O dia não se faz tão tarde assim, e já o escuro da noite afoga as portadas em saudade.
Hoje o sol pouco bateu nesta calçada que nada tem de portuguesa, neste chão de batalhas e de lutas que não são nem nunca serão minhas. A minha guerra é o poderio de uma baixa, de um bairro alto, de amoreiras e amores, de estrela e as nuvens que baptizam um inverno sem mim.
A escola pareceu-me diferente, como relatei a Jenna, amiga que em tantas manias e precocidadades me faz lembrar de ti, Maria. As portas que rodeiam a escola estavam todas trancadas, como sempre estão a partir das oito da manhã em ponto, mas senti lá dentro, trancada, uma liberdade como há quatro meses não sinto; e desatei a sorrir perante todas as presenças americanas que fazem parte dos corredores por que passo todos os dias, enquanto batia em simultâneo com o compasso dos segundos, uma saudade de tudo o que ficou.
Sinto isto todos os dias, mas hoje a liberdade dentro de uma escola que porta milhares de alunos fez-me soletrar uma presença de não-cerimónia. Não que tenha conseguido finalmente descodificar estes códigos que me impus a mim própria e que agora não sei como evitar a ignorância. Mas é este cansaço que glorifica os meus dias e que hoje me fez sorrir realmente por dentro. Falei mais hoje. Senti mais hoje. Senti.
E os seis meses que faltam vou sentir, e assim desaprender a viver ainda mais sem vocês. Porque é isso que quero fazer para o resto da minha vida.
Thursday, December 14, 2006
Monday, December 04, 2006
Guardo uma certeza:
Sei que me lêm, algumas pessoas. Nem sei bem quem. Outras pessoas sei que me leram uma ou outra vez e pouco souberam como me sobrevivo nestes meus pesadelos que vivo sem cessar enquanto estou acordada.
Mas sou uma exagerada, não sei controlar a minha escrita. Sou assim e só assim.
Sei coisas hoje, que estupidamente não sabia ontem. Coisas que me marcam a cara de um pasmo adulto que me mata a criança que me é eterna.
Não consigo sentir as coisas todas do mundo, só as soltas, as dificeis. Ou as simples, que são para mim aquelas que me afectam mais a minha existência.
Tudo o que é exterior a mim, é exterior. Nada mais que isso.
Não sei que pensar. Sei que onde estou, falta-me conforto. Falta-me segurança, toda a novidade que desde o princípio me assustou de morte, não mudou, continua temida por mim em altas horas da noite, onde não sinto nada, não sonho nada, não sou nada. É estranho, tão longe de casa ainda não ter acordado, em já quatro meses feitos, nunca a meio da noite. Em casa, acordava bastantes vezes. Por vezes daqueles acordares que duram a noite toda. Aqueles que só se tornam adormeceres na segurança do sol das cinco da tarde, no sofá da sala.
O coração martela, enquanto a memória processa imagens, sentimentos, cores, sons de tudo o que deixei.
Guardo uma certeza: quando voltar vou viver tanto, com tanta intesidade Lisboa, Portugal, a minha vida portuguesa e tudo o que amo, que se vai cansar de mim, desta pequenez, e deste amor à vida e a tudo o que sou.
Estive a ler pessoa.
Aqui no meu recanto é onde me relaciono, depois dos vazios e do vento começar a uivar um Inverno que já se contesta grande, longo demais.
Quando não escrevo é porque não sinto, já ele me disse nos seus terrores, que nem sei se são terrores, pelo menos dele. Se não sei o que escrever, não sei o que sentir.
E é isso, só isso que demarca o meu tempo agora. A agonia de querer sentir mesmo que já sinta uma exaustão demoníaca. Porque depois disso só vejo o vazio, ou o tudo, observo. Tento ser creativa, escrever o que nunca escrevi, sentir até o que nunca sonhei sentir, mas o cansaço de trazer esta pele é demasiado. A vida dói-me e sou feliz. Há jamais cansaço maior que esse?
Pessoa traz-me este espírito de estar perdida, no entanto sei que foi de uma sabedoria enorme tê-lo trazido comigo.
Não há sonhos que cheguem para calar a chama de querer descansar só um pouco mais. Um pouco.
E nada muda; e culpo-te Pessoa.
