antigo. Só o tempo sabe desde quando o trago em mim, e trago, não o larguei em lado algum, em dia algum ou hora, por precisar de o ter em mim. É necessidade em potência. É vento, é selvajaria, é calma. É vivência.
Adoro a maneira como esconde o amor longe dele para não se apoderar do seu corpo; não consigo perceber se já caiu por alguém, mas se tentasse acertar acho que diria que um coração perfeito nunca seria tão céptico sem cair por alguém. O processo histórico, injustiças, confronto indirecto com a futilidade na sua maneira mais agressiva é o que ele ama. As leituras complicadas, de autores de que as pessoas se fazem por esquecer, a travessia diária de um caminho duro de mais para ser feito em estado sóbrio enlouquecem as suas manhãs, é como um ditador sem querer proclamar submissão. Consegue meter medo, ser divertido, complicado, cansativo, não-emotivo, inteligente, agradar, desagradar mas principalmente consegue na maioria das vezes ser atractivo e inesperado, eis que coisa agradável.
É mais como um caminhante. Nunca o consigo ver focado demais para ter uma imagem de como olha para mim, mas é o suficiente para me aperceber que ostenta uma aura espectacularmente desenvolvida para o à-vontade envergonhado.
Borrões em braços de pessoas, traços em folhas de papel de rascunho do teste da terça-feira anterior, um ar de intelectual e promessas para uma amizade furiosa de cumplicidade e honestidade.
Um príncipe que me diz princesa; um ladrão de bons momentos e humilde velho dador de outros tão mais valiosos. A forma mais verdadeira de uma amizade que não é de todo presente, mas que não deixa de o ser. Olhos azuis magníficos, um bebé grande demais para a sabedoria que porta. Um ser inteligente que não o mostra ser, mas que não deixa de mostrar em tudo o que é. Está sempre a chamar o bom do Deus, um apaixonado pela minha mesma paixão, com calos nos dedos adora o sentimento distinto da liberdade-responsabilidade. É tão bom este conhecimento.
Ri-se na roda, é pequenino, mas grande demais. Culto e inteligente em demasia, envergonha-nos por não sabermos a constituição da enzima C2. É pequeno sim, mas persegue objectivos como se fosse do tamanho do mundo. É o homem que mais me faz rir, sorrir. Está comigo há tempo demais, numa das memórias da confraternização com os de idade avançada. Não basta ser um quase irmão, é uma aprendizagem constante, um professor, uma alma gémea, uma companhia. É aluno e esforça-se pelas boas notas, geralmente consegue-as, mesmo quando me esforço por me fazer de amuada e retroceder no seu pedido de desculpas. O seu riso mata-me. É um sapo, um monstro, um anjo e um elfo tudo ao mesmo tempo. A sua fé em Deus, magoa-nos de tão forte, mas na verdade ele não minimiza a amizade, ele não apaga a fé na humanidade, nem em mim creio. Sou completamente apaixonada pela sua responsabilidade, pelas camisas, calças vincadas e ténis, pelo cabelo alinhado. Sou completamente apaixonada pela sua forma de viver, e de me vivê-lo.
Ele pisca os olhos, tropeça as palavras e é bastante discreto; o mesmo não se passa ao olhar. É bonito, por fora e por dentro, e sabe-o o que o torna ainda mais bom de ter em nós. Está constantemente a dizer-se e a tomar-se como diferente de mim, não só no sexo, etnia, tudo. E é demasiado agradável a maneira como o faz para me deixar imune. Ás vezes, mas só as vezes, era frio. Outras vezes escaldava, era quente. Arriscava constantemente o à-vontade de detestar o ensino, os educadores, dizia que isso não era para ele simplesmente porque ele não o queria. Mas ele gosta de aparecer por lá, porque ele gosta daquilo. Foi demasiado agradável a maneira como se apercebeu que errava, que magoava ou simplesmente era escandalosa a maneira como tomava certas coisas. Ele é demasiado delicioso.
