Thursday, June 28, 2007

Eu já sabia, o que veio, sempre viria. Agora, é isto, este presente levita-me o olhar, sinto um formigueiro incessante nas pernas que me faz querer ficar deitada na cama o tempo que forma o dia, os dias, os meses, o mesmo tempo que eu vou perdendo.
Perdi a vontade de estar lá fora, e detesto aperceber-me que foi demasiado cedo, não demorou nada a vir. Passaram-se apenas aqueles dias desde o dia em que cheguei, os tão poucos, aqueles que se contam em vinte. Olho para mim, como se fosse a minha mãe que me fora aconchegar os lençóis, baixar os estores e fechar a porta, e vejo-me a focar um único ponto na janela fechada, o ponto que me diz se de dia será, se será de noite. Os olhos aquosos, transparentes da alma; secos e tristes.
Secalhar temo demasiado uma ataraxia, para me fazer sair da cama. É, talvez seja mesmo isso que me impeça, mas por outro lado esta agonia precipitou-se sobre mim sem sobreaviso, e eu sem aviso não teci protecção. Mas eu sabia que ele me ia fazer esta falta do mundo, como se eu não o pudesse ter amanhã nem em cinquenta anos, quando sei que ele me guarda a alma, e que é indubitavelmente verdade. Não o terei amanhã, nem em cinquenta anos.
Mas sinto que ainda nem parti. Que há um combóio, um autocarro, que me vai carregar de novo aí; sinto já que não faz sentido se não estiver aí, porque essa não é a minha casa, e é mais fácil a desculpa da esperança de retornar.
Quando se volta realmente, essa desculpa já não faz sentido nenhum. Já não embeleza a ausência, porque o que existia só passara a faltar hoje e não antes quando se dizia que faltara. E secalhar faltara também.
É horrível ter este mesmo sentimento como se nunca tivesse partido.
A inércia, o dormir, só me faz esquecê-lo. E nem assim consigo. Quando foco o ponto no escuro, é a ele que vejo. Quando adormeço é sempre com ele que sonho.

Monday, June 25, 2007

"Cada vez que entro num palco, morro de medo. E é por isso que sou tão apaixonado pelo palco. Pelo medo que me transmite. Agarra-te ao medo. Assume."
- aquele senhor

Sunday, June 24, 2007


Ultimamente tem-me apetecido fazer-me de caminhos e tornar-me no Adolphe Braun, enquanto que me dou a uma caixa com 288 fotografias, que em nada me irei esconder, e que ainda não existe. Tenho tido este pulsar nas veias de necessidade de encontrar uma mão fechada de Virginias Oldoinis, de condensas, de modas que não mais passam, de sedução e paixão.

Acho que vou calar esta sede de procurar sempre mais, e entregar-me a este sonho. Eu sei, tenho a alma cheia deles. Mas um a um, secalhar desenvacilho este nó-de-agouros, este sem fim de uma luta que está ainda para começar.

Pensava que era só voltar, só partir. Chegar não chegou, chega de esperar.

Amanhã, sim, decido.

Friday, June 01, 2007

Já nem tenho a certeza que o meu fantasma vá ficar aqui; os passos que tomei, os dias que mudei, o tudo o que marquei. Aquelas coisas que aqui fazem parecer minhas, as coisas que não fazem sentido fora daqui. E que nem posso levar. Tenho as minhas dúvidas, no meio de tudo, de que eu vá sequer fazer sentido fora daqui. O horrível é ter de descobrir por mim.

O meu Português já nem faz sentido, os meus medos mudaram drasticamente, a minha força. Com isto o que sou fora daqui? O que sou aí?