Nestes meus anos de crescimento sinto que não cresci, que continuo criança. Entre as dores de dentes que me marcam já as têmporas há cerca de dois meses, e esta dor que nada mais é que cansaço, as horas passam e sei-me mais mortal que ontem. Começo então a relembrar a minha infância e a querer vivê-la assim outra vez. Desato a pensar, a alimentar a certeza de que tenho crescido num cenário magnífico de amor perante a minha família, e é uma certeza que fica por sentir que isso ninguém me pode tirar.
Já foi, e lá fica. E ao ser bom recordar é bom viver ao sabê-lo verdade. Não sei se vivo, se respiro, se o quê. Sinto que dói, ou pelo menos sinto cansaço ou tudo isso, sinto podridão, se a palavra quer de facto dizer o que de facto sinto.
O frio faz destas coisas, ou a saudade. E o tempo passa, e corre, e foge de mim. E eu nesta minha solidão aceito que morro, que perco, que vou vivendo, que me conformo, que sou frágil e cobarde, que não evito sentir falta e que só quero um verão longe daqui, onde possa enfim descansar.
Mas sou uma exagerada, não sei controlar a minha escrita. Sou assim e só assim.
Sei coisas hoje, que estupidamente não sabia ontem. Coisas que me marcam a cara de um pasmo adulto que me mata a criança que me é eterna.
Não consigo sentir as coisas todas do mundo, só as soltas, as dificeis. Ou as simples, que são para mim aquelas que me afectam mais a minha existência.
Tudo o que é exterior a mim, é exterior. Nada mais que isso.
Não sei que pensar. Sei que onde estou, falta-me conforto. Falta-me segurança, toda a novidade que desde o princípio me assustou de morte, não mudou, continua temida por mim em altas horas da noite, onde não sinto nada, não sonho nada, não sou nada. É estranho, tão longe de casa ainda não ter acordado, em já quatro meses feitos, nunca a meio da noite. Em casa, acordava bastantes vezes. Por vezes daqueles acordares que duram a noite toda. Aqueles que só se tornam adormeceres na segurança do sol das cinco da tarde, no sofá da sala.
O coração martela, enquanto a memória processa imagens, sentimentos, cores, sons de tudo o que deixei.
Guardo uma certeza: quando voltar vou viver tanto, com tanta intesidade Lisboa, Portugal, a minha vida portuguesa e tudo o que amo, que se vai cansar de mim, desta pequenez, e deste amor à vida e a tudo o que sou.
Estive a ler pessoa.
Aqui no meu recanto é onde me relaciono, depois dos vazios e do vento começar a uivar um Inverno que já se contesta grande, longo demais.
Quando não escrevo é porque não sinto, já ele me disse nos seus terrores, que nem sei se são terrores, pelo menos dele. Se não sei o que escrever, não sei o que sentir.
E é isso, só isso que demarca o meu tempo agora. A agonia de querer sentir mesmo que já sinta uma exaustão demoníaca. Porque depois disso só vejo o vazio, ou o tudo, observo. Tento ser creativa, escrever o que nunca escrevi, sentir até o que nunca sonhei sentir, mas o cansaço de trazer esta pele é demasiado. A vida dói-me e sou feliz. Há jamais cansaço maior que esse?
Pessoa traz-me este espírito de estar perdida, no entanto sei que foi de uma sabedoria enorme tê-lo trazido comigo.
Não há sonhos que cheguem para calar a chama de querer descansar só um pouco mais. Um pouco.
E nada muda; e culpo-te Pessoa.
Nestes meus anos de crescimento sinto que não cresci, que continuo criança. Entre as dores de dentes que me marcam já as têmporas há cerca de dois meses, e esta dor que nada mais é que cansaço, as horas passam e sei-me mais mortal que ontem. Começo então a relembrar a minha infância e a querer vivê-la assim outra vez. Desato a pensar, a alimentar a certeza de que tenho crescido num cenário magnífico de amor perante a minha família, e é uma certeza que fica por sentir que isso ninguém me pode tirar.
Já foi, e lá fica. E ao ser bom recordar é bom viver ao sabê-lo verdade. Não sei se vivo, se respiro, se o quê. Sinto que dói, ou pelo menos sinto cansaço ou tudo isso, sinto podridão, se a palavra quer de facto dizer o que de facto sinto.
O frio faz destas coisas, ou a saudade. E o tempo passa, e corre, e foge de mim. E eu nesta minha solidão aceito que morro, que perco, que vou vivendo, que me conformo, que sou frágil e cobarde, que não evito sentir falta e que só quero um verão longe daqui, onde possa enfim descansar.
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