Ele protege-me, persegue-me, leva-me a casa e tira-me de lá. Ele é mais ambicioso do que aparenta, ele é estudioso sem o ser, ele é bem apresentável, ele tem o coração mais grande do mundo. Ele é agudo, grave, ele é sincero, ele ama os amigos como ninguém. Ele é português, e defende tudo o que é. Ele defende o bem, protege o mal porque acha que todos merecemos perdão, todos merecemos segundas oportunidades. Ele é a segunda oportunidade, a terceira, a milésima. Ele é esperança, ele é verão, inverno, outono, primavera, ele é sempre, porque está lá sempre. Ele é escola, ele é Lisboa e Nazaré, ele é Deus, e fé. Ele cativa e espera ser cativado. Ele é o principezinho e a rosa, e a ovelha, e a cobra e o elefante. E todos os planetas; ele é amor pela vida, de todas as maneiras.
É sexy ele, selvagem. Ele é todas as noites quentes, e todas as frias. É arrogante, baldas, escuro, confiante. É protector, cavalheiro, bom amante, bom amigo, é pequenino e tão grande, é céu, é terra, é fogo e água; não me deixa esquecê-lo.
Se há coisas que crescem comigo, cá dentro, ele é uma delas. É obscuro quando me trata por amiga, irresistível quando me trata por pequenina, perfeito quando acaba sempre por ter razão, imperfeito quase nunca. Ele é encantador, apaixonante, bonito com as suas costas tortas, o sorriso matreiro, o seu gosto em tomar-me como indecifrável quando já me conhece tão bem, o seu perdão perante as minhas asneiras, o seu toque que me arrepia, ele é desejo, um amigo oculto mas tão potente, a maneira como me irrita com o seu benfica, o seu perfeito tema de a vida ser injusta ou perfeitamente justa, porque é assim mesmo. Tudo nele é mistério; tudo nele é promessa de felicidade. Seria pouco afirmar que é o príncipe do meu reino; apaixona-me completamente.
Eu às tantas já não esperava nada dele, quando ele me veio com uma promessa para toda a vida: de continuar a mudá-la para sempre. É o meu confidente, mesmo que não me confesse, é a minha verdade mesmo que a esconda, é um bebé que cresce tão depressa como a morte se nos aparece. Ele adora-se e detesta-se, esconde segredos tanto como os porta em travessura. É radical e perfeitamente soturno, é arrepiante e completamente diabólico, é envergonhado, tímido, inseguro – mas já o foi mais. Ele tem um cheiro, não o sei definir. Cheira a segurança, cheira a Portugal, cheira a casa, cheira a amizade, cheira a perfeição e a imperfeição também, cheira a falhas, cheira a presença. Ele quer desesperadamente viver, melhor do que já vive. É ambicioso, sonha, tem desejos, é a loucura em pessoa, é a aspiração do conforto e acaba por o querer mais que tudo. É prematuro, sobredotado, respira em estado de adormecimento e deseja-me. Não me deseja só, quer-me, quer todos e tudo, quer a vida. É fotografia, é retrato, é sabedoria. E sabe-o, porque o ostenta ao pescoço, em todo o lado. É o que eu sou; sobrevivente.
Ele era fácil acima de tudo; só era difícil quando me fazia por esquecer, quando abafava as conversas em piadas rápidas e inoportunas. Mas era fácil. Em boa verdade não sei se o continua a ser mas como já o disse a maior verdade em mim, não o deixo de afirmar. Ele continua em mim, tínhamos paixões semelhantes, era desesperadamente inteligente e ensinava-me constantemente como fazer as coisas bem. Não era professor, mas era em pessoa aquela aprendizagem que só a vida toma e nos dá. Era a vivência, o crescimento, era vida por assim se dizer. E era também por ser tão antigo. Só o tempo sabe desde quando o trago em mim, e trago, não o larguei em lado algum, em dia algum ou hora, por precisar de o ter em mim. É necessidade em potência. É vento, é selvajaria, é calma. É vivência.
Monday, July 10, 2006
o processo da justiça é assim mesmo; fugimos do resultado ameaçador e debatemo-nos com 3 golos - Nuno Gomes lá consegue imacular o 3-1 contra.
Há também uma certeza quando se fala em resultados e no facto de serem o cúmulo do linear. Há outras coisas bem menos lineares assim; o fodido é esta tentativa de não conseguir detestar menos as injustiças.
Madalena faltam trinta luas
Há também uma certeza quando se fala em resultados e no facto de serem o cúmulo do linear. Há outras coisas bem menos lineares assim; o fodido é esta tentativa de não conseguir detestar menos as injustiças.
Madalena faltam trinta luas
Sunday, July 02, 2006
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