Saturday, January 29, 2005

transpiro por não saber o que escrever. a alucinacao da inspiracao acabou. o efeito momentaneo daquela droga esvaneceu-se. E eu continuo na busca de palavras, de sentimentos que nunca passaram. Hoje sinto rancor. Sinto dar concelhos, mas acho que o que fala mais alto é o fulgor da dor de vos ter perdido. E espero sempre um sorriso de vossa parte. Se vos disser que não vos quero perder pareco exagerada. A resposta é sempre a mesma "não exageres, nada mudou." Secalhar sou eu que não entendo o significado da palavra "sempre". Não seria até ao infinito e mais além? Até depois da noite escura, dum pano verde. Verde é a minha cor, há quem já saiba isso. Mas duma certeza eu tenho, eu não me perdi. Perdi-me de mim, de vocês não. E sou uma exagerada é verdade, mas sempre fui assim, muito antes de sentir este fulgor, qualquer coisa que esteja a falhar. Sim, e está mesmo. Entro todos os dias por aquele liceu a ansear que seja tudo diferente. Sim hoje vai ser diferente. O primeiro degrau que subo é diferente, mas os outros são degraus que sempre lá estiveram, desde que o primeiro tijolo foi inaugurado. Aquilo tem muito que se conte. E vocês também. Isto são sentimentos demasiado recapitulados. E são repetições, todos os dias sinto o mesmo. E no entanto não passa. Não passa um único dia que eu me reserve aos meus pensamentos e que segundos depois fique com a cara marcada de tristeza. Como se tivessem passados anos e anos de espiritualidade, um vida inteira de prazer dedicado a nossa pessoa. E não ha dia nenhum que me pergunte que é das pessoas que fazem parte de mim. Num nome, numa ocasião, num acontecimento, numa prece e que eu sinto que tudo foi em vão. Mas essas pessoas existiram, pelo menos sob efeito da droga. E a compaixão por elaa não se desvanece, nem aparece o arrependimento como no alcool. Aqui é diferente. Aqui estou sob a lua e escuto o que me digo a mim mesma. E é melhor olhar para a frente que para trás. É dificil, mas sei que é o correcto. Está na moralidade e na ética aceitar isto como correcto. É um valor de Stuart-Mill e de Kant, e eu não me vou sobrepor. Secalhar a minha filosofia é bem mais preciosa, mas é minha. E tem bases. Serão vocês, acabando por vos perder de vez ou não. Uma certeza fica, sorrisos por vocês ficarão para sempre, erámos tudo juntas. E isso ficará para sempre sobre o efeito de uma droga qualquer. Só vos peço que admitem que nos perdemos, mas que lutem para nos encontrarmos.

1 comment:

s said...

Estranho, eu ando num cepticismo extremo. Já pouco significa algo. Ando aluado, nas tintas para tudo o nque me rodeia. I just don't care. Mas sinto-me bem, ao mesmo tempo... Mas mal também, por já pouco esperar das pessoas. Acho que já desisti de mim, e de esperar algo das pessoas... Se mo derem, ainda melhor, mas é mais um bónus que o principal. Apenas quero uma atençãozinha, um companheirismo, uma companhia. Já não peço mais do que isso. Pena.