E quando eu olho em perspectiva para trás, e relembro, dói-me a ferida curada. Dói-me que tenha já passado o que tanto me mutilou, o quanto me estremeceu o coração, e o quanto hoje, por vezes, na falta de cuidado e de lembrança, parece já nem ter feito qualquer diferença. E que fazer quando há lembraça? Talvez brindar com um copo sujo, a insolência, a transição. A frieza com que o corpo cura a mente, e a deixa respirar. Quando o coração, ainda ressacado, geme de medos e choque.
E não é saudosismo, é apenas revolta. Pela felicidade que me trago, e pela tristeza que ainda assim assola o meu coração que fora tempestade.
Saturday, September 18, 2010
Thursday, September 09, 2010
É tão ingrata a destreza de me sentir tão só, quando sinto que me amas tanto assim. Tão inútil a minha capacidade de o sentir, quando os destroços da minha meninice, da minha suprema facilidade com que me perco no passado meu, se evaporam e me alimentam. Tão também asquerosa a maneira como me diverte o eu saber ser tão capaz assim do negrume humano, e da tristeza aguçada. Este saudosismo precoce em mim, corrói de nós o que nunca fomos, e fortalece-nos. Mas dói-me a distância física, e revolto-me contra a minha fraqueza em mudar o facto, o que acontece.
Sinto essa mesma revolta a picotar-me o estômago, e o nervosismo que me salienta as ambições. Quero-te, e quero-te ainda mais hoje e agora.
Sinto essa mesma revolta a picotar-me o estômago, e o nervosismo que me salienta as ambições. Quero-te, e quero-te ainda mais hoje e agora.
Wednesday, September 08, 2010
E é nestes momentos, não somente mas também, que vejo a magnitude do que se pode sofrer por alguém, do que se pode crescer por alguém, do quando se pode inevitávelmente morrer por alguém. Quando partes assim, e na garganta mesmo que imbecil fica o sabor azedado do medo que não voltes para mim. Que os acasos amarguem a tua vontade, ou que a vida nos complique os sentidos e as rotinas. Por isso me custa ver-te partir, e queira esconder fotografias com promessas no verso, ou dar-te livros que sei que sempre te levarão a mim. O saber, tão contente e conformado, de que vamos ser o braço direito do outro para o resto da vida; o braço mais quente do latejar morno do coração que se arregaça com o teu sorriso, o teu olhar, tão teu, como de tão teu algo poderia ser.
E o teu cheiro que me arredonda as lágrimas saudosas, e me persegue nos desejos, nas pontas dos dedos, os cabelos, e a cama onde me abraçaste que fica tão fria sem o peso nosso, sem a tua amizade efervescente, e a tua protecção tão sedenta.
Tenho já sede de ti.
E o teu cheiro que me arredonda as lágrimas saudosas, e me persegue nos desejos, nas pontas dos dedos, os cabelos, e a cama onde me abraçaste que fica tão fria sem o peso nosso, sem a tua amizade efervescente, e a tua protecção tão sedenta.
Tenho já sede de ti.
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