Wednesday, April 29, 2009

O sol quente, seco, derretido, incomoda-me a alma por uns escassos dez segundos. A falta de um braço cerrado no meu peito, comedido pela invariável incessante da pressa, arde como a pele salgada. Não sei bem o que arde mais; se essa pressa, se a sabedoria que não valeu de nada, o saber que nada significou. Que o que te entreguei, das palavras, do suor, do beijo, foi como um assobio apressado, momentâneo de prazer pouco severo. Diz-me apenas, nem precisas de explicar, o que eu te dei, o que te fiz, faço sentir, o que te ensinei, o que foi a noite rasgada nos dias que passas hoje sem mim; foi só uma conquista louca, difícil, ou foi aprendizagem?

Talvez seja bloqueio, ou talvez seja apenas percepção feroz do que o tempo tanto regurgita. Que talvez me entreguei, por tão pouco aceite que tenha sido, a uma loucura que não foi levada com ternura. Como eu acharia que iria ser. Tenho saudade da liberdade.

Saturday, April 18, 2009

terei de me desprender..

Friday, April 17, 2009

Lembrança

A noite vem já tão segura; com cheiro intenso á certeza que o manto escuro vai tapar tanto mais que apenas luz. Tudo sucumbe ao medo dessa escuridão; as coisas menos verdadeiras. Sou mais eu, pelo menos mais sem medo. E a noite vem, chega, acarinha a necessidade de estar mais perto de ti. Somos da noite, porque do dia não podemos ser. Se eu fosse o caminho que tropeço, tu me caminhasses sempre assim na pele, os teus dedos arrastados no meu braço, no meu pescoço, no meu braço outra vez. Mas não dura. É tudo tão soturnamente intenso que parece durar apenas um quarto de hora.

Imagino uma vida inteira, ao invés de uma só noite. Mas imagino apenas porque me forço a isso, nesta minha noite hoje sinceramente só, escura ainda, ainda mais escura sem ti. Há qualquer coisa ferida em nós, pouco tímida, mas inquieta. E este caminho que percorremos, nesta ausência física, mas explosão eminente, parecemos quase iguais, distantes, coniventes. E as palavras que são vultos de dia, a noite sabe arrancar, transformar, proclamar. Só a noite as sabe arrancar sem doer. E quando penso que a noite cai, e o dia se ergue sem medo, distante sim, mas agreste, cheio de força e calor que não é o meu, eu sei que talvez me dei demasiado para aquilo que a tua alma pode dar de volta. E mesmo que não o sinta logo, eu sei-o.

Persegue-te, ateia-te nesses teus sonhos perseguidos ao redor das promessas que a vida te fez, e não cumpriu. Larga apenas esse grito, faz-te feroz. Mais terno, mais bonito. Tens de te querer mais, em simplicidade. Persegue-te. E se iniciares uma perseguição total, não a abandones.


Não a abandones. Nós seremos cúmplices o resto da vida.

por favor,

dá-me palavras mais ternas, mais cuidadas; com sabor aos gestos que me dás quando estás perto de mim. As palavras são tudo o que podemos guardar hoje, tudo o resto não podemos, quereremos sequer? Pergunta feia, inóspita. Claro que quero, anseio tudo o que os teus gestos, o teu olhar, a tua mão me prometeram, sem nunca pensarem que eu cobraria. E nem o posso fazer. Escrevo palavras forradas a lembrança, repletas de uma total fotografia que tenho tua. Óculos postos, olhos ainda assim semicerrados. Uma conversa nossa livre, espontânea, eufórica de descoberta. Descobri-me também em ti, acreditas?

Mas se me queres ser alguma coisa, dá apreço a estas palavras, revoltando apenas ternura. Sê mais sincero, mais apaziguante, mais sereno. O ritmo das tuas palavras não tem de acompanhar o batimento do teu coração. Ou então não sejas nada; que é somente aquilo que podes ser. Por isso digo; tudo o que se sucede nada tem a ver connosco. Por favor, dá-me palavras mais ternas, ou guarda silêncio.

