Tuesday, August 28, 2007

Era tão bonito estar longe. Quando estava longe, as pessoas escreviam-me como se fosse a última vez. Escrevia com a infinitude de um coração nas mãos e com a alma alagada em saudade. Ainda me lembro como era tão bom, mesmo que breve e quase nunca, receber essas cartas quando estava longe. Ou simples entregas em mensagens instantâneas, ou em diários que eu sabia ler. Houve alguém que me mandou um livro, que alargou a sensação, outros cartas que traziam escondidos, cheiros de quem escrevia. Mas pareciam escrever como se eu não voltasse. E eu lia-me amada, eu lia-me bonita, eu lia-me um coração poderoso. Eu lia-me pequenina com um grande coração.
Agora voltei, e o vazio na escrita voltou. Voltei a ser imortal. E agora vejo a aberração no viver para sempre. Houve ainda olhares quentes, sorridentes quando me pus de volta. Depois perderam-se na rotina de me ter perto, de volta. Tornei-me banal, com uma história curta, e o ter estado longe só se mantém hoje em mim. Todos o esqueceram.
Foi tarde que me consegui habituar. Porque trazer esta distância toda dos meus amigos, me agonia os sentidos. Mas sentir está em mim.

Saturday, August 25, 2007

É uma saudade tão intensa da Ericeira. Louca, um amor que me faz quase extinguir na minha própria escuridão. Quando amo assim é quando mais medo tenho de mim mesma.

Friday, August 24, 2007

Vou sair derrotada. Se não vou parece.
Não posso seguir o meu sonho porque não tenho dinheiro para o pagar. Não é sequer justo.
O calor, que já foi frio, obriga-me a pôr uma fita que levanta o enorme cabelo para trás. Uma t-shirt, das sempre tão largas, coisas Americanas, essa mania enternecedora que quis manter em mim, e uns calções compridos verde-seco são tudo o que reveste a minha pele que sua num quinto andar lisboeta em corrente de ar.
Finais de Agosto, olho a pele que não é dourada. Falta de sol, falta de descanço, falta de sossego marcam-me os traços vazios da cara. Os olhos brilhantes, o sorriso exasperado, o respirar que treme como a chama, são os sinais que porto e não sei esconder. Mais se somem em mim, e não sei mostrar.
Caminhadas entrelaçadas em recaídas em casa, na cama, no sofá, na cadeira, na parede, solidão, batem intensamente nas pestanas dos olhos caidos de cansaço. Há sobretudo entorpecimento, uma lentidão sôfrega, que tudo ambiciona e nada desassossega. Um desassossego constante dos modos da vida, dos medos meus, dos ecos dos gritos, esses em mim. É uma constante, também falta de tudo. Desejos, ambições e sonhos tudo tão imaculado como a crença em Jesus Cristo e numa biblia e fé quase metódicas. É engano e cepticismo envolvente em tudo o que sou, e certezas engenhosas e tão ingénuas em sonho e ambição.

É estar sempre tão aí, a alma, a mente, o sonho, o pesadelo. É correrias sem fim contra escadas rolantes que me levam para longe daí. Que me trazem quando só quero ficar.
Mas há também aqui uma Ericeira, um fragoso, um petrony e memórias de uma outra casa que deixei e posso retornar.
Não é como aí, que não o posso beijar, não o posso conter num grito sorrido. Mas enche-me o coração. Sempre encheu, mais agora que retornei, e o coração suprimido e espremido de tanta solidão só deixa espaço para sorriso de recordar e ver todas as almas que conhecia em mim tão crescidas, mas tão iguais.