Wednesday, January 28, 2009

she was anouk. all lovers betray. shallow, hallow. be careful what you wish for.

Friday, January 23, 2009

A frieza é susceptível. Não gosto da sinceridade ser substituída por muralhas agrestes e feias; já dizia Theodore Adorno, "a mentira, que foi outrora um meio liberal de comunicação, transformou-se hoje numa das técnicas da insolência, graças à qual cada indivíduo estende à sua volta a frieza, e sob cuja protecção pode prosperar". Nada mais significa que a mentira e a frieza, ainda que distintas são no fundo a mesma tinta que cobre uma máscara diferente apenas na simplicidade.

Não entendo tamanha tentativa de retrair o bem, mesmo não se fazendo o mal. Mas no fundo, o que sobra? Solidão e batimentos cardíacos tão descoordenados, que juro poder morrer a qualquer minuto? É isso que procuras? Que as tuas muralhas não venham a proclamar fracasso, e por isso teces vitória antes do tempo. Não temo o meu império ser abalado por cinquenta biliões de falsas palavras; antes fosse um império de cinquenta biliões de soldados. Porque nada alcança o coração como a loucura da bondade e a sinceridade do toque. O desejo que flui, no corpo que treme ao pensar que uma alma nos pode pertencer como julgamos a vida nos pertencer também. Só uma coisa me assusta, ter pouco tempo de te encontrar; de encontrar um arco em que reter a simplicidade da perfeição que procuro, a obscuridade dos caminhos que galgo. Não só tenho medo de não ter tempo de te encontrar, como tenho medo que não tenhas ânimo de me achar perfeita para ti; de no fundo nada ser suficiente.

A hipocrisia diz-me que me cale. Eu nem sempre sou justa naquilo que escrevo, mesmo que sempre sincera; sei-o. Não sou fraca, contudo penso ser mais forte que realmente sou. Mas não gosto quando palavras bonitas são omitidas para se transmitir um desejo que não é verdadeiro. Para se ultrapassar os horizontes que construídos, não são bonitos, falta-lhes tinta, mas estão cheios de máscaras vazias como o arco, vazias de receios, mas contudo vazias de mim. Eu dou-me a quem me quiser amar.

Sunday, January 18, 2009

É um episódio terminado. Sei que nada se vem a proclamar de atitudes destas, a não ser constrangimento, desilusão, abandono. Mas não me posso fazer de outra forma; a alma que dói fará o corpo gemer, escrevo. O corpo sua flagelo, a alma precisa consolo. Mas estou farta dos desejos banais, das considerações inúteis, resoluções tão nuas e vazias como o abrigo que de longe não sobreviverá. Fala-se de injustiças, de perdições congeladas em políticas sujas; eu sem nada perceber dessas conjunturas dissimuladas, entendo que não nasci para ser prática. Sou um império de simbolos que ninguém entende, e a que chamam desordem, a que chamam frieza, a que chamam distância. Mas é mais triste que tudo isso, é mais solidão.

Thursday, January 15, 2009

when it comes to being lucky, she's cursed
O peso no peito de ontem não cessou com as dez horas dormidas. Encontrar o oposto do que se procura, naquela procura tão incessante, tão intensa, é como levar um grito depois de três dias sem dormir. Choca, endurece, rouba a alma aos tropeções e só deixa querer gritar de volta. O grito que aflora, mas fica mudo. Não só doi, como arde, como explode sem permissão, canta-se e desmancha tudo o que foi construído em ensaios e anseios.

Como te disse, foi uma decisão minha. E nem que o contrário aconteça, nem que caias por mim, eu sei que não és o que procuro. Eu gostava de ter um Lucas, "I want it all, I want you", e que me olhasse como a Peyton, e me pusesse a mão no sítio onde guardo o coração, "I want to be here". Que haja livros, que haja movimento, que haja luta constante do que sentir. Não que hajam palavras feias que matar os sonhos de outra, porque eu sou outra que se guarda para ti e outra em que nem notas, mas sabes.

Não pedi que fosse ouvido, apenas sincero. Se fosse o que eu esperava talvez nem eu aguentasse. Nem te pedi para mim, gostava de portar o que existia, mas agora é tudo maligno. Agora tenho a certeza que não és o que procuro. Tenho. E por detrás de todo o vazio que existe, eu sei que chegará um dia em eu ao ler segundos depois oiça, "I love to watch you read".