Saturday, March 28, 2009

Liberdade que aflora da ponta das tuas mãos; um agachar em mim do que desejo, de desejo quente e ternura enraizada. Gosto do teu sorriso que me olha em segredo, gosto do teu bater pesado do coração, quando o sinto com a palma da mão tremente. Há o melhor do meu á-vontade quando te tenho perto, como se houvesse segurança na tua respiração, na tua gargalhada suspensa. Um sinal que se arrasta, me arrasta, te arrasta. Eu saber que o toque é amizade severa, que o calor que emana é abrigo. Gosto da maneira como provocas em mim esse á-vontade permaturo, quando sinto o respeito a emanar do teu corpo, os limites, a eternidade.

É só um corpo, no seu tremer. A alma sugada é a mais bela. Dá-me a mão, confia em mim. Sê-te sincero, serás luz.

Wednesday, March 25, 2009

por morrer uma andorinha, não acaba a Primavera

mas canta-me um pouco na tempestade, canta-me um pouco na tempestade, e deixa que a terra acalme, devagar. 

Saturday, March 21, 2009

A imensidão da minha perdição começa a tecer loucura, a tecer anarquicamente uma desconfiança. Sinto-me revoltada com a minha auto injustiça, a minha privação em prol dos meus valores mais entranhados. Ao mesmo tempo que nunca conseguiria fazer o oposto, sinto-me presa a ideais dissimulados, poderosos mas largados no obscurantismo da solidão. O saudosismo enaltece-se, eu não sei guardar espaço para a frivolidade do método e da dinâmica física. Sinto encarcerada em mim uma violência constante, para comigo própria. Dói-me a mente como se do corpo se tratasse, dói-me a alma do cansaço do arrasto, das tentativas de fazer bem aos outros e nunca, quase nunca ter esse bem para mim.

Não sei já dedilhar o arrepio que percorre os poros, a pele, como antes. Não sei perscrutar a alma com a severidade de antes. Sei ver que me faz mal estar sozinha, preciso de alguém que me queira na minha fragilidade, que me consiga trazer como se o mundo não rodasse, como se fôssemos metal em metal, que só se tingindo, não se modifica nunca.

Tuesday, March 10, 2009

O sol sangrar emociona-me sempre. A exposição celeste, o fio de som que é dedilhado antes da corrupção de luz, hipnotiza-me. A espiral de sentimentos rebuscados, pendentes, explosivos faz-me totalmente melindrosa a deixar entrar a aspereza da escuridão, a frieza da susceptividade. Atrás da loucura esconde-se sempre o medo, atroz, rude e emerso em ânimo maldoso e sóbrio. E a tristeza inunda-se em mim, sem temer o dia findar, sem saudade, apenas com a esperança degulada em desilusões, e a solidão que alimenta tudo o que é corrompido grita desconsolo. Mutilada tento entender o que me apraz saber; a beleza de tudo o que é incerto, os cânticos que me caminham na pele, a serenidade que sempre advém. Mas nada entendo, tudo me rasga a fé na alma humana que eu sempre espremo. Tudo me emociona e tudo acaba por me revoltar. E o tudo, que sempre é subjectivo, efémero, débil, traduz uma necessidade insaciante de abrigo, de abraço, de mãos em mãos, sorriso que entregar, que receber; o tudo torna-se o brilho, o reflexo de mim. E a emoção contida torna-se apenas tristeza.

Wednesday, March 04, 2009

free-bird

Sunday, March 01, 2009

A rejeição asseverada lateja interminavelmente; a venda nos olhos que cobre um cenário totalmente presente, mas discriminado, aperta os olhos e torna essa ceguez perfeitamente sufocante. A correria, a espera, a tristeza, a correria mais uma vez, murcham a esperança eloquente, levada ao máximo por uma brutalidade crescente em querer ter a mão cheia da felicidade do outro, do seu corpo, da sua mente. De coisas tão banais e tão complexas sofre o pensamento do eu encantado, sofrido, oferecido. O eu encantado complexa-se pela magia que o outro porta, chora perda por não conseguir abraçar o seu encanto, e não sabe esconder a sua pressa por o ter. E é bonito, mas é solitário, e o cansaço vai apertando, e a desilusão correndo a seu lado parece maior que o sonho.

E o sonho que surge é de um prado enorme cheio do sabor e do cheiro do outro, eternizado pelo seu toque, pela sua valsa feiticeira, o seu sorriso húmido, austero e sedoso. Ao olvidar que talvez a presença não seja desfiada por uma linha ténue, o eu sofrido não sabe conformar; e foge de si e do outro, temerário da perda embraçada, e não consegue lidar com o que o outro sente, por poder não ser o mesmo que ele próprio sente. Mas o toque, a sua necessidade que sempre advém, fará sempre parte do eu oferecido, e por isso crescerá sempre a procura, o aperto de estar suficientemente perto. O eu encantado, sofrido, oferecido será sempre o mesmo.

Só te quero bem; sê sincero dentro de ti, para ti.