Wednesday, April 30, 2008

Não sei nada. Às vezes gostava de saber as coisas todas que se devem fazer. Às vezes gostava de querer perceber de política, gostava de saber o suficiente para ser professora de história. Gostava de ter mais miolos.

E ontem deixei-me de ser tão reservada. Expus-me como nunca. Falei o que sou, o que faço quando estou sozinha. E ele falou-me das suas coisas, disse-me que somos parecidos. Tanto acredito que possamos ser, como sei que não somos. Mas ele tolera-me, ele vê-me nua, alcança o que está por baixo da pele.

Eu só quero que haja quem o faça. Não quero que te apaixones, mas será sequer preciso dizer? Foi bom, porque foi cortado por um telefonema e um meia dúzia de palavras e trezentos silêncios. És bom amigo, mas metes-me medo.

Às vezes gostava de ser poeta como tu.

Friday, April 25, 2008

Secalhar, por vezes, é mesmo necessário que haja rotina. Mesmo quando temos medo, quando há um vai-não-vem de coisas que nos assustam ou atraem. Secalhar é mesmo assim que nos encontramos ou conseguimos superar, assim mesmo que continuamos a nossa vida mesquinha ou tão entusiasmante.

Monday, April 07, 2008

Poderia cantar-te, ou me, ou quem achasse ficar bem numa canção, num só soneto. Mas a lenga-lenga é sempre a mesma, sim essa que sabes, que conheces. Desde sempre escrevi, faz parte de mim ser assim, tal como sempre li livros que não eram para mim, mas que eu compreendia como todos os outros pareciam compreender as suas almas, e que eu não reconhecia nem a minha. Assim as letras tornaram-se o meu sangue, a minha alma, o meu refúgio.

A partir de uma certa altura da minha vida iniciei as minhas escrituras sobre como abomino o tempo, a mortalidade, o medo do que é fugaz que é também ódio. Tornei-me não saudável assim, começei a torcer o que me equilibrava, afundei-me nas coisas que faziam mais sentido, as que acabaram por ser aquelas que me faziam sentir mais. As do choro, do coração cansado, da perda.

Houve sempre uma dignidade eloquente ao afirmar ser apaixonada por livros, mas sei que isso fez torcer sobrolhos; muitos afirmavam eu não viver as coisas que devia ter vivido por ter agarrado nos livros, e por ter amado o seu cheiro, ter dedilhado as páginas como quem procura o segredo eterno de quem sobrevive para sempre. A imortalidade.

Fazia sentido para mim, ler livros antigos junto à lareira, nos Natais e no calor das ondas, mas muitos diziam não fazer sentido. Está certo que não tomei a opinião dessas pessoas como certas, apesar de terem tido um papel tremendo nos livros que escolhia para ler a seguir, ou as páginas e folhas brancas que cobria com a minha caligrafia. Mas hoje sorrio a pensar no quanto a minha alma desespera por letras, poesia, e no quanto me sei melhor por causa disso mesmo.

A alma está condicionada por aquilo que aceitamos. E se não for o que lemos, que seja pelo que sonhamos.