Monday, February 27, 2012
Desfeita a eloquência tão ferozmente traçada de sempre no mesmo coração morno e ruidoso, a valsa pesada sempre nega a compreensão. O teu dia ser a minha noite, e a minha noite ser tão somente as lembranças arredondadas ao aconchego, à solidão. As minhas raras doenças ofuscam as minhas constantes dormências, por vezes. Mas o que me enlouquece é se não esta surdez demente, os dias que passam sempre tão novos de pesar, sempre tão vazios de ti, sempre na distância de nós. És o meu dia, e não ter dias é insconstante, mórbido até. Evito já pensar em ti, evito já lembrar-me do cheiro da tua pele no toque meu, as tuas mãos grandes e dedos munidos de lembranças maiores que as da tua alma. Dói-me como sempre, mas desta vez dói-me de medos, lamentos pegajosos, brilhantes abandonos.
Thursday, February 23, 2012
A luz da paciência já não faz de consoada. Já não comunga ao agrado, ou rompe rotinas pouco sinceras. Desesperado, vejo-te enegrecer a imagem que tens de mim para não poderes relembrar claramente como nos sentíamos. Desapegados, frescos, imunes. Lanças trovoadas de desculpas, lembras-te que estás atrasado para qualquer coisa, evitas-me e evitas-te certamente. Já até eu me evito, e cumpro promessas vazias lançadas em tempos negros, chorosos, calões. Preguiça ou desapego já não sei dizer. Tristeza, consorte.
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