Tuesday, July 15, 2008

Quando chamas, vou se vou, mas não parto por ti. Escondo tudo o que sou dos outros, porque tu não me podes ver ser o que sou. Angustia-me o olhar, enerva-me as raízes que se pegam a todas as pessoas a quem toco, a quem chamo. Mas porque chamo sem chamar, elas não me sabem, tão pouco portam o trago de quem poderá saber.

E sabe mal, o sabor a coisas que partem sem voltar. Aquele abismo que brotou enquanto a tua mão se arrastava pelas minhas costas, quando os dias brilhantes pediam o fôlego, o teu, que te desses e não apenas me trouxesses. E a mão arrastava-se pelas costas. Hoje não sou nada sem esse arrepio, mas tudo posso ser. E sou mil coisas, que sei que não gostas que sejas, mas que eu gosto de ser porque tu não podes ver. Cegaste, e a escuridão que trouxeste abala-me a mim e cega-me também. Apaixono-me por tudo o que respira, e tu nem podes saber. Porque não vês. Apenas sentes, o hálito quente do que fomos, o tactear do mapa das minhas costas, e a ponta dos dedos, no início dos meus, como quem sopra vento que alastra doenças, como quem sopra ventos e temporais.

E no fundo existes todos os dias, mas nunca me respiraste. É estranho explicar o porquê de te escrever, se no fim o que resta é tudo o resto, menos tu.