Sunday, November 28, 2004

Revolta

Ja não falo que não tenha culpa. Talvez tenha, e de tar sozinha isso tenho a certeza que tenho. Mas no fundo sei que se é assim a culpa não é de ninguem. Chamem-lhe destino o que for, eu já não sei se acredito nisso. Se escrevesse tudo aquilo que sinto, não conseguiriam ler.. sao pensamentos demasiado dissimulados, demasiado repartidos, demasiado interligados para sairem da minha cabeca. O vasco tem razao.. eu também já não consigo associar a palavra coração ao amor. Não consigo mesmo. Acho que agora vem do cérebro, e tambem do estomago. Há quem tenha mais olhos que barriga. No entanto escrevo nem sei para que. Para mim não é, tenho pena pois já algum tempo que não escrevo para mim. Há pensamentos que me assolam demasiado a mente, me consomem pontualmente o estômago. Sinto dentro dele uma pressão e depois demasiadas reviravoltadas que se podem chamar ansiedade, ou não. Sinto que ando a perder coisas importantes, talvez devido a não actuar como eu própria há já algum tempo. Sei disso, mas também há pessoas que percebem o quanto me afastar de mim mesma é importante nesta minha fase. Não falo de ninguém em particular, mas há pessoas que não me abandonaram. Também não culpo aquelas que se afastaram, pode parecer que sim, mas é apenas para mostrar o quanto isso me afecta, o quanto gosto delas, o quanto as quero na minha vida. Por isso sou tão agressiva, por isso secalhar dizem que a minha identidade desapareceu. Está aí outra coisa que eu não nego, mas foi pura maneira de escapar deste trilho já tão marcado pelos meus pés, onde até há pouco tempo não sabia que andava as voltas pela mesma selva. Ás vezes temos de mostrar egoismo, egocentrismo talvez. Se não como poderemos escapar de nós próprios quando necessitamos? Talvez nem seja preciso escapar, talvez formar sonhos. Mas tou farta de sonhar. Sonhar que a vida é perfeita e depois quando acordo o mundo cai-me aos pés e é projectado para longe, enquanto que eu sobro como sombra. Estou farta de estar assim, demasiado sensivel, demasiado exposta ao perigo, demasiado apressada para amar aqueles que precisam de mim. Demasiado magoada para mostrar a minha identidade, por isso me atiram que mudei, por isso me atiram que falo mal, por isso se afastam e me abandonam sem dizer palavra. De que raio estou a espera se não dizer que tou farta deste ano de só querer que passe para esperar que o novo ano não haja afastamentos e que eu possa formar dependencias dentro do meu coração, novamente? Tenho uma vida bestial. Uma familia que amo, umas irmas que adoro do fundo do coracao e uns pais que me sacrificava por eles por me darem tudo o que está ao alcance ou mesmo no limite. Mas depois estes sentimentos sobrepoem-se a isso tudo e penso que porra de vida e esta em que se perde amigos quando mais se necessita deles e quando aquele que por mais que amamos passa da ponta do amor, para o centro de tudo e sentimos tudo aquilo que ele sente enquanto que só queriamos acordar e ver daqueles amanhacer que nunca mais acabam. É isto que eu desejo. Uma nova madrugada, secalhar é pedir de mais mas porra estou livre para desejar. Ao menos isso.

1 comment:

s said...

Há alturas em que não se sabe o que dizer. Há alturas em que as palavras não nos querem saír, nem o cérbero as quer formular, pois ainda está a recuperar do choque inicial. Esta é uma dessa alturas. A minha cabeça embasbacou.

Não percebi muito bem o teu comment, mas pareceu-me lisongeadora demais. Seclahar interpretei-a mal. Não sei.