Está frio, um frio que não é de mar; o ar não está salgado. lá em baixo reina o romantismo, cá em cima o momento imortaliza-se lentamente. são segredos, sonhos, o olhar, olhares, de quem passa e sorri, são brilhantes as necessidades; os segredos são coisas privadas, que o calor ama e enternece. É bom ver as coisas a amarem-se assim, como se não houvesse amanhã, porque descobri que as coisas são sempre diferentes, dependendo da varanda onde nos estendemos a apanhar sol, ou o parapeito de onde caiem as estrelas.
Secalhar isto são apenas efeitos d'Os Maias, mas o Carlos amava as coisas com a lentidão do andar, do tempo que se esquece com os dias e nomeadamente das noites que se perdem em sorrisos que não são mais que eternos. Eu amo a vida, a pequenina poça da chuva, a enorme basílica caiada de branco com a sua cúpula que toca o Tejo, e os mosquitos que abominavelmente entravam na casa da Ericeira, quando se começava a comer fruta com mais frequência. Eu exclamo a minha vida com a pequenez de uma criança, com as minhas mãos branquinhas de madalena, madalena arrependida.
Depois tenho os meus pequenos agoiros, os sonhos e as felicidades próprias de mim. E nesta vida que me beija e me enlouquece, os suspiros ouvem-se por aí por toda a parte, porque quem me conhece diz: a madalena ama a vida, a vida faz-lhe bem.
Verdadezinha.
2 comments:
para mim, as noites ganham-se quando temos sorrisos eternos. Ganhamos com essas noites. Quanto a ti e à vida, ela ama-te como te faz bem. A vida faz-te bem, não deixes de a ter, madalena.
madalena.. tao mal te conheco e tao bem me reconheco em ti... e nesta vida qe tao poucos amam.
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