Tuesday, September 20, 2011

Cada Homem é sozinho. Esse Homem replecto ou não de humanidade, que devora a flora e o desumano como construções suas, ou meras deduções. Na corrupção da sua doçura juvenil, floresce, acresce a calmaria, a refutação e o conformismo. Não é do nada que se canta de boca em boca que os Homens são belos enquanto jovens. O crescimento é uma mera confusão logística. É se não o desapego à simplicidade, e o temor aos erros sem rancor ou arrependimento. Por isso já não sou, ou fui sequer alguma vez, jovem. Ou fui criança ou idosa, dependendo do dia da semana ou da presença de coração pesado, cansado. Uns que têm senão falta de juvenilidade pastam aos catorze ventos que a vida é senão o hoje que nasce, mesmo à falta de lusco fusco. Os que não podem abandonar a mocidade entornam nas linhas tortas de desilusão a crença de que na vida não há felicidade, apenas momentos soltos de rústica ventura e ardente bem-aventurança. Talvez a criança tenha estranha razão. Os sorrisos bandidos, os sonhos melados, os desassossegos ferventes, brincam com as almas cansadas. Mas não são tão más como as eternas certezas perdidas e o sossego sem luta. Assim, o Homem ou cresce ou não cresce. E quase nunca se apercebe que no fim é isso que somente sobra; a tremente luta que denominar estados ou fases de vidas na prosa mais comum, mais fútil, confusa e serena.

Thursday, September 08, 2011

A paixão por algo fictício é surreal. Aos poucos e poucos no calor que aperta a garganta começa também a crescer uma certa sensibilidade gasta e rude. Sentir que algo morre é drástico, seja na realidade nossa ou na de outros. Não falo no sentido literário ou cinemático, ou narrativo da ficção. Falo na parte intríseca, da sua totalidade como perda. Saber que essa perda não só me pertence a mim, mas ao mundo todo, mesmo quando há quase certeza de que a minha doerá sempre mais. E pesa como perder alguém, um familiar, um amigo. Escrevo agora com a secura exacta da dor. O saudosismo de quando ainda havia tanto para descobrir, mesmo a mais mórbida das impossibilidades. E a beleza do fictício é o quanto de real ele tem em cada alma, em cada selvajaria, em cada magia. Como diria Albus, aqueles que nos amam, nunca nos abandonam realmente. Incessante esta farta implenitude, este desagrado em entender o porquê. O porquê de sentir o cessar de algo fictício como a morte de um ente querido. Tão real, tão triste, tão só.

Wednesday, September 07, 2011

Estar totalmente feliz com as decisões tomadas não faz parte da rotina humana. Há muito menos de logística na aceitação de um destino do que na aceitação de momentos que não poderiam nunca ser evitados. Como uma corrente que leva o peixe salmonídeo mais fraco, por mais forte que seja a sua vontade de lutar contra ela. Mas no fundo sabe ainda melhor chegar à conclusão que não foi a mente, esse orgão negro de luto e sarcasmo a escolhê-lo ou ao outro, mas puramente o coração. Essa forte muralha de espuma que nos faz olhar obedientes para o céu, com um batimento cardíaco ritmado e feliz. Estranho ainda assim que eu nesta minha entrega sôfrega e sincera, seja virada ao ritmo das incertezas certas, do peso no ventre riscado ao olhar luminoso de quem realmente ama. E o meu cansaço vai abastecendo esse orgulho vívido do amanhã que vai surgir nos braços dele, que me bebe e segue, e estremece ao mais pequeno suspiro. A beleza é pura e enfranquece, e desenha abismos debaixo de mim, enquanto entorna arco-íris ao redor do meu próprio céu.