Thursday, April 16, 2009

o que queremos?

all lovers betray

Agora que voltaste trouxeste a confusão outra vez. Mas é só pelas palavras, olhar, que me dás, que parece que guardas só para mim. Não sei bem que confusão faço; se daquilo que quero, ou não quero. Se do que sinto, e não posso sentir, que é tão ferozmente o que preciso tanto de sentir, e ter, e recolher.
É estranha a travessia que as coisas tomaram; o caos soturno de uma amizade cúmplice de sentimentos asseverados, extraviados por decisões pouco sensatas, furiosas de desejo, furiosas da calma negra do vazio. Do meu vazio.
Tens tanto que resolver, dentro de ti, e eu só quero que fiques bem. Nesse teu remoinho, nessa tua serenata, nesse teu terror fechado; fechado o suficiente para se antecederem guerras. Embarcando neste trapézio, eu sei que tudo o que se sucede nada tem a ver connosco.

Sê-me feliz.

Thursday, April 09, 2009

Viver apenas porque sim, apregoa não sinceridade. Não gosto de ver alguém viver na lentidão do conformismo, no sorriso rasgado, pouco genuíno. Teço irritação perante o desânimo de querer ser melhor, com mais bondade, maior entrega, menos esconderijos escuros, frios, feios e corruptos. É fácil viver na complexidade amargurada da corrupção. Ontem gritei alto contra isso; ninguém me ouviu. E o meu complexo levou-me para longe, talvez cedo demais. Ainda assim eu sinto que foi tarde. Não me faz bem viver rodeada destes misticismos negros e vazios. Fico triste em constatar que eles de facto existem. Dói, como ver uma borboleta numa roda.

Tuesday, April 07, 2009

do meu ar James Dean

tímido, não enganador.

Monday, April 06, 2009

"that knowing is better than wondering. that waking is better than sleeping, and that even the biggest failure, even the worst most intractable mistake is the hell out of never trying."

Friday, April 03, 2009

és o fogo onde me quero queimar

Já não sei se sinto falta de dedos entrelaçados nos meus, se dos teus dedos entrelaçados nos meus. É querer-me segura, explosivamente liberta, sem medo de dar tudo o que sei poder dar; que nem limites tem. É este arrasto tardio, esta insufiência derretida, uma espera incontrolada que nem nunca cessou. É a desilusão prematura, nem sei bem se do que dei se do que neguei. A falta do peso escuro da paixão, a ausência daquele á-vontade. O saber que o sol se vai pôr sem eu me poder despedir, ou asseverar comportamentos de entrega. Afinal é só uma alegoria. Já nem sei mais que dedilhar, se dedilhar. Mas sinto a necessidade de me perder, sem me encontrar, de alguém o fazer. De me deixar assim, a fluir em energias descontroladas, em perdas de controlo, em gargalhadas aterrorizadas. Não sei porque é tão sensato fingir que nada se sente; é ridículo tentar omitir que sinto demasiado. A verdade é que me sinto aterrorizada, pequena, seja na tua felicidade, como no teu silêncio. Atraída, retraída, serena, capaz de brincar com o mundo, e encontrar luz na tua escuridão. Não sei se consegui entrar em ti aos tropeções, mas sei que pelo menos te fiz pensar que poderás sempre alcançar algo maior, mais puro. Não vale a pena viver em mentira, em dizer aos outros o que de momentâneo eles traçam valor, mas que dentro de nós tu sabes que não tem.

a raiz, a pulsação, o ofegar, o abraço. são eternidades que podemos viver.

Wednesday, April 01, 2009

tenho de me fazer viver; o medo que tenho sempre aflora, sempre se sufoca e entranha, me entranha. sou pequena em tudo o que sou, menos naquilo que sinto, que é um titã. tenho saudade de me saber segura, de me querer segura. de trazer alguém e a poder proclamar no rio, no vento, onde quer que fosse. não porque ele fosse meu, mas porque me queria sua. e isso fez há tanto tempo já, toda a diferença. tenho as mãos frias, o coração pesado, e ao saber porquê não sei saber perdoar. o peso que me arrasta, de pouca culpa mas de maior perdição, de uma loucura insensata e sem sentido, de quem teme mas não grita.

vou-me ficar assim, calada, agachada. á espera que outro me encontre. outro que me possa trazer, proteger, e me querer só a mim, apenas a mim. na beleza que só ele vê, no belo que tudo tem. e descansar de mim, exausta das minhas fortalezas, sem conseguir ser imune á minha fragilidade. exausta.