Saturday, August 28, 2010

os meus tantos mundos paralelos, daquilo que já fui e se amarratou, enlouquecem-me, desiludem-me e põe-me acima de tudo sabedora desta tristeza amarga e sedenta. quero apenas chegar mais longe, e poder sentir compaixão e bondade por quem ergueu bandeiras de guerra no meu peito sempre tão cerrado. apenas quero que me demonstrem fazer sentido, em retorno, mesmo quando não faz. mas o ser humano não muda. matamos a nossa casa, matamos o outro, matamos a família, matamo-nos a nós; já ninguém morre por amor. e é isso que é acima de tudo triste; a imaculada bondade já não brindar a honra humana.

apesar de não querer cessar isto que sou, também nunca o conseguiria. mas é a minha maldição; sentir amor pelas pessoas que passam a meu lado e não me vêem, tendo esta revolta semeada mesmo sabendo que estou condenada. e estes mares que flangelam o meu corpo, coração e olhos, tornam-se naquele conformismo que sempre blasfemei. E é também por isso que sei que não existem muitas pessoas como eu; amaldiçoadas de bondade, de revolta feliz, mas tristes por natureza.

e esta sabedoria rancorosa de choros entalados é nada mais que isso. uma praga brilhante, que as pessoas não compreendem. a bondade não cabe já em ninguém, e o mundo chora, como eu.

Monday, August 23, 2010

E esta morte vincada no peito, que se torna vida nos medos soterrados. Estas lembranças tão ardentes que tenho, o conformismo da fé, porque a vida é ter apenas a loucura da lembrança, e a fraqueza da esperança. Mas a morte é não ter, e quando a dor colapsa, é impulsionada pela a revolta da aceitação. E já não somos o mesmo, quando os adeus têm de ser largados aos ventos que nem sequer pertencem aqui. As ruas continuam calcadas, as vidas aprisionadas na pressa. Mas o coração latejado, o orgão morno, sua tristeza, e dói, porque até quando dói, é belo. E o saudosismo, que todos os povos sentem, é tão somente português. Português na sua altura, no seu cheiro, nas suas mãos grandes e na nossa alma tão escura sem si. E perder não só quem se ama, mas quem tão somente se ama, o amor de uma vida, rebenta-me. E imagino perder-lo a ele. E imagino o que poderias dizer na tua morte, no teu largar. And I thank whatever, whatever gods maybe. A diferença será para o resto da vida. E sinto amor. Porque sei quem te amava.