Wednesday, April 29, 2009

O sol quente, seco, derretido, incomoda-me a alma por uns escassos dez segundos. A falta de um braço cerrado no meu peito, comedido pela invariável incessante da pressa, arde como a pele salgada. Não sei bem o que arde mais; se essa pressa, se a sabedoria que não valeu de nada, o saber que nada significou. Que o que te entreguei, das palavras, do suor, do beijo, foi como um assobio apressado, momentâneo de prazer pouco severo. Diz-me apenas, nem precisas de explicar, o que eu te dei, o que te fiz, faço sentir, o que te ensinei, o que foi a noite rasgada nos dias que passas hoje sem mim; foi só uma conquista louca, difícil, ou foi aprendizagem?

Talvez seja bloqueio, ou talvez seja apenas percepção feroz do que o tempo tanto regurgita. Que talvez me entreguei, por tão pouco aceite que tenha sido, a uma loucura que não foi levada com ternura. Como eu acharia que iria ser. Tenho saudade da liberdade.

1 comment:

Mary said...

São minhas essas palavras tb.. Enfim..
Só te amo*