Faz impressão, como uma dor que incomoda, que as coisas demorem a sarar, que as vidas não se mudem assim, como quando se quer limonada em vez de doce de fruta. como as revoltas são tão asquerosas quanto a guerra aflorada em peito morno. que o que se diz, não seja o que se faça, e que assim, nem sequer é o mais correcto.
que os ataques insólitos às muralhas dos outros, sejam antros de sexo grosseiro para uns, sejam porto seguro para outros. e que no fim não se acha diferença entre um e outro, porque a vida ergue-se para além disso, para além das bandeiras ontem pregadas, contra as asas de cada deus. e assim as guerras são tão nobres quanto a paz; as diferenças tornam-se semelhanças, e o bem não é melhor que o mal.
porque não há já quem defenda mais as suas causas com a justiça do impensável, com a força da forca, com a espada dos rios que afloram a norte e não a sul. são as poucas palavras que os heróis já nem sabem empunhar, que os assassinos já não sabem violar, que as mães já nem tentam criar. dar vida já nem puro se torna, quando destruímos não só tudo aquilo em que acreditamos, mas também os sonhos dos outros.
quando uma simples sombra de cobre redondo se torna o poder do mundo. e as músicas, as notas musicais são tudo o que sobra para emocionar o outro. o silêncio já não é espectral.
deve-me doer só a mim, que vejo tudo em retalhos derramados, não perdoados, salientes de causas justas e causas perdidas, doentes de maldição, dementes de escravidão.
e sermos realistas é a causa nobre? porque as pessoas loucas, são as melhores que há. e não serão as tristes também? que vêem o quanto se ama um mundo perdido; que sabem o que é empunhar rostos rotos, e espadas partidas. serão também as melhores que há.
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