Saturday, July 15, 2006

alcacerina; sempre


a vida tem destas coisas, as memórias que aquecem; é bom recordar dias de verão assim. um desembarque numa casa caiada de branco, na nuvens de pó alentejanas, num outro verão com uma amizade mais que perpéctua, mas que depois se tornou cadente e não-constructiva. um naufrágio num espírito tão pouco de férias grandes, um medo enorme de companhia masculina, um abrigo longe da civilização, junto ao degradante delírio de um espaço ténue e quente.
desembarque, como eu dizia, entrada e exploração de um terreno que pudesse passar a pertencer ao território conhecido, mas a companhia que não o era de todo; não o permitia. A chegada de um outro ser estranho, a que ele agora declara uma aversão perfeita, foi recebida com um ar de amabilidade e de ingenuidade supremas.
Não sei já o que pensei quando o vi pela primeira vez; as noites, os dias, a piscina, as flores, os olhares, os toques, as ausências e a presença que é sempre constante. A amizade que tu proclamas eternamente por mim quando falamos, a ternura como o dizes, o sofrimento com que abominas os silêncios, tudo em ti me fascina. O seres crescido e saberes mais que eu, o ensinares-me e gostares de aprender tanto comigo. Alcácer, é o que te leva a mim, e julgo que me leva a ti também.

2 comments:

Catharina said...

"És fascinação... amor"

Anonymous said...

a tua força...