Tuesday, April 13, 2010
Este nó na garganta, tão apertado dos rituais ridículos e dos sonhos pisados de sangue. Sonhos, essa palavra una de impossibilidades e fraquezas, o sinónimo de fantasia e do impossível. O sonho e a ambição congelados, fazem-me sentir uma imbecil de palavras estudadas; o que escrevo ultrapassa o melhor de mim, e coloca-me num rio de tristezas e de somáticas obscuras. O corpo que dói em filosofia, contrasta com a mente que dói com relativa agudeza, de cansaço e desilusão. Não tenho mais sonhos que perder, e por isso perco-me nesta valsa diária de surdez, mudez e ceguez dos sonhos dos outros, e do ridículo que é querê-los para mim. Dói-me o coração, que lateja de depressão em vinte anos.
Thursday, April 08, 2010
Quando se aprende a viver sem, o conformismo já não é uma peça pesada. Consegue-se entender os motivos de não se estar presente como se víssemos de fora; e assim deixa de doer tanto e de se exigir tanto. Torna-se ridículo deixar de ser ciumento, quando sê-lo o é ainda mais. A amizade não é posse, mas ciúme é orgânico. É por isso que há pessoas que o têm de mais e outras que o têm de menos. E não é fácil nem entendê-lo, nem deixar de encontrar defeitos ou num, ou noutro. O que é realmente difícil é deixarmos de querer para nós um pouco de reciprocidade.
Mas de que falo? Viver num mundo em que gostar de todos é defeito, é como viver num mundo em que os etês não existem. O que as pessoas não sabem é que escrever não é dádiva de um deus, é crença de unicidade. E o que ninguém sabe é que os etês existem de facto, é só saber onde procurar.
O estoicismo é acessível a todos, só a fé não o é.
Mas de que falo? Viver num mundo em que gostar de todos é defeito, é como viver num mundo em que os etês não existem. O que as pessoas não sabem é que escrever não é dádiva de um deus, é crença de unicidade. E o que ninguém sabe é que os etês existem de facto, é só saber onde procurar.
O estoicismo é acessível a todos, só a fé não o é.
Sunday, April 04, 2010
Virada ao universo das possibilidades, é o das impossibilidades que se atrai a mim, sugando-me. Os sonhos começam a revirar-se, e nessa reviravolta, perco a vontade de encontrar poder para lutar por eles. É uma situação azeda, penso. Não é o que sou; nunca fui feita de vertigens ligeiras, mas das negras, contudo nunca deixei de sonhar, nem nunca fui de conformismos. No entanto o vazio que sinto sobeja e acresce, e eu decrescendo em vontades, perco-me de olhos abertos, na órbita de aceitação que fui tecendo sem me aperceber. E hoje sou isto, este cais de perguntas antigas e efémeras, diante de tudo o que fui e que hoje não se dedilha em jantares combinados, em serões mais ou menos quentes, mais ou menos pretendedores. É isto assim tudo aquilo que posso ser.
Não sei o que quero, e no que julgo querer há uma voz que se grita e diz estridentemente ser impossível. Dói-me os ouvidos como a alma azedada. Já não sei mais o que aquece o coração.
O abismo retornou.
Não sei o que quero, e no que julgo querer há uma voz que se grita e diz estridentemente ser impossível. Dói-me os ouvidos como a alma azedada. Já não sei mais o que aquece o coração.
O abismo retornou.
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