Thursday, August 28, 2008

Em crescendo

Perfeitamente nulo de sentido, é tudo o que sinto tudo o que sinto provém de uma excêtrica necessidade de ser assim como sou. Tenho uma mentalidade tão fútil de retratos, de memórias e passados, mas sou também visionária de um futuro em que me custa tanto acreditar. Mas acredito, cegamente. Acredito, cegamente.

Arrancas-me o nariz, tocas-me na mão. Serás simplesmente o que preciso neste momento? Uma bala no estômago, que deixa partir as borboletas que se formaram na loucura da espera. És provavelmente, apenas o fruto da minha visão turva e aquele que me agarra quando só quero cair.

Talvez me tenhas dado tão simplesmente a atenção que preciso. Talvez até te sintas bem a dar-ma, mas sou eu que me fragilizo mais uma vez em esperas, esperas que são inúteis, porque sei que recuarei, como sempre o faço.

Porque tudo o que toca o coração, me assusta. Não és nada, simplesmente olhas para mim. E eu sinto-o, ao teu olhar carregado mesmo quando não queres olhar muito. Mas sou cega, talvez não o faças? Inseguranças?

Sou feita de apatia, brutalidade e insegurança sim. Mas não me olhas?

Wednesday, August 13, 2008

Confusa, não me precipito. Não que o faça quando tenho um manto espalhado à minha frente, a passadeira que me faz sentir segura. Mas confusa é diferente. Confundes-me, e ainda agora chegaste. Secalhar tudo isto é apenas uma necessidade enorme de me sentir de alguém, num olhar. Mas gosto da maneira como olhas para mim; com um respeito quase impossível, como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Na certa medida das coisas, talvez tenhamos. Não sei bem, mas procuro o teu toque, simplesmente para sentir que me tocas. Procuro o teu olhar que me aquece e me faz sentir diferente, tão diferente do que acho que sou. Me faz engolir em seco, como pequenina, envergonhada, mas tão livre, e me faz desviar o olhar quando sinto que me estás a entrar na alma aos tropeções.

Às vezes derreto-me; admito que não sei bem porquê. Mas é bom enquanto não ultrapassar o que já é. Talvez só um pouco mais de procura, um pouco mais de toque.

Wednesday, August 06, 2008

Queimas-me, e sabes que queimas a pele, que me queimas por dentro, que me queimas a mim; que continuas sempre tão tu, sem teres de te esforçar um pouco que seja. Porque é o que tu és que me queima; quando sabes que te olho, mas sabes mentir fisicamente, enganas o olhar e fazes-me sorrir. Gosto quando partilhas pouca luz com o quarto em que estás. Não que fiques mais bonito, és até no impossível, ou que fiques diferente. Mas é a tua ostentação, a tua teimosia de te fazeres sentir. És quase uma explosão eminente, mas há depois o arrasto indiferente do que sou para ti. Atrais-me. Enrugo a testa e penso no que te farei sentir. Indiferença é a única coisa que me surge; secalhar nem te faço sentir.